Portugueses reforçam confiança na AD, Governo e primeiro-ministro

A AD – Coligação PSD/CDS venceu as eleições legislativas com 86 deputados, enquanto PS e Chega empatam no número de eleitos para o parlamento, 58, quando estão apurados todos os votos nos círculos nacionais.

Os portugueses reforçaram a confiança na AD, no Governo e no primeiro ministro, Luís Montenegro, nestas eleições legislativas atípicas. O escrutínio que dedicou um considerável triunfo à direita e centro-direita, também sentenciou uma abismal derrota da esquerda, de todos os partidos de esquerda (com exceção do Livre de Rui Tavares), tendo sido verdadeiramente cruel com o Bloco de Esquerda de Mariana Mortágua, que obteve apenas com 2,0% dos votos e só um deputado eleito (ela própria).
LUÍS MONTENEGRO DIZ QUE O POVO QUER ESTE PRIMEIRO-MINISTRO
O presidente do PSD afirmou que os portugueses deram nas eleições de domingo um voto de confiança na AD, no Governo e no primeiro-ministro, querendo que o executivo dialogue, mas que as oposições também o façam.
Luís Montenegro fez esta interpretação dos resultados eleitorais na sua intervenção inicial no final da noite eleitoral.

“O povo falou e exerceu o seu poder soberano. No recato da sua liberdade, aprovou, de forma inequívoca, um voto de confiança no Governo, na AD e no primeiro-ministro”, declarou, recebendo uma prolongada salva de palmas.
“O povo quer este primeiro-ministro e não quer outro; o povo quer que este Governo dialogue com as oposições, mas o povo também quer que as oposições respeitem e dialoguem com este Governo e com este primeiro-ministro”, salientou na parte inicial da sua intervenção.
Uma parte em que teve como objetivo defender que os portugueses “querem uma legislatura de quatro anos e exigem a todos que percebam, respeitem e honrem a sua palavra livre e democrática”.
Ou seja, de acordo com o presidente do PSD, “ao Governo e ao primeiro-ministro caberá executar o programa, cumprir os compromissos que foram assumidos e estar à altura da confiança reforçada que recebeu dos eleitores”.
“Às oposições quebrará, igualmente, respeitar e cumprir a vontade popular, honrando os seus compromissos e as suas propostas, mas adequando-os às circunstâncias nacionais e coletivas. De uns e outros espera-se sentido de Estado, sentido de responsabilidade, respeito pelas pessoas e, naturalmente, espírito de convivência na diversidade, mas também de convergência e salvaguarda do interesse nacional”, sustentou.
Na sua declaração, o líder social-democrata alertou para a complexidade da atual conjuntura internacional, cabendo a Portugal um caminho de estímulo ao investimento com “recursos humanos mais valorizados”.
“Vamos continuar a apostar na juventude, que queremos reter e manter em Portugal e com a qual contamos para criar mais riqueza para podermos redistribuir de forma mais justa; vamos continuar a valorizar aqueles que prestam serviço no Estado, os trabalhadores da administração pública, porque uma administração pública mais qualificada será mais eficiente”, prometeu.
O primeiro-ministro falou ainda em “continuar a salvar o Estado social, da saúde à educação, da habitação à mobilidade”.
“Vamos continuar a levar a cabo mais regulação da imigração, maior reforço da segurança, mais combate à criminalidade grave e à corrupção, reforçando as forças de segurança e também as Forças Armadas”, completou.
Luís Montenegro deixou ainda mais duas garantias: “Quem trabalha mais, quem produz mais, tem de ter a justa retribuição pelo seu desempenho; e não falharemos aos nossos reformados e pensionistas”.
As primeiras palavras de Luís Montenegro foram destinadas a “cumprimentar o povo português, pela sua “liberdade, responsabilidade cívica, bravura e inteligência”. Saudou também a sua família “de sangue” e a sua família política.
Quando estão por apurar apenas os círculos da emigração, as duas coligações lideradas pelo PSD (AD – Coligação PSD/CDS no Continente e Madeira com 86, a que se somam três da coligação PSD/CDS-PP/PPM nos Açores), obtêm 89 deputados (87 do PSD e dois do CDS-PP) e cerca de 32,7% dos votos.
O CHEGA TORNOU-SE O SEGUNDO MAIOR PARTIDO
O presidente do Chega, André Ventura, considerou que o partido teve uma “grande noite” e tornou-se “o segundo maior partido” nas eleições legislativas de domingo, representando o fim do bipartidarismo.

“Que grande noite tivemos“, afirmou o líder do Chega, depois de conhecidos os resultados dos círculos do território nacional, que apontam uma subida em número de votos e deputados e quando ainda não são conhecidos os resultados pelos círculos da emigração.
André Ventura afirmou que “o Chega tornou-se nestas eleições o segundo maior partido“, assinalando que o seu partido fez “o que nunca nenhum partido tinha feito em Portugal“. E acescentou: “Podemos declarar oficialmente, e com segurança, que acabou o bipartidarismo“, disse também.
Em declarações aos jornalistas antes de entrar na sala, André Ventura disse que tinha falado momentos antes com o líder do PSD, Luís Montenegro, e que o felicitou pela vitória nestas eleições legislativas.
Os resultados provisórios apontam um empate entre PS e Chega, com 58 deputados cada um. Faltam agora distribuir os quatros mandatos pelos círculos da emigração e, no ano passado, os emigrantes deram dois deputados ao Chega, um ao PS e um à AD (coligação PSD/CDS-PP/PPM).
DERROTA HISTÓRICA DO PS LEVA À DEMISSÃO DE PEDRO NUNO SANTOS
O PS sofreu uma derrota histórica nestas eleições legislativas, tendo levado à demissão de Pedro Nuno Santos de secretário-geral do partido.

O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos anunciou a sua demissão do cargo, ao qual não será recandidato, anunciando uma Comissão Nacional do partido para sábado.
“Assumo as minhas responsabilidades como líder do partido, como sempre fiz no passado, sempre que achei que deveria assumir responsabilidades, vou, por isso, pedir eleições internas à Comissão Nacional”, afirmou Pedro Nuno Santos.
Pedro Nuno Santos adiantou ainda que já está acertado com o presidente do PS convocar a Comissão Nacional para o próximo sábado, no qual pedirá eleições internas, às quais disse que não será candidato.
A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, reconheceu que a esquerda teve uma “derrota importante” e o seu partido uma “grande derrota“, mas garantiu que vai manter a sua candidatura à liderança na convenção de novembro.

“A esquerda tem uma derrota importante, o BE tem uma grande derrota esta noite e é importante reconhecermos essa derrota com toda a humildade e frontalidade. Porque assumir é o primeiro passo para fazermos em conjunto a reflexão que temos que fazer“, reconheceu Mariana Mortágua, líder do BE, que falava aos apoiantes na Casa do Alentejo, em Lisboa, local que o partido escolheu para a sua noite eleitoral.
Interrogada sobre se e possível recuperar o partido de uma queda eleitoral com a mesma direção, Mariana Mortágua deixou a garantia que vai manter a sua candidatura à liderança na próxima Convenção nacional do partido, agendada para novembro deste ano.
“Eu encabeço uma moção à próxima convenção do BE e mantenho inteiramente esse compromisso“, afirmou.
A cabeça de lista do BE começou a reagir numa altura em que o partido ainda não tinha elegido qualquer deputado e terminou quando Mariana Mortágua, número um por Lisboa, foi eleita por Lisboa, com os presentes a gritar “Mariana vai em frente, tens aqui a tua gente” e a cantar “A Internacional”.

OC/MP
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