O voto é inalienável; Hitler foi eleito, não esqueçam… – Por Amaro F. Correia

O Porto está na moda! São cada vez mais os turistas que se deixam deslumbrar pela cidade e ficam rendidos à típica pronúncia do Norte. Trocar os “v” pelos “b” já é uma tradição, mas as peculiaridades da minha cidade não ficam por aqui. O Porto “vai ficar fino como um alho”, no próximo domingo.

Vamos “amassar” o passado. O poder do voto, na minha cidade, tem um simbolismo histórico . Por isso, apesar dos tempos, já me fui habituando aos “TIKtokeiros” a “andar à gosma” na forma de estar, ao mudar no alinhamento partidário ou, mesmo, mudar de partido, por interesses ou cargos pessoais. É “cor de burro quando foge” pois confesso que hoje, é maior o número de desesperados mentais, políticos, que procuram cargos, ávidos de poder e dinheiro, na FP. Fizeram mal? Não sei responder. Sinceramente, nunca me sujeitaria. Não sou fiel a qualquer partido muito menos a líderes, mas sim, a uma ideologia, a social democracia que desde que me conheço me fez acreditar que seria a que se encaixava melhor na nossa vida, em Portugal.

Admirei líderes como Sá Carneiro; Mário Soares; J.C. Junker, Obama e alguns mais, mas continuo a acreditar na bondade das escolhas ideológicas. Às vezes, discordo, mas não fratura. O meu voto, na minha cidade, não segue cartilhas, nem “engrupir” muitos menos protótipos inventados, mas na capacidade das propostas que me apresentam e aqui, a desilusão foi maior, porque acreditava que o líder social democrata escolheria alguém com perfil diferenciado, mas não. O desespero do atual representante que só pode “estar a falar para a Sacor”, fala em tudo, menos no que deve. Fala na recuperação financeira do RR na CMP, quando desconhece a verdade; fala da regionalização quando já existe; fala nas torres quando o seu partido não posição; fala no metrobus quando é cúmplice no seu Governo; fala em tudo o que a espuma política dos dias, lhe traz, tal e qual o Chega.

Sinceramente, espero que “dê corda aos vitorinos” do Porto. E por fim, propõe com desplante, em cima da mesa, uma coligação com o Chega. Cheira-me a “Gangada”. É desespero, é tontice, é falta de jeito, é de tudo um pouco. A minha cidade merece uma liderança forte que já não tem, há 24 anos. O líder, mesmo jovem, deve ter cuidado nas palavras e perceber que a cidade estagnou em várias áreas, há 24 anos. O essencial, foi deixado para trás.

Mobilidade? Nenhum projeto de mobilidade futuro; Ambiente: um desastre completo e insistente; (até arvores cortam); Economia: o vereador fugiu antes que fosse tarde; o turismo tem valido sem grande esforço, da “costureira”; ação social continua a não privilegiar contactos de rua, com os sem abrigo; O que foi feito tem um custo alienável ao AdN/Porto: A cidade perdeu a identidade; o Terminal intermodal é próprio de uma cidade pequena, sem dimensão; Bolhão estava a cair…ou fechava…ou recuperava com os fins à vista; a cidade tem um descontrole de al’s brutal; a população que entrou, é média alta e não fixa; não existem habitações públicas e/ou associativas na cidade; O turismo vai abrandar e com isso, o ciclo pode inverter-se; a circunvalação nem sequer gera contexto politico; a VCI é para portajar, um disparate e tantas mais coisas.

Na verdade, o custo de um Presidente da CMP, nos dias de hoje, em mandatos de 12 anos, vale mais de 1 milhão de euros. Já pensaram nisto?

Sugiro a todos que leiam programas e decidam em função dos mesmos. Felizmente, não tenho partido, porque me liberta as amarras para pensar. Hipotequei uma carreira, dirão alguns, mas são as escolhas que a vida e a família me ensinou. Um princípio inalienável que a liberdade me proporciona e nunca abdicarei.

Estamos próximos de dois atos eleitorais, importantes, mas diferentes: as autárquicas/presidenciais. Confesso, a felicidade pela minha cidade, em me ver “livre” do pegajoso que sucedeu ao anterior, por imposição deste, ao seu partido, nunca o assumindo o seu interesse em descartar candidato legitimo do PSD, que mudaria o paradigma do Porto e da AMP.

Confesso o meu espanto no General (que não é sem medo) na escolha de um defunto, tentando exuma-lo das catacumbas do Agramonte. Por isso, não terá o meu voto e de milhares. É pena porque deveria escolher em função do futuro. Chamo a vossa atenção para a história, porque Hitler não ganhou eleições, propondo campos de concentração e crematórios. A origem do holocausto esteve nos discursos inflamados contra minorias, judeus, feministas, homossexuais, imigrantes, a imprensa e a Liga das Nações; responsabilização dos estrangeiros pelo declínio social/económico; acusações dos mesmos pelo desemprego, insegurança e decadência; discursos dominados pelo ódio, teatralização e mobilização das emoções negativas; Desacreditar tudo o que era ligado às Cultura; Sociais-democratas e comunistas reprimidos e presos; criaram a ideia de grupos a viver à custa do Estado e que era a “bandalheira”; evocavam décadas de corrupção e declínio; criavam sensações de urgência para reformar, entre muito mais. Não esquecer, que o pressuposto assentou sempre na tradição familiar, nacionalismo de forma a criação de um ideário fechado e conservador.

Os comícios estão cheios de slogans patrióticos, num discurso que recorria ao medo de insegurança social, o risco de desordem e o aumento do crime. Os jornalistas eram presos e torturados. Penso que me resta perguntar: depois da descrição alguém quer voltar para trás? Holocausto nazi deveria ter deixado na humanidade um rasto de alerta permanente: nunca mais deve ser permitida a desumanização de povos; não tolerar ideologias que justifiquem violências e exclusão.

Só isto basta para nos alertar contra extremismos. Não sou um “Narizinho de cheiro” mas preocupa-me o nosso futuro e nas novas gerações. Vivam em Liberdade. Votem e usem o voto para exigir dos políticos