Plano Estratégico 2025-2030 da Fundação ”la Caixa” foca investimento social e científico

A Fundação ”la Caixa” apresentou em Barcelona o seu Plano Estratégico para o período 2025-2030, uma iniciativa que visa promover a transformação social e responder aos desafios emergentes da sociedade. O plano, que se baseia no lema «Acreditar para transformar», define como missão contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, com maior oportunidade para as pessoas mais necessitadas.

A previsão financeira aponta para um investimento superior a 4.000 milhões de euros no período, com um orçamento anual que crescerá progressivamente até atingir os 800 milhões de euros em 2030. Em 2025, o orçamento disponível já atinge os 655 milhões de euros, valor que representa o maior da história da Fundação.
O plano organiza a sua intervenção em três grandes áreas estratégicas: social, investigação, bolsas e cultura. A componente social deverá receber entre 55% a 65% do orçamento anual, o que corresponde a cerca de 60% do total previsto. A investigação e as bolsas de estudo terão um peso de 15% a 25%, enquanto a cultura absorverá entre 15% e 20% dos recursos.

O presidente da Fundação, Isidro Fainé, sublinhou que “a Fundação sempre foi uma entidade independente e que se posicionou da mesma forma: mantendo-se fiel aos seus princípios e à sua vocação de serviço à sociedade e às pessoas em situação de maior vulnerabilidade. O novo Plano Estratégico inspira-se nesta mesma essência e adapta-a aos desafios e necessidades do nosso tempo”.
Fainé acrescentou ainda que “o plano traça o quadro de atuação para que a Fundação e a CriteriaCaixa operem de forma coerente e coordenada para alcançar o seu objetivo comum: o cuidado e o desenvolvimento da sua obra social através da gestão adequada do seu património”.
No eixo social, o plano contempla medidas para combater a pobreza e a exclusão, com especial ênfase na pobreza infantil, através do programa CaixaProinfância, que apoiou até hoje cerca de 400.000 crianças e adolescentes em risco. Este programa está presente em todas as províncias espanholas e em Portugal.
A Fundação mantém também centros de proximidade, como a Fundación de la Esperanza em Barcelona e o EspaiCaixa Francesc d’Assís em Manresa, destinados a prestar cuidados e apoio direto. A educação é vista como essencial para o combate à pobreza, sendo impulsionados programas como o ProFuturo e o EduCaixa, focados na formação de docentes e equipas pedagógicas.

No domínio da integração sociolaboral, o programa Incorpora envolve uma rede de quase 100.000 empresas colaboradoras e permitiu a concretização de quase 450.000 contratos de trabalho. Este programa promove ainda o empreendedorismo através da linha de auto-ocupação, bem como a reinserção social e laboral de pessoas privadas de liberdade via o programa Reincorpora.
Outra linha de atuação social é a humanização da saúde, desenvolvida pelo programa de Apoio Integral a Pessoas com Doenças Avançadas, que dispõe atualmente de 76 equipas com mais de 320 profissionais, presentes em 173 hospitais nas diferentes comunidades autónomas de Espanha e também em Portugal.

A Fundação atua ainda como organismo intermédio do Fundo Social Europeu Plus, desenvolvendo os programas “Mais Infância”, “Mais Emprego” e “Mais Emprego Jovem”. A cooperação internacional também está presente, com projetos em África, Ásia e América Latina, entre os quais o Child Survival, a aliança para a vacinação infantil com a GAVI e o programa Work4Progress.
Anualmente, a Fundação financia mais de 1.600 projectos sociais em Espanha e Portugal, abrangendo ainda concursos como o Promove para zonas do interior fronteiriças em Portugal, e os Prémios BPI Fundação ”la Caixa”.
No domínio da investigação e bolsas, o Plano Estratégico propõe a construção do CaixaResearch Institute, o primeiro grande centro europeu dedicado à imunologia, situado em Barcelona, cuja inauguração do primeiro bloco está prevista para o final de 2025. Este centro terá um investimento da ordem dos 100 milhões de euros.
O ecossistema científico da Fundação inclui ainda centros como IrsiCaixa, ISGlobal, VHIO, BBRC, IRSJD e o Gulbenkian Institute for Molecular Medicine em Portugal. A Fundação procura fomentar a cooperação entre estes centros para potenciar sinergias.
Desde 1982, o programa de bolsas tem apoiado a formação académica em todas as etapas do ensino superior. Paralelamente, os Concursos de Investigação em Saúde incentivam projetos que ligam a investigação ao desenvolvimento de novos produtos, serviços e empresas nas áreas biomédicas e tecnológicas, tendo sido apoiados 200 projectos e registadas 128 patentes até ao momento.
Na área da cultura, o plano destaca a promoção da cultura como motor de transformação social, através da rede CaixaForum presente em 9 cidades espanholas, que em 2024 recebeu mais de 3 milhões de visitantes. O CosmoCaixa, um dos principais museus de ciência europeus, registou no último ano mais de 1 milhão de visitantes.
A cultura digital é representada pela plataforma CaixaForum+, que oferece conteúdos culturais e científicos com cerca de 270.000 subscritores e mais de 1.700 conteúdos.
O plano inclui ainda a conclusão de equipamentos estruturantes como o CaixaForum Málaga (com investimento previsto de 30 milhões de euros e abertura em 2027), o CaixaForum Tenerife, o ArtStudio CaixaForum Collection (com investimento de 12 milhões de euros) e o TUMO Bilbao-Bizkaia, dedicado à aprendizagem de competências STEAM para adolescentes, cuja abertura está prevista para 2026.
Entre as novas linhas de intervenção, a Fundação inclui a sustentabilidade ambiental como eixo transversal, a saúde mental, um problema crescente que afeta a qualidade de vida, e a longevidade, focando a melhoria da qualidade de vida e a redução das desigualdades no envelhecimento.
No plano internacional, a Fundação pretende reforçar a sua influência na Europa, colaborar com outras fundações para responder a desafios globais e expandir a sua presença para partilhar conhecimentos e melhores práticas.
O Plano Estratégico baseia-se em quatro valores fundamentais: responsabilidade, integridade, transparência e compromisso social.
Por fim, o plano reforça a relação entre a Fundação ”la Caixa” e a CriteriaCaixa, sublinhando que a obra social da Fundação depende da gestão eficiente e transparente dos recursos provenientes dos investimentos da CriteriaCaixa. O plano estabelece ainda a necessidade de uma governança partilhada e a coordenação entre ambas as entidades para o desenvolvimento sustentável da obra social.
OC/RPC