Santa Casa do Freixo em rede com as gentes da terra

Gentes e empresas da terra deram as mãos e uniram-se num espírito colaborativo, proativo e de entreajuda e criaram dinâmicas de reabilitação e desenvolvimento da Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta que representaram um investimento de 10 milhões de euros só nas últimas três décadas.
Os próximos anos continuarão alinhados com o compromisso de criar respostas para as necessidades das pessoas do concelho, estando já em preparação a ampliação da Unidade de Cuidados Continuados para mais 12 quartos, dois dos quais destinados a receber doentes com necessidades de cuidados paliativos.
A Santa Casa prepara o futuro com determinação e já prepara, também, uma candidatura ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), para financiamento da remodelação da cozinha central da ERPI e da lavandaria, estando já aprovada verba para aquisição de mais duas viaturas elétricas para o serviço de Apoio Domiciliário.

OC | Quantas pessoas são apoiadas/acompanhadas pela Santa Casa?
SCMFEC | Quando chegamos à Santa Casa encontramos uma instituição sem recursos físicos para os utentes que tinha. Eleito no ano 1994, o atual provedor da instituição logo percebeu que, além de criar condições para os que cuidamos, tinha de criar respostas para as necessidades das pessoas e crianças do concelho.
No ano que tomou posse já se encontrava em construção um edifício situado no bairro do Samiteiro, onde hoje funciona a ERPI, com capacidade para 80 pessoas. Alem dessas 80 pessoas, a Santa Casa cuida mais 24 pessoas no Prolongamento da ERPI, edifício onde funcionava o centro de dia, hoje ocupada pelas valências infantis, pré-escolar com acordo para 25 crianças, e ATL onde acompanhamos cerca de 60 crianças. Alem destes serviços também funciona nessa infraestrutura o serviço de Apoio Domiciliário que dá resposta diariamente a 60 utentes.
Quando mudamos os utentes para o lar novo, ficamos em mãos com um edifício completamente degradado e em muito mal estado de conservação. Rapidamente o transformamos numa estalagem para idosos, a funcionar em regime de quartos privativos e que hoje acolhe cerca de 28 utentes. Alem destes acordos e serviços a Instituição tem a funcionar uma Unidade de Cuidados Continuados de média e longa duração com capacidade para 39 utentes.
A Santa Casa cuida, diariamente, de mais de 300 pessoas o que significa que ficam colmatadas as necessidades de quase 10% da população do concelho.
OC | Qual o grau de satisfação dos clientes da Santa Casa? São felizes?
SCMFEC | Esta pergunta pode ter várias interpretações, ou seja, se tivermos em conta que a relação que existe entre a Santa Casa e o cliente começa com a procura por parte do utente ou familiar, leva-nos a pensar que se nos procuram é porque têm boas referências nossas. Não somos a única instituição do concelho e conseguimos ter listas de espera mesmo existindo concorrência. Sinal de que se há procura existe uma referência de bons serviços, o que nos deixa muito contentes.
Quanto à pergunta que coloca se são felizes. Seremos tão sinceros na resposta como direta foi a sua pergunta. Ninguém pode afirmar que alguém está feliz ou se sente feliz quando entra para uma instituição. Todos sabemos que existem muitos tabus.

Até o utente ser institucionalizado, é preciso que todos os interessados fiquem consciente que a vida dessas pessoas vai ser diferente a partir da entrada do seu pai ou mãe, avó ou avô para um lar.
A sua pergunta não tem uma resposta que seja homogénea no tempo, pois dificilmente encontrará um lar onde o utente entre feliz. A felicidade dessa pessoa é o nosso trabalho diário, transmitindo e dando todas as condições físicas, materiais e humanas para que a felicidade seja uma constante no seu dia a dia. E acerca desse trabalho posso responder que os nossos utentes são felizes e nada lhes falta para essa felicidade.
OC | Que valências/respostas sociais são desenvolvidas pela Santa Casa e que tipo de serviços são prestados à comunidade?
SCMFEC | Como já referimos anteriormente, a Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta tem resposta para um leque alargado de necessidades sociais. Trabalhamos diariamente para conseguir melhores serviços e tentar perceber as necessidades da comunidade. Nunca deixamos ninguém sem uma resposta, mesmo sabendo que algumas vezes estamos a fazer o papel do estado.
Mas, relativamente à sua pergunta, as respostas sociais que temos ao dispor da comunidade são a ERPI, Prolongamento da ERPI, estalagem para Idosos, SAD, Pre escolar, ATL e a unidade de cuidados continuados.

Atualmente não temos a funcionar o serviço de Centro de Dia, situação que resultou da pandemia da COVID19, que levou ao encerramento dessa resposta. Quando há pouco referimos que algumas vezes fazemos o papel do Estado em alguns serviços que prestamos, referiamo-nos aos serviços de fisioterapia que os nossos fisioterapeutas prestam às pessoas que deles necessitam sem qualquer contrapartida. E fazemos isto pois achamos que as pessoas não têm culpa se não existe uma resposta pelo poder central.
OC | A Santa Casa sente carência de apoios para desenvolver a sua missão com sucesso?
SCMFEC | Atualmente, o setor social vive uma situação de “bombeiro do estado” com um papel cada vez mais interventivo e participativo no acompanhamento dos mais carenciados. Infelizmente a nossa instituição não foge à regra, temos de ter uma gestão muito rigorosa e contida nos gastos para conseguir que a receita cubra todas as necessidades e nada falte.
Nos dias de hoje, vivemos sob a incerteza e ameaças à sustentabilidade do Estado Social, muito devido à conjuntura externa dos conflitos que se vivem na Ucrânia. Saímos há muito pouco tempo de uma pandemia que exigiu muito das IPSS, situação que ainda nos dias de hoje tem repercussões nas contas.
Gostaríamos muito de responder à sua pergunta de outra forma, mas infelizmente não podemos. Sentimos dificuldades e carência de meios, principalmente de recursos humanos. É muito difícil encontrar pessoas para trabalhar neste setor.
OC | A Santa Casa conta com a colaboração das restantes instituições da região?
SCMFEC | Sim, tentamos fazer um trabalho em rede. Temos a preocupação de identificar os problemas e arranjar soluções. O interior de Portugal está muito envelhecido e os problemas são transversais a todos.

Ainda recentemente fizemos chegar ao Governo uma missiva a reclamar mais dinheiro para o apoio Domiciliário, pois os serviços prestados nestas regiões do país são diferentes das grandes áreas urbanas. Por exemplo, às vezes a única visita que os utentes recebem em suas casas são das nossas equipas multidisciplinares. Para fazermos essa visita e acompanhamento temos que fazer deslocar uma viatura que percorre 40 km diariamente, o que faz disparar a despesa. Todos esses quilómetros que são realizados são suportados na totalidade pela instituição, o que, no nosso entender, não é justo, pois se esse mesmo serviço for prestado a 2 km, recebemos exatamente o mesmo valor que recebemos por percorrer 40 km.

OC | Em que medida a Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta é um agente de desenvolvimento e de mudança na região em que se situa?
SCMFEC | A Misericórdia de Freixo é o segundo maior empregador do concelho. Empregamos mais de 140 pessoas, na grande maioria residentes em Freixo, o que por si só já é um grande impulso para a economia local, com repercussão direta no desenvolvimento.
Podemos afirmar que nos últimos 30 anos já foram investidos em obras mais de 10 milhões de euros, obras essas realizadas por empresas da terra, e com a mão de obra também da terra. Durante estes anos tivemos uma forte participação no desenvolvimento com as mudanças que foram feitas em todas as áreas da nossa intervenção.
OC | A Santa Casa tem novos projetos prestes a avançar? Quais? Qual o ponto de situação?
SCMFEC | Atualmente, estamos a trabalhar na ampliação da Unidade de Cuidados Continuados para mais 12 quartos, onde 2 desses quartos vão ficar para receber doentes com necessidades de cuidados paliativos.
Outro projeto que temos em fase de preparação para candidatar ao PRR, é a remodelação da cozinha central da ERPI e da Lavandaria. Temos também já aprovado verba para aquisição de mais 2 viaturas elétricas para o serviço de Apoio Domiciliário, o que nos vai permitir reduzir os custos com combustível.
Santa Casa da Misericórdia de Freixo de Espada à Cinta
Largo Sarmento Rodrigues, Freixo de Espada à Cinta
OC/MP
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