Ponto C recebe “nomes grandes” do espetáculos no 1º trimestre de 2026

Para o primeiro trimestre de 2026, o Ponto C apresenta 25 propostas de teatro, música, dança, stand-up, cinema e infanto-juvenil, mas também exposições, oficinas, residências artísticas e encontros com os artistas. Na rota das digressões internacionais e nacionais, de artistas de renome e companhias de referência, o Ponto C não descura o contacto com as estruturas locais nem com a comunidade, abrindo as portas à tradição, mas também aos jovens.
“À entrada em 2026, quisemos dar um cunho de continuidade, na diversidade programática e na qualidade das propostas. Sejam dança, música, teatro e pensamento, vir ao Ponto C é aproveitar momentos bem passados e também ser desafiado. Por outro lado, introduzimos algumas novidades, que ainda não tínhamos tido ocasião de programar, como stand-up, teatro no cinema e uma performance duracional, que vão, certamente, agradar a um público que tem um gosto eclético ao qual procuramos corresponder. Os temas das singularidades, do caráter cíclico da história e da saúde mental, esses, mantêm-se”, afirma Mónica Guerreiro, diretora artística do Ponto C.

O ano começa, como dita a tradição, com o Concerto de Reis, dia 10 de janeiro, pela Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins, com direção artística de António Vieira e a cantora Anabela como solista convidada.
No dia seguinte, o Encontro de Cantares de Janeiras terá lugar nas ruas de Penafiel com a participação de dezenas de grupos de cantares e coletividades penafidelenses.
Ainda nesse fim-de-semana, no âmbito do Auto dos Reis Magos na aldeia de Figueira, é remontado e apresentado o espetáculo “Estações Efémeras Penafiel”, do Leirena Teatro com a comunidade.

De volta ao Ponto C, no dia 16 de janeiro, um espetáculo de dança e vídeo que aborda as transformações causadas pelo VIH. “UNA”, com criação e interpretação de Teresa Fabião, relata uma história de resiliência com vista a combater perceções imprecisas e desconstruir preconceitos. Ao espetáculo segue-se uma conversa com Teresa Fabião, moderada pela crítica de dança Rita Xavier Monteiro.
A rapper e compositora Capicua regressa a Penafiel, dia 18 de janeiro, com “Mão Verde”, projeto que partilha com Pedro Geraldes, Francisca Cortesão e António Serginho. Ecologia, consumo consciente e agricultura são temas centrais deste projeto que convida verdes e maduros a dançar e aprender mais sobre ervas, borboletas e fruta da época. Neste concerto, além das canções mais conhecidas, serão apresentados temas inéditos do novo disco que o grupo está a preparar.
Inspirada no universo do poeta Al Berto, “Noite”, da companhia Circolando, a 24 de janeiro, propõe uma viagem em dança por diferentes dimensões: o avesso do dia, limite, desafio, superação, excesso e libertação. Num cenário com quase uma centena de pneus, criam-se espaços que acolhem náufragos e emoções, quando a noite se torna território para novas claridades.
A 30 de janeiro, a peça “Historiadores”, do Teatro do Vestido, reflete sobre a relação entre o conhecimento e os tempos que vivemos, questionando o desinteresse pela História no século XXI, a sua importância na sociedade e o retrato político que os manuais escolares oferecem. Com direção de Joana Craveiro e música ao vivo de Francisco Madureira, utiliza uma abordagem do teatro documental para explorar a conexão entre o passado e o presente.
Em fevereiro, dia 6, regressa o Ballet do Douro com “O Amor das Pedras”, um bailado de Sílvia Boga entre a literatura e o movimento. Partindo de um conto de Pedro Rodriguez Villar, vencedor do programa transfronteiriço Nortear, a peça fala sobre um amor etéreo e a força da Natureza, fundindo literatura e dança num espetáculo de grande força plástica.
“Não se pode, não se pode!”, encenação de Catarina Requeijo e produção do Teatro Nacional D. Maria II, chega ao Ponto C, dia 7, depois de uma semana a visitar as creches e IPSS do concelho. A peça conta a história de dois cães de guarda que passam o dia a patrulhar um quintal, mas se vêem obrigados a alterar as regras perante a presença de um gato vadio.
O humorista António Raminhos apresenta-se pela primeira vez no Ponto C, dia 7, com “Volto Já”, um espetáculo onde debate receios e absurdos relacionados com a finitude e procura fazer algum sentido deste mundo onde inexplicavelmente ainda não se inventou antídoto para a morte.

A digressão dos ingleses These New Puritans, os irmãos Jack e George Barnett, passa por Penafiel dia 13. Na bagagem trazem o mais recente “Crooked Wing”, álbum que consolida a reputação pela abordagem visionária e experimental que desafia a categorização. Disco após disco, têm desenvolvido um som que desafia as leis que se aplicam ao formato clássico de canção.
No âmbito do Festival Montepio Às Vezes o Amor, a 14 de fevereiro, Rui Massena apresenta a solo, ao piano, “Parent’s House”. A composição evoca um universo nostálgico e introspetivo e o pianista e compositor convida o público para uma viagem pelo seu álbum de recordações familiares, entre a memória e o futuro.
Pela primeira vez, o Ponto C recebe uma performance duracional – onde o público pode entrar e sair – de 12 horas distribuídas por dois dias, 21 e 22 de fevereiro. Com entrada gratuita, “The Complete National Anthems of the World”, de Carlos Azeredo Mesquita, reúne quase 300 hinos (de países reconhecidos pela ONU, de regiões autónomas, de organizações internacionais e até estados já extintos) cantados em gravações a cappella e acompanhados por músicos de banda filarmónica que marcham e tocam. A peça problematiza os conceitos de hino e de nação, ao mesmo tempo que ativa um sorteio de comida e bebida, cuja oferta – pão e água ou marisco e vinho do Porto vintage – espelha as desigualdades simbólicas associadas ao poder dos passaportes no mundo global.
Também a 21 e 22, “Como desenhar uma filha nua”, com texto e encenação de Jorge Palinhos para a Visões Úteis, inspira-se nos clubes de leitura, no ato profissional de ler relatórios em grupo e na fronteira ténue entre factos e perceções. Uma peça teatral interativa que explora as possibilidades da comunicação, da leitura em voz alta e do design como ferramentas de expressão.
No final do mês, dia 27, o Conservatório de Dança do Vale do Sousa apresenta “Matilda” com direção de Margarida Garcez. Um musical baseado no livro com o mesmo nome, de Roald Dahl, conta a história de uma menina brilhante e cheia de imaginação, mas negligenciada pelos pais. Com a sua inteligência e poderes magníficos, desafia as injustiças e descobre que a verdadeira força está dentro de nós, transformando o seu destino e o de quem a rodeia.

Do dramaturgo e encenador congolês Dieudonné Niangouna, traduzida pela poeta Regina Guimarães, “Kung-Fu”, da Público Reservado, apresenta-se no Cinemax de Penafial, dias 28 de fevereiro e 1 de março, com entrada gratuita. Em cena, um ator discorre sobre o amor obsessivo pela arte marcial que conheceu através dos filmes de kung-fu.
A 6 de março, da companhia Teatro Meia Volta… chega “Empregos Modernos”, com texto de Chris Thorpe. Através de um coro de trabalhadores, a peça discute as formas contemporâneas de trabalho e as relações de poder que delas resultam, e que acabam por gerar hierarquias específicas e distintas entre cidadãos. Embora fonte de riqueza e reconhecimento, o trabalho é também o centro de tensões e desigualdades sociais.
No dia seguinte, OHME Sessions #2, com curadoria de Puro L, em parceria com a Associação 140. A Casa da Caturrra continua a mostrar representantes da música urbana em Penafiel. Nesta segunda sessão os convidados são Each1 (Rui Peres), Gabi (Gabriela Lima), Godzi e Liga Multiversus.
De Paredes, os Regressados de Fresco voltam a juntar-se para uma noite de festa no Ponto C, dia 13. Ao vivo, a banda vai revisitar clássicos do rock das últimas décadas, de autores como Elvis Presley, Moody Blues, John Lennon, Frank Sinatra, António Variações, Vitorino e Resistência. Uma celebração da música que resistiu ao tempo, das vozes que ecoam na memória coletiva e das melodias que continuam a fazer parte da história.
A 14 de março, a Orquestra Sem Fronteiras, sob direção musical de Martim Sousa Tavares, apresenta “Speak Low”. Um concerto encenado ou uma peça de teatro com canções, este espetáculo centra-se na figura e no tempo de Kurt Weill – e no seu percurso ao mesmo tempo trágico e fascinante. Contado e cantado pela atriz Catarina Wallenstein, conta com projeção filmográfica e música ao vivo, incluindo uma dúzia de temas do cancioneiro do compositor alemão.
Para todas as idades, entre 20 e 23, “As árvores não têm pernas para andar” e “Pássaros & Cogumelos”, de Joana Gama. A partir do momento em que são semeadas, as árvores permanecem sempre no mesmo sítio, a partir do qual se alimentam, se defendem e se reproduzem. Da ligação entre o céu e a terra, entre o visível e o imenso invisível, pode-se falar de assuntos tão diversos como amizade, ajuda, comida, música, curiosidade, vento ou roubos que dão frutos. Nestas peças, a pianista conta histórias sobre o mundo maravilhoso das árvores, dos pássaros e dos cogumelos com a ajuda de um pequeno grande instrumento: o toy piano. No final de cada sessão haverá encontro e oficina informal de ilustração com a compositora e autora Joana Gama.
No dia 21, a coreógrafa cubana Sandra Ramy apresenta “A Sagração da Primavera”, a partir da obra de Nijinsky, de 1913. Um solo para um bailarino cuja imagem aparece multiplicada por nove espelhos, estabelece um cruzamento entre o individual e o coletivo. Com música de Stravinsky, a peça conjuga encenação com um piano tocado ao vivo a quatro mãos. O programa completa-se com a projeção da curta-metragem “La Valse”, de João Botelho, produção da Companhia Nacional de Bailado com coreografia de Paulo Ribeiro.
A 27 de março, um espetáculo sobre a memória e a sua ausência. “Brancas Memórias”, da Astro Fingido, partilha a perspetiva do ator que vive a angústia perante uma ‘branca’, o medo de não conseguir memorizar um texto e a realidade da perda de memória na terceira idade. Com testemunhos de atrizes, partilham-se experiências pessoais de esquecimento e convida-se a uma reflexão profunda sobre as “doenças do esquecimento” e o seu impacto.
Convidado para uma Residência Artística em diálogo com o património, Manel Cruz apresenta no Ponto C o resultado de dias de trabalho em equipa. Propondo-se a introduzir desafios ao espetáculo a solo “Cru”, pretende dar-lhe um novo tempero. Além do concerto, marcado para 2 de abril, haverá lugar a um encontro com o músico, dia 30 de março, moderado pelo arquiteto Nuno Melo Sousa.
Exposições de fotografia e pintura
Mantém-se patente a exposição “Punctum – o jazz em palco”, de Márcia Lessa, com imagens de concertos. Inspirado no conceito do livro “Câmara Clara” de Roland Barthes, o título remete ao punctum: o detalhe que nos “atinge”, “fere” ou “toca” a um nível profundo e intensamente pessoal. Para ver, nos átrios do Ponto C, até dia 14 de fevereiro.
A 6 de março inaugura a exposição “Sargaceiros – Entre o Mar e a Terra”, da penafidelense Carla Anjos. Pinturas que retratam a vida e o trabalho dos sargaceiros da Apúlia e de Carreço de Viana do Castelo, figuras emblemáticas da costa portuguesa. Em cada obra, a artista captura o ritmo do trabalho, a dureza da faina e a beleza das paisagens atlânticas.
Oficinas de dança, fotografia e saúde
O estímulo da criatividade é um dos propósitos do serviço de comunidade e, desde que abriu as portas, o Ponto C tem uma oferta formativa variada, de proximidade e gratuita. Oficinas pontuais ou continuadas, ensaios orientados por profissionais, sessões de formação teóricas e práticas. Os interessados devem inscrever-se através do mail info@pontocpenafiel.pt.
Em janeiro, dia 18, realiza-se uma Oficina de Fotografia com Márcia Lessa. A partir da sua exposição patente no Ponto C, dará uma formação teórico-prática em fotografia de cena, abordando as particularidades e condições de realização, especialmente nos eventos ao vivo, com e sem público. Não é requerida experiência prévia e cada participante deve trazer o seu próprio material (uma câmara que funcione em modo manual – telemóveis não são aceites).
A 22 de janeiro realiza-se a Oficina de Dança com André Braga, da companhia Circolando. Convida-se cada participante (estudante ou profissional das artes performativas) a encontrar o seu imaginário, através da descoberta do prazer da dança, na relação com o espaço, o chão, o outro, os objetos e as memórias sensoriais.
A 27 de março, uma Oficina de Saúde, destinada a cuidadores informais de pessoas com Alzheimer. A iniciativa inclui conselhos sobre práticas de autocuidado e estratégias para prevenir burnout, bem como momentos de diálogo aberto para troca de experiências e construção de redes de suporte, combinando apresentação de conteúdos, exercícios práticos e momentos de conversa e escuta ativa, essenciais para valorizar o papel do cuidador e dar-lhe voz.
Os bilhetes para os espetáculos estão à venda na bilheteira do Ponto C, de terça a sábado entre as 13h30 e as 18h30; e on-line (https://pontocpenafiel.bol.pt/).