Porto| Câmara promete repor árvores na zona Ramalde/Prelada até final de março

“A falta de informação prévia agravou a desconfiança e fez com que nos queixássemos à Câmara” – afirmou Jorge Silva, antigo morador da zona.
“Sem aviso prévio e sem que os moradores fossem ouvidos e tivessem conhecimento do acordo entre a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Câmara Municipal do Porto (CMP), foram cortadas sete árvores por, alegadamente porem em perigo pessoas e bens.” – explicou.
Quais eram as outras informações, além da fornecida, a que queriam ter acesso?
“Precisávamos de saber se houve avaliação independente do estado fitossanitário das árvores, se a CMP validou tecnicamente a necessidade de abate, a documentação técnica e a razão da não informação a quem aqui vive.”
“Parece-nos que, quando está em causa o património arbóreo com impacto direto na qualidade de vida da população, a transparência não pode ser opcional.” – salientou Jorge Silva.

Quem vive naquela zona queixa-se há muitos anos da VCI. E exige medidas. As árvores, não sendo a solução definitiva, têm uma influência muito grande. “Não são só paisagem, formam uma barreira natural que ajuda a mitigar o ruído e a poluição intensa.”
Históricamente, há décadas de reivindicação dos moradores por barreiras acústicas adequadas na zona Ramalde/Prelada, mas, até ao momento, não foram tomadas “medidas robustas”.
Árvores prometidas
Além do inconveniente em relação ao ruído e à poluição, as árvores protegem também a circulação, impedindo pessoas e animais de entrarem na VCI.
Para resolver a situação, os moradores deram conheciento à CMP dos seus reais receios e do perigo que correm.
“Contactamos a CMP e a Junta de Freguesia. Através da Vereadora do Ambiente, Drª. Catarina Araújo, com a intermediação a ser feita pela Junta. E a situação mexeu.”
A Câmara atendeu às queixas das pesssoas e explicou o motivo do corte de sete árvores e da poda de 41.
“A CMP informou que “exigiu à IP” a concretização de medidas de compensação ambiental, nomeadamente a plantação de novos exemplares arbóreos, assegurando a reposição e qualificação da cobertura vegetal da zona.”
A autarquia “definirá as espécies e os exemplares a plantar”, com um número mínimo igual aos abates efetuados, “até ao final de março”.
Jorge silva adianta que “os moradores estarão atentos ao cumprimento integral do IP, nas exigências plasmadas no comunicado.”
Há, então, confiança de que as promessas sejam cumpridas nos tempos propostos?
“Ficaremos muito atentos. Nunca estivemos contra intervenções por razões de segurança. Preocupa-nos a falta de informação, decisões tomadas sem transparência por parte da IP e a possibilidade de perdermos a única barreira verde que nos protege da VCI. Mas queremos acreditar nas promessas feitas“. E conclui, Jorge Silva, “atendendo à abertura demonstrada, estamos certos de que, no futuro, existirá outro cuidado para evitar o alarme que esta falta de informação gerou.”
VCI – Afinal, os moradores tinham razão
O flagelo da VCI, para quem mora nas imediações, é imenso. O trânsito permanente de todos os veículos que fazem a passagem de sul para norte da cidade, utilizam aquela via que corta o “Porto ao meio“. Ideias, projetos, soluções previstas, não têm faltado. A verdade é que pouco ou nada tem melhorado a qualidade de vida de quem ali vive.
O novo presidente da CMP prometeu desviar os veículos pesados daquela via e já cumpriu. Mas as boas intenções de Pedro Duarte não chegam para resolver o problema em definitivo. Os moradores querem mais, já apresentaram soluções há cerca de duas décadas e, parece que, afinal, serão as melhores para as pessoas e para a cidade.
“O problema é estrutural” – diz Jorge Silva, e prossegue, “o ruído é um problema antigo. Há mais de 20 anos que os moradores da zona Ramalde/Prelada reclamam soluções estruturais para diminuir o impacto da VCI. Toda a gente sabe que é uma via de tráfego intenso, há ruído constante, vibrações, poluição atmosférica e falat de barreiras acústicas eficazes.”

Surpreendentemente (ou talvez não!), é uma proposta antiga, incluia o rebaixamento da via, a ganhar novo fôlego e atualidade. Um estudo da Universidade do Porto destacou-o como mais eficaz.
Jorge Silva faz um relato vivido e conta-nos a história
“Há cerca de 20 anos que os moradores defendem o rebaixamento em determinadas zonas da VCI para uma melhor integração urbana. Isto permitiria a construção na cobertura de zonas verdes e contribuiria para uma melhor qualidade de vida, acabando com uma cidade dividida a meio. Esta proposta chegou a ser apresentada ao Secretário de Estado Adjunto, Dr. Paulo Campos.”
A verdade é que ficou na gaveta. Até que “20 anos mais tarde, um estudo da Unioversidade do Porto vem defender esta ideia, como a melhor para resolver, de facto,a situação.”
Face a isso, o que pensam, agoar os moradores?
“Congratulamo-nos com o cumprimento da promessa cumprida do Dr. Pedro Duarte que desviou a passagem de pesados, mas consideramos essa medidas insuficiente. Defendemos o mesmo que foi defendido há 20 anos e queremos ver discutido e avaliado o estudo da Universidade do Porto.”
A VCI contiua a ser um problema para Jorge Silva e para os muitos moradores de Ramalde/Prelada que começam a estar fartos de promessas, avanços e recuos. Não surpreende, pois, ter sido um dos temas mais debatidos durante a campanha eleitoral nas eleições autárquicas da cidade. Quando e de que forma serão postas “mãos à obra” é que ninguém sabe.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Vítor Lima (Fotos)