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Segunda-feira, Maio 27, 2024

Revolta das pessoas educadas

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Joaquim Jorge
Joaquim Jorge
Biólogo, fundador do Clube dos Pensadores

Dever-se-ia criar um movimento de revolta das pessoas educadas. Quem é educado está tramado, há sempre alguém a passar-lhe a perna.

Quem é educado está sempre a levar com pessoas mal-educadas e sem maneiras. Irrita-me pessoas que passeiam os cães e não têm em conta quem passa. Nos passeios e nos passadiços, cocó de cão é o habitual.

Vou a caminhar no passadiço e não se afastam quando vem alguém em sentido contrário, bicicletas nos passadiços quando é proibido e estragam o pavimento de madeira.

Passam numa fila de espera à frente de quem já lá está. Falam alto e temos que levar com toda a panóplia de assuntos que nada têm que ver connosco. Quero lá saber onde vão, o que têm e com quem estão zangados! Deve-se falar baixo, não percebem que incomodam os outros, e que os outros não querem saber da sua vida, já tem a sua e com que se preocupar.

Nem estou para falar de vizinhos que só por que estão em sua casa acham-se no direito de fazer tudo e mais alguma coisa, a começar por barulho e afins.

As trotinetes aparecem em todos os sentidos dos pontos cardeais e mesmo contramão. Um perigo que se devia pôr cobro, as ruas portuguesas estão a transformar-se uma bagunça parecida com o trânsito na Índia.

Um condutor vai sair do seu lugar de estacionamento, apercebe-se de que alguém quer ocupar esse lugar e demora uma eternidade a fazê-lo. Outros deixam o carro em segunda fila e congestionam o trânsito e marimbam-se para os outros.

Utilizar o multibanco e com uma longa fila, em vez de fazer o seu movimento, pensa que o multibanco é seu e faz tantas operações que metade da fila se vai embora.

Na praia não sabem estar e sacodem a  toalha sem pensar que o vento atira a areia para cima de outros. E nem pedem desculpa. Havendo tanto espaço, avançam para cima de nós.

O lema é “ eu faço o quero não estás bem, põem-te”.

Mas há muito mais situações.

Quando alguém chama atenção do que estão a fazer, olham de lado com desdenho e dizem para chamar a polícia com ar de gozo. Porém, não devemos desistir e dizer a essas pessoas que estão a errar e a não respeitar as normas. Pode não resultar, mas já ouviram e foram denunciadas.

Não há uma consciência de educação cívica e respeito do bem comum.

É necessário haver uma disciplina de boas maneiras e saber estar nas escolas. Os portugueses, o que aprendem melhor é a roubar e a contornar a lei. Ser educado, respeitador, sério é para lorpas.

O que está a dar é avançar de qualquer maneira e depois logo se vê. Quem é bem-educado dever-se-ia unir e combater os mal-educados.

É preciso que se cumpram as leis para proteger as pessoas bem-educadas, para que não sejam prejudicadas nos seus empregos, na sua vida, no seu dia-a-dia.

Fazem tantas petições, porque não uma petição para “defender as pessoas educadas”, com regras básicas de convivência e comportamento em sociedade?

Cumprimentar as pessoas, despedir-se das pessoas, agradecer sempre que se justifique – dizer obrigado, não paga imposto. Se ofendeu alguém – peça desculpa, não entendeu-pergunte, não tem – não seja invejoso, não gosta – respeite quem gosta, sujou – limpe, não quer ajudar – não atrapalhe nem diga mal, comprou – pague, pediu emprestado – devolva, estragou-conserte.

Sou a favor de uma petição em “defesa das pessoas educadas” que consiga ser discutida no Parlamento, para se fazer cumprir a lei, regras de civismo e que proteja quem é educado.

O mal-educado não pode ser um esbulho para a quietude, tranquilidade e vivência dos outros.

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