Pedro Delille renuncia – Sócrates com advogado oficioso na Operação Marquês

A informação foi confirmada aos jornalistas por fonte do Tribunal Central Criminal de Lisboa, que precisou que a renúncia deu entrada esta manhã.
No requerimento remetido ao tribunal, a que a Lusa teve acesso, Pedro Delille fala num “simulacro de julgamento” e justifica a renúncia com “razões deontológicas”, depois de, na semanada passada, o coletivo de juízes ter decidido reportar à Ordem dos Advogados a conduta profissional do causídico, por este ter presumido que a sessão iria começar mais tarde e ter chegado atrasado.
“Fiquei definitiva e absolutamente convencido, após o episódio da passada quinta-feira, que soma a tudo o resto oportunamente denunciado, de que continuar neste julgamento violenta em termos insuportáveis a minha consciência como advogado e a ética que me imponho, a minha independência, integridade e dignidade profissional e pessoal”, sustenta.
“Repudio e recuso participar e validar, um minuto mais que seja, neste simulacro de julgamento, neste ‘julgamento a brincar'”, conclui.
Pedro Delille representava José Sócrates sensivelmente desde que o antigo primeiro-ministro (2005-2011) foi detido no aeroporto de Lisboa, em novembro de 2014.
Para representar o ex-governante foi nomeado o advogado oficioso José Ramos, que, na sua primeira intervenção na audiência de hoje, pediu 48 horas para consultar o processo.
O requerimento foi rejeitado pela presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, com o argumento de que a Operação Marquês é um processo urgente e de que o prazo seria “manifestamente insuficiente” para ficar a conhecer os autos.
A juíza ordenou ainda uma nova comunicação à Ordem dos Advogados em relação a Pedro Delille, por considerar que o seu comportamento “é suscetível de ofender os princípios de urbanidade” estabelecidos no estatuto profissional dos advogados.
A magistrada determinou também que José Sócrates seja informado da renúncia do seu mandatário.
Nem Pedro Delille nem José Sócrates compareceram hoje no Campus de Justiça de Lisboa, onde está instalado o Tribunal Central Criminal de Lisboa.
José Sócrates: “Se fosse a mãe de um deles…”
José Sócrates compreende a situação, elogiou a conduta de Dellile e confirmou “o Tribunal tem um comportamento que diz tudo. Para a senhora juíza a defesa não conta.
“Lamento termos chegado a esta situação. O meu advogado é completamente inocente. Fui eu quem lhe pediu. A minha mãe tem 94 anos, não foi nenhuma brincadeira. Ela tem vontade de depor , mas o médico aconselheu-a a não ir. Se fosse a mãe de qualquer um deles, podia faltar, mas como é a mãe do Sócrates, não tem qualquer direito” – disse José Sócrates, esta manhã, aos jornalistas.