Quando deixará de haver lugar para ditadores?

É preocupante o facto de o leme dos Estados Unidos da América (EUA) estar nas mãos de um timoneiro que leva o barco para águas geladas e profundas, que não sabe nadar e não tem colete de salvação nem bote salva-vidas!…
Esta minha preocupação é agravada pelo facto de os EUA não serem o Burkina Faso, mas sim o país líder mundial com mais poder. Se fosse o Burkina Faso, cujo nome quer dizer “Terra Natal dos Homens Íntegros”, e se Trump se comportasse como o nome indica… tudo estaria bem. Assim, não!
Até há bem pouco tempo (no tempo da minha vida… oito décadas), o mundo estava dividido em dois blocos: o ocidental e o oriental, apresentando cada um políticas diversas permitindo uma escolha. No mundo ocidental estavam as democracias, como EUA, Inglaterra, França e Alemanha; e no mundo oriental as ditaduras, como Rússia e China.
Hoje a realidade é totalmente diferente. Se, então, os dois blocos de economia diversa moldavam a compreensão dos diferentes modos de governo permitindo-nos uma escolha alertada pela História, hoje apresentam-se ideologicamente tão próximos que podemos afirmar ter sido a Democracia espezinhada na grande potência ocidental que é os EUA, aproximando-a da Rússia de Putin e da China de Xi Jinping. Aí, poderá haver lugar para o desenvolvimento industrial… mas o Ser Humano é desrespeitado, perseguido, preso e morto quando contesta as vontades dos governos.
O verbo “espezinhar” era de conjugação habitual nas ditaduras africanas e sul-americanas, fazendo a “ilustração” das botas cardadas do poder militar reprimindo os povo após revoluções sangrentas (como aconteceu no Chile, com Pinochet, em 1973… e hoje, no mesmo país, quem ganhou a eleição presidencial é um admirador de Pinochet!…).
Se, por um lado, parece que as novas gerações não aprenderam nada com a História, elegendo ditadores; por outro lado a actuação dos ditadores mais modernos também mudou: usam outro discurso e outros modos de eliminar os seus críticos sem “espantarem” o rebanho que votou neles, enganando com mais eficácia os cordeirinhos votantes.
Se, até aqui, um trabalhador que se sentia mal no seu país governado por um opressor, encontrava na imigração a solução para o seu problema, legalizando a sua vida noutro país, agora a vida de todos nós está bem mais complicada. Se migramos para um país governado por um ditador – como Rússia ou China – por muito aliciante que seja o contrato de trabalho que consigamos em tais paragens, perdemos todos os direitos de cidadania que a liberdade nos concede no Portugal de Abril… por lá, não se sonha, sequer, o que é ser-se livre!
Nos EUA, o ditador “é apregoado como democrata e libertador do país”, conquistando uma maioria de americanos que engolem todos os seus discursos de olhos fechados, sem amargo de boca e sem mastigar. Cancela-se a imigração, perseguem-se e prendem-se imigrantes em acções policiais que mais parecem cenas de guerra, e expulsam-se estudantes, mesmo que tenham nascido nos EUA, mas que nunca conseguiram a legalização enquanto cidadãos americanos.
Há quem diga que o paradigma do mundo mudou, que já nada é, nem será, como dantes, que estas transformações não têm volta atrás, que vieram para ficar e farão a transformação do mundo (para muitíssimo pior… digo eu).
Eu recuso acreditar nesta péssima transformação do mundo. Historicamente as transformações sociais são realizadas de acordo com a evolução tecnológica. Assim foi, por exemplo, com a Revolução Industrial que teve três fases históricas, com início em 1760, tendo sido motivada pelas descobertas que favoreceram a expansão das indústrias, revolucionando o progresso técnico e científico desde o trabalho manual ao uso do vapor até à electricidade; e talvez nos encontremos, já, na quarta fase da Revolução Industrial originada pelas tecnologias mais recentes.
O que acontece hoje na afirmação de que “o mundo mudou e que já nada é, nem será, como dantes”, é que a frase não é uma referência à evolução tecnológica, mas sim ao processo político e económico que se encontra em mãos pouco ou nada fiáveis… o que não é bitola para ajuizar o futuro da Humanidade… o tempo passa e as vontades políticas são outras.
O mundo apresenta-se hoje tão mau por ser gerido por ditadores (narcisistas e incultos como Trump, ditadores-por-herança como Kim Jong-un, escolhidos pelo Partido Comunista/Capitalista como Xi Jinping e criminosos de guerra como Putin e Netanyahu). Estes personagens não podem ser o gatilho da mudança do paradigma social. Recuso aceitar esta desgraça dos dias de hoje como sendo “modelo, exemplo ou padrão” a ser seguido futuramente… isso seria o fim da dignidade.
O futuro da Humanidade não pode ser esse. Quero acreditar que é um sonho mau o que hoje se vive, e do qual vamos acordar… será algo parecido com a lei seca dos anos 20 e 30 do século passado nos EUA, que fez surgir Al Capone… mas logo que seja passado o tempo dos “gangsteres”, o mundo voltará ao bom caminho eliminando bandidos e ditadores, percorrendo a trilha do Humanismo.
Recuso aceitar a ideia de que as ditaduras promovidas pelos “gangsteres” que hoje têm as rédeas do Poder e mandam no mundo (num retrocesso civilizacional vergonhoso) são o espelho do futuro.
O Ser Humano não pode ser assim tão mau… isso é de filme de ficção de segunda categoria.
Bem sei que não passamos de animais, com todas as características que aos animais pertencem… o Homem actual é cópia aproximada (com transformações) do Homo neanderthalensis … o qual, eventualmente, seria mais belicoso do que eu e os meus leitores somos hoje…
Haverá uma franja populacional cujas transformações evolutivas naturais conseguidas pelo ADN (Ácido Desoxirribonucleico), não resultaram tão perfeitas… mas esses espécimes hão-de extinguir-se pela selecção natural…
Penso não haver quem – com a consciência de um Homo sapiens sapiens, verdadeiramente sapiens, no qual o ADN procedeu às mutações necessárias para a perfeição da espécie – queira um regresso ao passado ditatorial… ou então o ADN não fez bem o seu trabalho… (é claro que eu estou a raciocinar de acordo com a minha vontade… e confesso não saber se a selecção natural funciona ao contrário, elegendo mentes como “Trumps e Putins” e descartando “Pepes Mujicas”…)
Se calhar, enquanto ateu que imagina um futuro tão positivo, eu serei “muito crente” por preferir um futuro Mujica e rejeitá-lo com Trump e Putin, e que me deixo embalar pela “fé” na política humanista, na fraternidade e respeito pelo outro, e no bom desempenho da Evolução Natural no desejo de ver um melhor futuro para todos nós com a espécie humana melhorada, com comportamento optimizado.
Inebriado por esta “minha fé” na evolução positiva do Ser Humano, creio que a nossa espécie é bem melhor do que a péssima imagem que os ditadores dão (de nós e de si mesmos) enquanto Australopithecus que saltaram as fases de Neandertal e Sapiens, e andam por aí a fazer as suas macacadas, presidindo aos seteites, à Rússia e a Israel (entre outros países), conspurcando este mundo e a imagem da Humanidade.
Se o futuro for um tempo positivo, não pode haver lugar para ditadores de ficção científica.
Um ditador é só um ditador… não mais do que um ditador… e, como tal, humanisticamente vale zero.
As ditaduras têm o seu tempo e o seu fim. Todas acabam por cair.
Se assim não for… a Evolução Natural não está a fazer bem o seu trabalho… (embora saiba que demora tempo)… e eu estarei redondamente enganado pela minha estrondosa inocência política, e pela “fé” que tenho no Homem Inteiro e Íntegro… “reciclado”.