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Quinta-feira, Maio 23, 2024

Projeto de dança inclusiva reúne no Porto crianças russas e ucranianas

Trinta e duas crianças russas e ucranianas começaram no início de setembro um projeto de dança no Clube Fenianos Portuenses, no Porto, que visa promover a integração social dos refugiados dos dois países em guerra.

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Com idades entre os 4 e 12 anos, os candidatos a dançarinos reúnem-se três vezes por semana na centenária instituição cultural da cidade, que deu resposta ao grupo após “ter sido convidado a sair” do anterior local onde dançava, revelou  Vítor Tito, presidente dos Fenianos, nascendo assim a Escola de Dança Paz.

A escola começou com crianças ucranianas e russas, mas já inclui portuguesas, o que prova que em Portugal ambas as comunidades vivem em paz”, disse o responsável sobre a primeira fase de um projeto “que se quer abrir a outros imigrantes e refugiados, mas também a crianças portuguesas de famílias desfavorecidas, proporcionando-lhes aulas gratuitas”.

Recorrendo à tradução de Catarina, uma jovem de nacionalidade portuguesa e russa a Lusa falou com Ekaterina, da Rússia, mãe do Igor, de 14 anos, e da Sofia, de 10 anos, e com Nikolay, da Ucrânia, pai da Viktoria, de 8 anos, e da Margarita, de 4 anos.
Casada com um ucraniano, Ekaterina foi categórica quando questionada sobre a possibilidade de unir crianças de ambos os países, afirmando “que não fazia sentido recusar esta possibilidade”.

Nikolay, a seu lado, subscreveu a ideia e invocou, igualmente, razões pessoais: “Interessa-me que o meu filho possa falar com alguém na sua língua materna, uma vez que teve de sair da Ucrânia”, disse.

Em Portugal desde o final da primavera, depois de o marido ter atravessado a Europa em setembro de 2022, a jovem mãe russa responde com um sorriso e palavras afáveis quando questionada sobre o ambiente que encontrou: “Portugal recebeu bem os russos e os ucranianos que vieram para cá, e os pais que têm filhos nesta escola dão-se muito bem”.

Nikolay acrescenta que saiu de Kharkiv, em março de 2022, para “fugir da guerra”, recordando que em “ambos os países os homens estão a ser recrutados para o combate”.
Não nos encontramos apenas na dança, passamos mais tempo juntos, a passear, não temos problema nenhum em o fazer”, disse.

O projeto ganhou, entretanto, uma segunda fase, com Vítor Tito a revelar a intenção de “aproveitar as duas horas que os pais passam no clube para o desenvolvimento de aulas de português e, assim, ajudar à sua integração na sociedade nacional”.

Para além disso, entre eles, há quem estando cá continue a trabalhar para a Ucrânia, via Internet. Para isso, criámos um espaço de ‘co-working’ para eles poderem trabalhar enquanto cá estão, usando os recursos tecnológicos do clube”, contou o dirigente dos Fenianos.

Continuando no domínio da integração, Vítor Tito deu ainda nota de “negociações com instituições culturais do Porto”, para assegurar “visitas e participações” das famílias refugiadas a fim de que “possam conhecer o local escolhido para prosseguir o seu projeto de vida, assim se sentindo bem-vindos”.

O Cidadão/Jorge Fonseca/Lusa

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