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Segunda-feira, Abril 15, 2024

Retrocesso civilizacional – Por Susana Pinto

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Susana Pinto
Susana Pinto
Professora de Português e Alemão

Por vezes, observando os tempos atuais, fico com a sensação de que aquilo que estamos a ver hoje, enquanto sociedade, já foi vivido noutros tempos.

Isto a propósito deste caso tão caricato que foi assistir – porque me chamaram a atenção para esse episódio e não porque de alguma forma possa eu ser audiência de televisão nacional – ao diálogo entre um pivot da TVI e um comentador, em que ambos analisam o facto de o vencedor do título de Miss Portugal 2023 ter nascido homem.

Pensando que vivem num país democrático, um como o outro debitaram o que lhes ia no pensamento e meteram-se num belo trinta e um.
Pergunto-me onde foram buscar a ideia de que vivem num país democrático!

Estudei, na escola, o tema “Estado Novo” e recordo, entre outras coisas, as limitações a que os cidadãos estavam votados, recordo que havia temas sobre os quais não era permitido falar-se, recordo que havia castigos e penalizações para os que ousavam desafiar o poder vigente da altura.

A população era cautelosa com que falava e com o que dizia; a fronteira entre a suspeição e a conspiração era frágil; o delito de opinião era grave e as perseguições reais.
Todas estas restrições das liberdades foram estudadas nas escolas e ainda o são atualmente. De tal forma que tudo isto que acontece agora me parece um “déjà vu”, não mais do que uma repetição de algo já presenciado.

Não vivemos em Ditadura, mas, claramente, um período de Retrocesso Civilizacional.Só isso explica episódios como o recente pedido de desculpas público do jornalista José Alberto Carvalho pelo facto de ter a sua opinião pessoal quando questionado diretamente se se casaria com o vencedor do Concurso Miss Portugal deste ano, que nasceu homem, ao que respondeu – para mal dos seus pecados – um redondo não. A opinião do jornalista não foi apreciada por uma parte da nossa sociedade, parte esta que, à semelhança dos tempos do Estado Novo, pôs em ação a mesma velha prática: Sinalizar, Perseguir e Castigar.

Os nossos muito pouco amados profissionais de televisão – qual LÁPIS AZUL – sinalizaram o diálogo de espaço de comentário semanal; a turba dos desmiolados que vivem e se alimentam na bolha mediática – qual PIDE – perseguiram o elo mais fraco deste episódio; os Média – qual ESTADO NOVO – decretaram o castigo: a humilhação pública.

Que péssimo serviço este que se prestou ao país por estes dias!


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