“Tarot? Não, Obrigado!” – Novo livro de Mário Portela critica com humor os gurus da “indústria das curas rápidas”

“Irrita-me solenemente a feira das vaidades e a exploração de pretensos gurus modernos, que praticam uma aberração que diz saber o futuro.” – Referiu Mário Portela a O Cidadão no dia do lançamento da sua obra – “Tarot? Não, Obrigado!”

O livro, de ficção, conta a história de uma jovem que “aos 23 anos, com um mestrado em economia, arrasta-se com um Manual de “Como Escolher Mal”. Ana, a protagonista “mergulha de cabeça no universo caricato e dispendioso das terapias holísticas do Porto.”

Parece um manual de autoajuda, mas não é. É uma sátira corrosiva e satírica de “um mundo que adora vender soluções fáceis e caras.”

“Para levar esta mensagem ainda mais longe, decidi reforçar com o lançamento de um audiodrama” – disse Mário Portela na apresentação do seu livro. OC/Direitos Reservados

Mário Portela pretende, com este livro, alertar de uma forma que “arranque gargalhadas e boa disposição”. Estamos a falar de um autor prolífico que se considera “naturalmente irónico e um pouco cáustico”.

Sempre fora dos cânones 

Mário Portela é um autor diferente da maioria. No que faz, no que escreve e mesmo na forma com apresenta os seus livros. Portuense, 52 anos, já publicou 20 obras escritas (cinco delas em inglês)!

Todos usam o suporte em papel. “Disponibilizo, para quem usa Kindle e versões semelhantes, e-book, através da Amazon também.”

Mário Portela foi terapeuta psicossocial cerca de 30 anos, atualmente é consultor/formador dessas áreas e criador de conteúdos, como livros, podcasts, audiodramas e outras formas de “poder levar histórias e experiências ao mundo”.

Conversar com ele sobre este tipo de assuntos é tudo menos vulgar, banal. De uma simplicidade desconcertante a opinar sobre temas tão complexos.

Senhor de si, confiante no que pensa e no que faz, trata de toda a logística editorial sozinho. “Os meus livros são vendidos na Amazon e no meu site pessoal. O “Tarot? Não, Obrigado!”, não fugiu às minhas regras. Apesar de todos os livros seguirem o processo dito normal e natural, gosto de fazer TUDO! Capa, paginação, definição visual. Adaptação pouco fundamentalista ao AO90, imagens- este tem imagens – e tudo o que seja necessário. Se dependesse de editoras, tinha de adaptar-me aos seus parâmetros.” “Tarot? Não, Obrigado!” é, pois, uma publicação independente da produtora criativa MPortela.

Habitualmente, os autores gostam de apresentar as suas obras num espaço nobre, apelativo, e com os seus amigos na assistência. Pois Mário não faz assim. “Só fiz isso um par de vezes e desisti. Para mim não tem lógica ter uma sala cheia de gente que me conhece e que vai conhecer o livro de uma ou outra forma, dada a proximidade. É o lado negativo e único de não ter o suporte de uma editora clássica.”

A poesia deu o mote

“Tarot? Não, Obrigado!” é um livro em prosa, sarcástico, nada piegas. Ao invés, diz Mário Portela, “tal como era para Carl Jung, o tarot, para mim, sempre foi uma ferramenta de reflexão, um espelho da alma que ajuda a navegar as complexidades da vida. Mas ao longo destas três décadas, também vi o lado sombrio do movimento New Age – da “Namastreta”. Promessas exageradas, retiros caros que vendem “curas” instantâneas – “banhas da cobra” e manipulações emocionais que exploram a vulnerabilidade de quem busca respostas. Foi essa dualidade que me inspirou a escrever “Tarot? Não, Obrigado”.

Um livro que dá que pensar e faz pensar. OC/Direitos Reservados

E o livro não surge por acaso, Portela refere-se a situações algo dramáticas, quiçá menos honestas, em que “vi pacientes, consulentes, alunos e amigos cair em armadilhas de promessa vazias e “contos do vigário”.  Vi a New Age, que deveria ser sobre conexão e crescimento, transformar-se num mercado que lucra com a esperança alheia. Acompanhei 30 anos dos bastidores da indústria do mal-estar. E “Tarot? Não, Obrigado!” é o meu grito.””

Quem assim fala, começou a escrever poesia aos 17 anos, em 2009. Chama-se “Argumentando Sentimentos”. Depois, em 2017, “Envelope Amarelo” marcou a entrada na prosa e no “thriller”. Hoje, diz que “escrevo por norma, ponto”. E tem publicado em vários estilos, “não importa género ou estilo, importa que chegue a um público que o possa usar ou apreciar.”

Inteligência Artificial (IA)

A nossa conversa com Mário Portela não poderia terminar sem falarmos da Inteligência Artificial (IA). Por ser um tema do dia-a-dia e, mais especificamente, porque o autor é especialista na área. Pois claro que usou a IA, mas não da forma como muita gente possa pensar.

“Uso muito IA. Para todo o processo de investigação, estruturação, controlo de detalhes, recriação fidedigna de locais, “proofreading”, eventuais correções de tradução, construção de capas e materiais de marketing. Eu ensino o usar a IA, logo faz todo o sentido usar essa ferramenta no meu trabalho”.

“Tarot? Não, Obrigado!” já pode ser adquirida na Amazon ou no site de Mário Portela. 20 euros é o preço de capa e, com todos os condimentos usados pelo autor, fica uma imensa curiosidade de “provar”.