Quem não viveu um amor de verão?!… – Por Rosa Fonseca

Estamos no verão e os amores chegam sem pedir licença: vêm com as marés, avançam com força inundam-nos de sal e sol, depois, inevitavelmente recuam. O sol no corpo, o mar nos olhos ou a frescura de uma bebida ao fim da tarde, são prenúncio de paixão no ar. O amor de verão é isso mesmo — um acontecimento sazonal, forte, e quase sempre deixado nas areias quentes — como as pegadas na areia molhada. O que é do mar, fica no mar.

Conhecemos alguém entre risos de amigos, bolas de Berlim e mergulhamos no mar dos seus olhos. Sem pressa, sem planos, sem promessas. Agora, só as conversas intermináveis à beira-mar. Salpicamos o corpo de beijos, entrelaçamos as mãos sob as estrelas, e vivemos a cumplicidade de todos os momentos, leves, como quem sabe que o encanto vive na efemeridade das coisas.

Inventamos mundos, como se o verão fosse um parêntesis encantador onde a realidade não tem direito a entrar. Falamos de tudo e de nada e tudo nos parece fácil e fluído. Navegamos na fugacidade das águas translúcidas.

Quem nunca se perdeu de amores num verão à beira-mar, que atire a primeira concha.

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Assim, como o verão, também há amores que partem com a chegada de setembro: inevitavelmente e sem avisar, cada um vai iniciar o outono em outras marés.

E depois destes amores, breves, mas intensos, marcados pela efemeridade, como ficamos?

Certamente deixarão uma marca emocional. Podem ainda deixar uma sensação de fragilidade e insegurança. Afinal, tivemos algo tão belo, com tanta entrega, para se diluir com o fim do verão.

Durante algum tempo talvez nos persiga o medo da transitoriedade do amor. Mas a experiência vai certamente ensinar-nos a importância do momento presente, das alegrias e melancolias. Ensinam-nos que a impermanência é uma parte indeclinável da vida.

Porem, estes amores também podem abrir portas para novos tipos de sentimentos e descobertas pessoais; têm a capacidade de nos reinventar, mesmo depois de uma despedida; mostrar-nos a importância do que é necessário para que cada um de nós se sinta pleno e, por fim, mais seguro para viver novos relacionamentos.

Estes amores trazem-nos a beleza de viver o agora e o desapego sem nos prendermos ao que vai e vem.

Os amores de verão são como as estações, tem seu ciclo e não precisam ser eternos para serem verdadeiros. Têm que ser plenos e autênticos na sua durabilidade.

E quem sabe, ao relembrar os dias quentes e as noites suaves, ainda possamos reencontrar-nos naquele sorriso espraiado à beira-mar. Naquele amor que nos incendiava nos rubros pores do sol e termos dele, o aroma do protetor solar sempre que um novo verão nos invade.

Deixemos, pois, a magia do verão acelerar os corações e deixar o olhar mais intenso que o próprio mar.