“The Key of Victory” – novo single dos “The Lemonheads”

O novo tema foi gravado nos estúdios da Abbey Road, com produção do brasileiro Apollo Nove e participação da americana Erin Rae nas harmonias.

 No terceiro single do aguardado álbum Love Chant, Evan Dando apresenta um conjunto de letras introspectivas centradas na importância da honestidade consigo mesmo e no papel difícil, mas necessário, da comunicação. A contrastar com a energia contagiante dos singles anteriores, “Deep End” e “In The Margin”, “The Key of Victory” é uma canção em câmara lenta e sombras suaves — uma peça meditativa e modal, ancorada na guitarra serpenteante de Apollo Nove e nas harmonias etéreas de Erin Rae. Com coautoria de David Ashby (Rum Shebeen), a voz foi gravada nos estúdios Abbey Road. Com uma leveza e beleza profundas, a faixa revela a diversidade da composição presente em Love Chant.

Direitos Reservados

É calma, é do caraças. É bonita e modal. Estava a tentar fazer algo na vibe de Street Hassle, percebes?”, diz Dando.

Depois de anos a escrever, vaguear e recomeçar, Evan Dando regressa com Love Chant (com lançamento marcado para 24 de Outubro via Fire Records) — o primeiro álbum de estúdio dos The Lemonheads em quase duas décadas. Longamente amadurecido, o disco foi moldado por geografias mutáveis e um grupo de colaboradores de confiança, sendo uma afirmação ousada e melódica de uma das vozes mais singulares do rock alternativo.

Com lançamento previsto para este outono, juntamente com a publicação da autobiografia Rumours Of My Demise (editora Faber, 6 de novembro), Love Chant conta com produção do multi-instrumentista brasileiro Apollo Nove e reúne velhos amigos e novos aliados: J Mascis (Dinosaur Jr), Juliana Hatfield e Tom Morgan (coautor de “Deep End”) regressam à formação, juntando-se a Bryce Goggin (Pavement, Antony and the Johnsons), Erin Rae (Nashville), John Strohm (Blake Babies, coautor e guitarrista em “Togetherness”), Nick Saloman (The Bevis Frond, coautor e intérprete da joia psicadélica “Roky”) e Adam Green (The Moldy Peaches), que contribui como coautor na digressão country descontraída “Wild Thing”.

Nos últimos anos, a influência dos The Lemonheads só se aprofundou. Artistas como MJ Lenderman, Courtney Barnett e Waxahatchee já fizeram covers das canções de Dando, elogiando a clareza emocional, o instinto melódico e a intimidade irónica que definem a sua escrita. Essa ressonância geracional faz com que Love Chant pareça mais do que um regresso — é um lembrete do porquê de a banda ter sempre importado.

No dia 24 de setembro, The Lemonheads se apresentam no LAV2, em Lisboa.

Tracklist – Love Chant

1. 58 Second Song

2. Deep End

3. In The Margin

4. Wild Thing

5. Be-In

6. Cell Phone Blues

7. Togetherness Is All I’m After

8. Marauders

9. Love Chant

10. The Key of Victory

11. Roky

THE LEMONHEADS EUROTOUR 2025

13 Ago: Rough Trade East (Evan Dando Solo), Londres, Reino Unido

14 Ago: Roadmender, Northampton, Reino Unido

15 Ago: Rock N Roll Circus, Norwich, Reino Unido

16 Ago: O2 Ritz, Manchester, Reino Unido *

17 Ago: SWG3, Glasgow, Reino Unido *

19 Ago: Limelight, Belfast, Reino Unido

20 Ago: Dolans Warehouse, Limerick, Irlanda

21 Ago: Cyprus Avenue, Cork, Irlanda

23 Ago: Bank Lane, Waterford, Irlanda

24 Ago: Academy, Dublin, Irlanda

26 Ago: Foundry, Sheffield, Reino Unido *

27 Ago: Electric Ballroom, Londres, Reino Unido * [ESGOTADO]

28 Ago: Electric Ballroom, Londres, Reino Unido

29 Ago: Debaser Strand, Estocolmo, Suécia

30 Ago: John Dee, Oslo, Noruega [ESGOTADO]

31 Ago: John Dee, Oslo, Noruega

01 Set: Byscenen, Trondheim, Noruega

03 Set: Pustervik, Gotemburgo, Suécia

04 Set: Loppen, Copenhaga, Dinamarca [ESGOTADO]

05 Set: Molotow Club, Hamburgo, Alemanha [ESGOTADO]

06 Set: Crammerock Festival, Stekene, Bélgica

08 Set: Melkweg Oz, Amesterdão, Países Baixos

09 Set: Luxor, Colónia, Alemanha

11 Set: Frannz Club, Berlim, Alemanha

12 Set: Proxima, Varsóvia, Polónia

15 Set: Bogen F, Zurique, Suíça

16 Set: Vintage Industrial Bar, Zagreb, Croácia

18 Set: Café de la Danse, Paris, França

20 Set: Quai M, La Roche-Sur-Yon, França

22 Set: Lemon Rock Bar & Hostel, Granada, Espanha [ESGOTADO]

23 Set: Sala Wagon, Madrid, Espanha

24 Set: LAV2, Lisboa, Portugal

26 Set: Apolo 2, Barcelona, Espanha

27 Set: Visorfest, Valência, Espanha

01 Out: The Verdant Taproom (Evan Dando Solo), Penryn, Reino Unido

* Com The Bevis Frond

THE LEMONHEADS

Formados em Boston, em 1986, os The Lemonheads continuam a girar em torno do inimitável Evan — fã ecléctico de música, compositor de power pop contagiante e notório enfant terrible do rock alternativo. O álbum de estreia, Hate Your Friends (1987), foi descrito pela The Line of Best Fit como “frenético, pontuado por momentos de brilho”. Já Creator (1988), o segundo trabalho, foi saudado pela NME como “uma espécie de The Smiths feito nos subúrbios dos EUA”. Em 1989, Lick encerrou a fase monocromática da banda, reunindo regravações de lados B, versões e algumas músicas novas. “Para um prato de sobras requentadas, é bastante saboroso”, comentou novamente a The Line of Best Fit.

Com a explosão do grunge, a Atlantic assinou com os The Lemonheads que, após três álbuns de “punk desleixado” (Select), lançaram Lovey — descrito como “um tesouro de LP” pela NME. Em 1992, veio o sucesso It’s A Shame About Ray, que incluiu o single “Mrs Robinson”, versão que catapultou Evan para as páginas da Interview, Sassy e People. Segundo a BBC, “uma banda que aliava com mestria a sensibilidade pop à crueza do grunge.” Em 1993, com Come On Feel The Lemonheads deu seguimento ao sucesso. “Demasiado feliz, talvez não suficientemente sombrio”, avaliou Evan mais tarde. Ainda assim, a permanência de “Into Your Arms” nos tops da Billboard, e faixas como “Big Gay Heart” e “It’s About Time”, consolidaram o legado de Dando como compositor. “The Lemonheads sempre foi reconhecido como fornecedor de um pop-punk de primeira linha”, define a Record Collector.

Três anos depois, Car Button Cloth (1996) reacendeu o interesse com uma selecção eclética de canções, justamente aclamadas: “Num cenário sem melodia, dominado pela mediocridade sub-Cobain do rock alternativo, é óptimo ter Dando de volta”, segundo a Rolling Stone. Depois vieram os chamados “anos de silêncio”, um hiato que foi interrompido pelas digressões a solo de Evan e pelo lançamento do excelente Baby I’m Bored (2002, relançado em versão expandida em 2017), prova de que o seu dom para a melodia seguia intacto. Para a Paste, o “trabalho mais consistente e prazeroso de Dando desde a joia dos Lemonheads em 1992, It’s a Shame About Ray.” Em seguida, veio a pérola indie “perdida”, Lemonheads (2006). A banda reuniu-se novamente, entregando o que para Andy Grill, do The Independent, é “um presente raro que deve ser tratado com cuidado.”

Ao longo da carreira dos The Lemonheads, a escolha inusitada de canções para versões por Evan Dando desenterrou verdadeiras preciosidades — um setlist definitivo para cantar junto, que tomou forma em alguns álbuns, mais recentemente Varshons II (2018): “uma carta de amor à diversidade e ao talento do rock, mas também aos dons melódicos notáveis de Dando, “ segundo Louder Than War. 

OC/AJS/FR/Letícia Tie