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Quinta-feira, Maio 23, 2024

Rede Unir nos transportes públicos da Área Metropolitana do Porto não satisfaz e revolta os utentes

A Rede Unir que interliga os 17 municípios da Área Metropolitana do Porto (AMP), mantém, volvidos quatro meses da sua implementação, os atrasos sistemáticos, as carreiras por cumprir e a falta de informação. “Só veio desunir”, acusam os passageiros.

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Maria Paulo
Maria Paulo
Jornalista free-lancer

“O Cidadão” foi dar uma volta pela UNIR, a nova rede de transportes públicos da Área Metropolitana do Porto que prometia, há pouco mais de quatro meses, “uma maior cobertura, com mais horários, novas linhas, otimização de trajetos existentes e surgimento de novos de modo a abranger locais que anteriormente não estavam servidos de transporte público”.

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A Rede Unir, na Área Metropolitana do Porto, está muito abaixo das expetativas dos muitos itentes. Foto de MP

Esta rede, que interliga os 17 municípios da AMP prometia, também, “melhor acesso à informação pelos utilizadores será melhorado com disponibilização de informação em tempo real”. E prometia, ainda, uma “oferta mais eficaz e eficiente e com ganhos significativos na minimização do impacto da mobilidade no meio ambiente”.

O descontentamento e a revolta são o denominador comum aos utilizadores desta rede de transportes que, desde a sua implantação a 1 de dezembro de 2023, ainda não baixaram de tom. Em Vila Nova de Gaia, por exemplo, os atrasos, grandes atrasos que chegam a ultrapassar as duas horas, as carreiras por cumprir, os horários desajustados e a falta de informação estão entre as principais queixas dos utentes da Unir, que até já despoletaram várias manifestações e petições públicas.

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“A Unir veio para desunir” – dizem os passageiros. Foto de MP

“O Cidadão” procurou “ver para crer” e acomodou-se num canto daquele belo passeio de calçada portuguesa na Avenida da República, mesmo em frente à estação D. João II da linha azul do Metro do Porto, que serve de paragem às centenas de pessoas que ali se amontoam, todos os dias, por vezes durante horas a fio, à espera da carreira que tarda em chegar.

A indignidade desta “paragem” improvisada, onde os passageiros esperam e desesperam pelas carreiras da rede Unir é de bradar aos céus! Os mais velhos e os utentes com mobilidade reduzida não têm um único equipamento para aguardarem o transporte com o mínimo de conforto; as crianças, adolescentes e jovens pulam e brincam como se estivessem no recreio da escola, sem noção do perigo que representa o tráfego intenso, ali mesmo na berma da avenida.
Os cidadãos de meia-idade, na generalidade trabalhadores, vociferam contra os serviços prestados pela nova rede de transportes que se apresentou assim, com pompa e circunstância: “Agora, a Área Metropolitana do Porto está mais unida e ligada de uma forma única”. Mas os utentes contrariam o slogan e lamentam: “A Unir só veio desunir!”. E descarregam a sua ira nos pobres motoristas, maioritariamente imigrantes, que apenas são responsáveis por não falarem português.

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Utentes abrigam-se como podem nesta paragem improvisada da Rede Unir, em Vila Nova de Gaia. Foto de MP.

«Isto é uma vergonha! Estávamos mal com as camionetas que tínhamos, mas ainda ficamos muito pior», desabafam alguns utentes naquelas conversas que matam o tempo à espera da carreira que teima em não chegar. “Queremos ir para o trabalho ou para casa e não conseguimos. Isto é um desespero, uma pouca-vergonha», acrescentam outros que se associam àquela partilha de frustrações e de revoltas.

Não obstante os atrasos sistemáticos e a falta de acesso à informação pelos utilizadores, cuja promessa institucional apontava uma melhoria com disponibilização de informação em tempo real, é de realçar que os atos de vandalismo nos autocarros parecem ter terminado.

O propalado nascimento de uma mobilidade mais sustentável, que interliga os 17 municípios da AMP, comprometida em garantir mais qualidade de vida aos passageiros, uma gestão mais eficiente das cidades e reduzir as emissões de carbono, está longe das evidências.
A Unir compreende 439 linhas de autocarros, uma frota alegadamente reforçada de autocarros tendencialmente amigos do ambiente e a utilização exclusiva do sistema Andante, com bilhética e tarifários comuns a todos os municípios.

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