Tempo de respirar melhor: Um futuro com esperança no cancro do pulmão – Por António Araújo

O cancro do pulmão continua a ser uma das doenças que mais mata em Portugal. Mas não tem de ser assim. Temos hoje ferramentas que nos permitem fazer melhor, tratar melhor e — sobretudo — prevenir e diagnosticar em fases mais precoces.
Muitos dos casos continuam ligados ao tabaco. Sabemos que, por cada cinco cigarros fumados, fica uma mutação genética no pulmão. A boa notícia é que nunca é tarde para parar. A cessação tabágica é das formas mais eficazes de prevenir esta doença. O que falta, muitas vezes, é acesso fácil a apoio para deixar de fumar — consultas dedicadas, horários flexíveis, sensibilização. Se ajudarmos mais, salvamos mais.
Mas há também quem nunca tenha fumado e ainda assim contraia esta doença. A poluição, o radão nas casas construídas em granito ou a exposição ao amianto são fatores reais. E por isso o cancro do pulmão não é só um problema individual, é um tema de saúde pública, que exige políticas claras e locais mais saudáveis.
Acima de tudo, precisamos de diagnosticar mais cedo, porque a maior parte dos doentes ainda chega ao hospital com a doença em fase avançada. Portugal continua sem um rastreio nacional ao cancro do pulmão — mesmo depois de promessas e anúncios. Um simples exame (TAC de baixa dose) em grupos de risco permitiria ganhar tempo. E tempo, aqui, é vida.
Felizmente, há esperança. Os tratamentos melhoraram muito. Já conseguimos dar mais tempo e qualidade de vida a muitos doentes. A cirurgia avançou e hoje conseguimos realizar a excisão de um lobo pulmonar por cirurgia minimamente invasiva, A radioterapia consegue, cada vez mais, incrementar a eficácia sem danificar os tecidos saudáveis envolventes. Os tratamentos sistémicos evoluíram muito, com a utilização da imunoterapia ou das terapias dirigidas. O futuro da oncologia é cada vez mais personalizado e menos agressivo.
Mas a mudança tem de começar pela prevenção (aumento da literacia, induzir a diminuição do consumo de tabaco, facilitar a acessibilidade às consultas de cessação tabágica), passar pelo diagnóstico precoce (implementação de um rastreio ao cancro do pulmão) e terminar no tratamento certo no momento certo. Mas começa também por cada um de nós — cidadãos, profissionais, autarcas, professores. Todos podemos ajudar a respirar melhor. Aqui, na nossa região (Porto), como em todo o país.
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