Portugal não precisa da NATO – Por Amadeu Ricardo

É preciso dizer, com toda a clareza que a Europa não precisa da NATO. E Portugal, muito menos.
A Europa precisa de paz, de soberania, de futuro.
Porque a NATO não serve a Europa. Serve os interesses dos EUA. Serve o complexo militar-industrial que lucra com o medo e com a guerra.
Vamos olhar para os factos:
O que trouxe a NATO à Europa nas últimas décadas? :
— Em 1999, o bombardeamento da Jugoslávia — mais de 38 mil missões aéreas. Um país europeu arrasado do céu. Não por paz — por poder. Um conflito que abriu portas a décadas de instabilidade nos Balcãs, que alimenta até hoje redes de crime e tráfico humano.
— Em 2011, a destruição da Líbia — com a participação alegre da NATO. Resultado? Um Estado falhado, milícias, tráfico de armas, terroristas, um corredor para o tráfico de migrantes para a Europa.
E quem lucrou? A paz não foi. Foram os vendedores de armas.
Hoje, a NATO é parte do problema — não da solução.
— Quem forçou a expansão da NATO até às fronteiras da Rússia, contra todos os avisos dos próprios diplomatas americanos e europeus? Foi a sede de lucro e de poder. E com isso, o que temos? Guerra na Ucrânia. Uma guerra que mata ucranianos, arruína a economia europeia, ameaça todo o continente.
Mais NATO não é mais segurança. É mais conflito.
Desde 2014, com a escalada provocada pela expansão da NATO até às fronteiras da Rússia, os gastos militares europeus cresceram 72%!
Em 2023, os países europeus da NATO gastaram mais de 350 mil milhões de euros em defesa.
Só a Alemanha, pressionada por Washington e pelos falcões da NATO, criou um fundo de 100 mil milhões para armamento — mais do que o seu orçamento para habitação!
A Polónia, hoje, gasta quase 4% do PIB em defesa — enquanto corta nos serviços sociais.
E agora querem impor a Portugal 5% do PIB — 13 mil milhões por ano — em armas!
Para quê?
Para servir de vassalo na nova Guerra Fria que os EUA querem travar na Europa.
Querem que Portugal, um país com listas de espera no SNS, com os professores a sair do sistema, com jovens a emigrar, despeje milhares de milhões… não em escolas, não em hospitais, mas em tanques e mísseis!
Para não nos enganarmos :
A NATO não defende a Europa — arrasta-a para a guerra.
A NATO não promove a paz — sabota a diplomacia.
A NATO não protege os povos — protege os lucros da indústria de armamento.
Quem boicotou os esforços franceses e alemães para uma solução diplomática, antes da guerra da Ucrânia? Quem inviabilizou um cessar-fogo em 2022? Quem impede qualquer proposta europeia para conferência de paz? A máquina da NATO.
Como disse o Presidente francês, Emmanuel Macron:
“A Europa deve construir a sua autonomia estratégica, para não ser dependente das escolhas americanas.”
E o alto representante da UE, Josep Borrell, já avisou:
“Estamos a pagar um preço altíssimo pelas consequências desta guerra.”
Porque a guerra na Ucrânia já arrasou os orçamentos sociais de toda a Europa:
Em 2022, a inflação nos alimentos subiu 18% em média na zona euro.
Os preços da energia aumentaram 40% — com famílias a escolher entre aquecer a casa ou alimentar os filhos.
O BCE estima que os orçamentos nacionais perderam cerca de 200 mil milhões de euros em poder de compra em dois anos.
Serviços de saúde cortados. Salários públicos congelados. Investimento social adiado.
E para quê?
Para garantir os lucros recorde:
— Lockheed Martin: +37% de lucro em 2023.
— Raytheon: contratos recordes de 25 mil milhões de dólares.
— Rheinmetall (alemã – não esquecer!): lucros quadruplicados.
Este é o verdadeiro “parceiro” da NATO: a indústria da guerra!
Sabem que em 2023, o número de lobistas da indústria de armamento em Bruxelas triplicou? Há mais lobistas do complexo militar-industrial do que representantes das ONG’s de direitos humanos!
E quando Macron propôs uma autonomia europeia na defesa, os EUA reagiram furiosos. Anthony Blinken veio logo dizer que isso poderia “dividir” a aliança atlântica.
Quando a Europa discutiu a criação de um exército europeu, os EUA boicotaram nos bastidores.
E agora mais um exemplo: na passada semana, Espanha disse NÃO à exigência absurda de Washington para gastar 5% do PIB em defesa.
Pedro Sánchez, com coragem, respondeu por carta:
“Esse nível de despesa é incompatível com o Estado Social. Não podemos sacrificar escolas, hospitais e justiça social para servir a indústria militar.”
E qual foi a resposta de Washington? Fúria!
A porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, disse que quem não OBEDECE “não é um aliado confiável.”. Chantagem pura e dura.
O mundo vai percebendo
Há já sinais de resistência:
A Hungria recusa-se a enviar armas para a Ucrânia.
Eslováquia suspendeu o envio de armas e exige diplomacia.
Croácia opõe-se ao envio de tropas.
Em Itália, os sindicatos e movimentos denunciam a escalada militar e exigem investimento social.
Na Alemanha e França cresce a oposição popular ao aumento sem fim dos orçamentos militares.
Porque os povos da Europa começam a perceber:
Mais armas, menos escolas.
Mais tanques, menos hospitais.
Mais guerra, menos paz.
E Portugal?
Portugal não pode ser cúmplice desta insanidade!
Portugal não pode ser armazém de mísseis!
Portugal não pode gastar 13 mil milhões por ano para alimentar a indústria da guerra!
Portugal tem de dizer não!
Não à chantagem da NATO!
Não à submissão a Washington!
Não à escalada militar!
Portugal precisa de paz, de escolas, de habitação, de justiça social — não de tanques e mísseis!
A Europa precisa de libertar-se da NATO — porque a NATO é hoje o maior obstáculo à paz, à soberania e ao progresso do continente.
Basta de guerra!
Basta de chantagem!
Por Portugal soberano, por uma Europa de paz!
A NATO não serve os povos — serve os lucros!
Portugal não pode ser cúmplice desta máquina da guerra!