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Domingo, Maio 19, 2024

Será um mito a economia verde?

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Economia verde é aquela que resulta na melhoria do bem-estar humano e igualdade social ao mesmo tempo que reduz, significativamente, os riscos ambientais e a escassez ecológica (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA))

Pode dizer-se que a economia verde compõe o sistema económico baseado no investimento, produção, comercialização, distribuição e consumo de bens e serviços, tendo em conta que, a mais-valia desta cadeia, esta na valorização do ambiente e na redução do seu impacto ambiental. Portanto, o que se pretende com a economia verde é estimular a redução da correlação negativa “existente” entre o crescimento económico e preservação ambiental.

No entanto, para muitos, esta correlação não passa de um mito, e tecem um discurso verdadeiramente inflamado defendendo que, num mundo onde o tempo escasseia e a concorrência se impõe, não se pode pautar por “requisitos verdes”. Para outros, o mito pertence, sim, ao domínio dos que defendem que existe uma concorrência desleal entre sustentabilidade ambiental e progresso económico, à assunção de que para a primeira evoluir/progredir o segundo tem que abrandar/regredir. Para estes, não poderemos corroborar com a ideia de que a economia verde inibe a criação de riqueza e emprego mas, antes demonstrar que esta é geradora de verdadeiras economias de escala social e ambientalmente mais justas e sustentáveis, na medida em que desde o processo de extração (sector primário) até à produção e investigação (sectores secundário e terciário) detém a metodologia e a prática da preservação ambiental.

Mas qual o motivo de opiniões tão antagónicas (?) em que indicadores se sustentam?
Sim, exclusivamente no PIB (!) – “o” indicador que mede a atividade económica de cada país através da aferição do valor total da produção de bens e serviços produzidos, por período de tempo e per capita. E é com esta “medição de produção” relativa a bens e serviços, que se afere grau de “esverdeamento” económico de um país!

Ora, quem se pauta pelos valores do desenvolvimento da economia verde, não consegue ficar indiferente a este indicador, sendo automaticamente assolado pelas questões: Como são aferidos os valores imateriais, tanto ambientais como sociais? Como se afere a preservação da biodiversidade e a redução do impacto ambiental?

Esta fragilidade do indicador quanto às questões mais difíceis de discernir, dada a subtileza/tenuidade aparente dos seus fatores tem, também, sido geradora de controvérsia. Mais uma vez, para uns este é o indicador ótimo, porque contem em si a linguagem do entendimento económico transversal a diferentes países, para outros, este indicador não poderá/deverá, de todo, ser considerado “o” indicador adequado, por ser demasiado estilizado, incapaz de valorar os pilares da economia verde.

Os defensores deste ponto de vista, aludem à necessidade de serem usados dois parâmetros de medida – a escala e a intensidade – onde a escala medirá o “tamanho” e a intensidade o impacto ambiental (tendo em atenção que, para que a economia verde vingue, será necessária a redução progressiva do impacto ambiental relativamente à escala de produção).

Com esta breve contextualização, pretende-se, unicamente, expor a controvérsia existente entre alguns pontos de vista, no que concerne ao indicador de medida mais utilizado para aferir a nossa economia global. Considera-se este debate de suma importância, na medida em que são os indicadore(s) que nos auxiliam a explorar o caminho mais correto para o desenho das nossas políticas economicas, pois tal como nos disse Confúcio:
Se você tem metas para um ano. Plante arroz
Se você tem metas para 10 anos. Plante uma árvore
Se você tem metas para 100 anos. Eduque uma criança
Se você tem metas para 1000 anos, então preserve o meio Ambiente




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