O último adeus ao Capitão

A manhã desta quinta-feira, 7 de agosto, ficará para sempre marcada na memória dos portistas e de todos os amantes do futebol nacional. Pelas 10h30, na Igreja de Cristo Rei, no Porto, realizou-se o funeral de Jorge Costa, o eterno capitão dos dragões que nos deixou de forma súbita aos 53 anos, vítima de paragem cardiorrespiratória.

Uma despedida à altura de um gigante
O ambiente dentro da igreja refletia a dimensão humana de quem foi muito mais do que um simples jogador de futebol. A primeira figura de relevo a chegar ao local era o presidente do FC Porto, André Villas-Boas, seguido de uma procissão de personalidades que fizeram questão de prestar a última homenagem ao homem que dedicou a vida ao clube do coração.

Entre os rostos conhecidos que se juntaram à família Costa, destacaram-se Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, acompanhado pelos vice-presidentes Domingos Paciência e Daniel Carriço. A presença de Domingos Paciência foi particularmente tocante, num momento de particular emoção para quem era amigo do antigo capitão.

O mundo do futebol português esteve representado nas suas mais altas instâncias, com Fernando Gomes, presidente do Comitê Olímpico de Portugal, marcando também presença numa cerimónia que transcendeu rivalidades e cores clubísticas.

Companheiros de batalha não faltaram
Os bancos da igreja encheram-se de rostos familiares que partilharam balneários e glórias com Jorge Costa. Ex-companheiros de equipa, como Rui Barros, Derlei, Maniche e Bruno Alves, estiveram presentes para dizer adeus ao amigo e líder que os guiou em tantas batalhas épicas.

Cada olhar, cada gesto, cada lágrima contida na igreja contavam a história de um homem que soube conquistar o respeito dentro e fora dos relvados. O plantel atual do FC Porto também marcou presença, numa demonstração de que o legado de Jorge Costa continua vivo no coração do clube.

O reconhecimento universal
Numa prova da estatura de Jorge Costa enquanto figura do desporto nacional, representantes do Sport Lisboa e Benfica estiveram presentes, com Nuno Magalhães a transmitir “os sentimentos e a impossibilidade do presidente do Benfica estar presente, como era sua vontade“. As suas palavras ecoaram o sentimento geral: “Jorge Costa era uma figura unânime, não apenas como jogador, mas como homem“.

Esta unanimidade no reconhecimento da figura de Jorge Costa demonstra como o desporto, nas suas expressões mais puras, consegue unir pessoas além das paixões clubísticas. O capitão dos dragões conquistou o respeito de todos, mesmo dos adversários históricos.

Uma vida dedicada ao futebol
Jorge Costa não foi apenas um defesa-central de exceção que conquistou oito campeonatos, uma Liga dos Campeões e uma Intercontinental com a camisola do FC Porto. Foi um homem que dedicou toda a sua vida ao futebol, primeiro como jogador, depois como dirigente, sempre com a mesma paixão e entrega que o caracterizaram em campo.

Em 383 jogos oficiais pelos ‘dragões’, Jorge Costa escreveu páginas douradas da história portista, mas o seu legado vai muito além dos números e dos troféus. Foi um verdadeiro líder, um exemplo de dedicação e um homem de valores que soube transmitir a sua paixão pelo clube a várias gerações.

O legado eterno do Capitão
Após a cerimónia religiosa, o corpo foi sepultado no cemitério de Agramonte, mas a memória de Jorge Costa permanecerá para sempre viva no coração de todos os que o conheceram e admiraram.

Como reconheceu o próprio FC Porto, “cabe a cada um de nós a missão de honrar o seu legado e, aos portistas, fazer cumprir o destino deste Clube“. Palavras que ecoam o espírito de um homem que nunca deixou de acreditar no projeto azul e branco.

A missa de sétimo dia está agendada para as 19h00 da próxima terça-feira, dia 12 de agosto, no mesmo local, numa última oportunidade para os que não puderam estar presentes hoje prestarem a sua homenagem ao eterno capitão.

Jorge Costa partiu, mas o seu exemplo, a sua garra e o seu amor incondicional pelo FC Porto continuarão a inspirar futuras gerações. Hoje, o Porto chorou, mas também celebrou a vida de um verdadeiro gigante do futebol português. Obrigado, Capitão. Para sempre!
VÍTOR LIMA (texto e fotos)