Por uma Escola que Forma Cidadãos Livres – Por Rui Miguel Ramos

O início de um novo ano letivo é sempre um momento de renovação, de esperança e de desafio. Todos os agentes escolares — professores, técnicos, auxiliares, administrativos — este é, mais do que apenas um regresso às rotinas: é o reencontro com a missão essencial que todos temo, formar alunos. Eles são a nossa matéria-prima, a razão da nossa existência, o nosso verdadeiro propósito.

Tenho uma convicção profunda: uma sociedade só evolui quando a escola é um palco principal de evolução. Nos últimos tempos, temos assistido a um ataque sem precedentes à escola, alimentado por lutas ideológicas, que as redes sociais são apenas um campo de batalha, em que soldados dos dois lados da barricada esgrimem argumentos, muitas vezes estéreis e de importância nula para os nossos alunos. Porque na verdade, os nossos alunos estão sedentos em aprender e em crescer.

Sobre a gestão do Ministro da Educação, Ciência e Ensino Superior, prefiro dar o benefício da dúvida, quero esperar para ver, creio, ou melhor, quero crer que as suas intenções e as suas palavras vêm no sentido de melhorar e dignificar não só a profissão de professor, mas também, melhorar as condições para os nossos alunos. Acredito, portanto, que é a pessoa certa no lugar certo.

Penso que está a fazer por implementar a sua visão de forma paulatina e por isso merece que o deixem trabalhar e, no fim da legislatura, ter a avaliação, pelo que a avaliação neste caso tem de ser contínua, tal como nos é exigido (e bem) fazer aos nossos alunos. Tal como temos de fazer, ao anterior Ministro que achou por bem integrar as “suas” ideologias na escola. Não significa que discorde em toda a linha da sua ação, mas aos nossos alunos é fundamental e até urgente que adquiram espírito crítico, que se ensine (com a neutralidade possível) a analisar experiências, factos, acontecimentos ou procurar informações, a fim de tirar uma conclusão e dessa forma obter a sua própria opinião.

Acredito que, a proibição do uso de telemóveis vem no sentido de libertá-los e dar- lhes mais tempo para o que realmente necessitam, tempo para brincar, sorrir, sonhar, chorar e virar-se e viver de forma mais intensa o mundo que existe à sua volta. Aliás, viver a minha infância/juventude sem telemóvel foi essencial para refinar as minhas competências sociais.

Desta forma, a escola tem, na minha opinião, um objetivo importantíssimo, até decisivo, que é preparar os nossos alunos para a vida que os espera. Por isso, é importante estimular, a exigir, a proteger e a permitir sonhar. É igualmente importante que as escolas tenham liberdade para se integrarem no ecossistema onde estão localizadas, sem estarem amarradas e terem de obedecer cegamente a diretivas que muitas vezes ignoram as realidades específicas que cada uma tem.

Não podemos pedir que ensinemos os nossos alunos a pensar e a criar o seu espírito crítico, se quem não está no terreno pouco quer saber o que pensamos. É imperativo que se permita mais autonomia às escolas, que elas sejam em primeiro lugar a base de uma localidade, que sejam participantes ativas e essenciais dessas localidades, que fiquem à margem de todas as lutas ideológicas e muitas vezes estéreis que se vão criando e que sejam o berço de seres humanos verdadeiramente livres.

Por fim, é essencial que todos os agentes da escola — docentes e não docentes — sintam que o seu papel é valorizado e reconhecido como parte integrante da melhoria contínua da escola.
Só desta forma estaremos ainda a tempo de deixar um mundo melhor para os nossos alunos. Por uma escola que forma cidadãos livres.