S.Tomé e Príncipe – Natureza deslumbrante, mar de problemas e oceano de oportunidades

S. Tomé e Príncipe é um lindo país, um arquipélago formado por duas ilhas S. Tomé e ilha do Príncipe e vários ilhéus, localizado no oceano Atlântico a cerca de 250Km da costa ocidental de África.
Um país privilegiado pela natureza, paisagens deslumbrantes, de cortar a respiração seja na zona florestal seja na orla marítima, lindas praias, jamais esquecerei a Praia das 7 ondas, lagoa azul, a praia dos Tamarindos, a excelente gastronomia. O Povo é simpático e acolhedor. De tanta simplicidade e empatia fiquei admirado com a sua alegria, não obstante as dificuldades que passa a esmagadora maioria do povo.
Em março passado, estive uma semana em missão nesse país. Foi uma experiência que irei recordar a vida toda e com vontade de repetir.
Estive com várias entidades, entre elas, escolas, lares, creches, uma rádio e em várias “Roças”, o país profundo, onde muitos vivem abaixo do limiar da pobreza.
Se as dificuldades são muitas, na Roça “Laura”, gostei da “Roça Monte Café”.
Pela negativa, fiquei impressionado com a Roça “Agostinho Neto”, a emblemática e pela sua grandiosidade chegou a ter um hospital, que hoje não existe e tem o edifício em ruínas e uma parte nem telhado tem.
Coincidindo com o Carnaval, tive a oportunidade de o ver na cidade da Trindade, com a alegria de um povo, apesar das dificuldades de toda a ordem.
Bonitas danças carnavalescas, desfiles de viaturas alegóricas e dois dedos de conversa com o Presidente da Câmara Distrital de Mé-Zóchi.
O sistema político é uma Democracia. O seu nome oficial é República Democrática de S. Tomé e Príncipe. A democracia funciona… parece que as instituições foram inspiradas de Portugal e, claro, adaptadas à sua realidade.
Não se morre à fome, graças aos recursos existentes, muita banana de variadas espécies, que comem ao natural, frita e de outras formas.
Muita fruta, mangas, fruta-pão e outras exóticas. Muito peixe e de grande qualidade.
O povo trabalha para sobreviver, cansa-se, mas não vence na vida. Fiquei com esta perceção.
Os funcionários públicos mereciam uma estátua, já chegaram a estar vários meses sem receber salário em várias fases da Democracia, sobretudo quando mudam os Governos. Consta que não sabem quantos existem, fala-se em cerca de 15 mil funcionários. Falta motivação, incentivos, salário justo.
O povo apresenta sintomas de descrença nos políticos. Já viu passar muitos governos e em curto espaço de tempo.
Os problemas sociais arrastam-se.
A juventude emigra, o que levanta sérios problemas.
A 12 de Julho, S. Tomé e Príncipe comemorará os 50 anos de independência.
É um jovem país onde existem muitos problemas sociais e necessidades de desenvolvimento.
As oportunidades, assentam na agricultura, sobretudo no cacau, café.
O Turismo está aquém do expectável.
Um país com uma imensa zona económica exclusiva, que faz fronteira marítima com a Guiné Equatorial e o Gabão e a Noroeste com a Nigéria não soube ainda desenvolver as pescas e demais potencialidades do Oceano Atlântico.
O petróleo, que poderia ser um fator de riqueza para o país, ainda não conseguiram fazer a sua extração.
Ao comemorarem brevemente os 50 anos de independência, os são-tomenses, para seu bem, necessitam de fazer uma reflexão profunda das causas do fraco desenvolvimento, os caminhos que tem percorrido, das parcerias que pretendem para o seu desenvolvimento.