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Quinta-feira, Maio 23, 2024

O Sonho e o Sono – Por António Ferro

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Abri a boca vagamente para alforrar um pequeno exíguo e o sonho tomou posse de mim. O sono sentiu-se acometido pelo sonho e tentou resistir-lhe:
– Porque tens que andar sempre atrás de mim?
– Não costumo andar atrás de ti. Já reparaste no universo de pessoas que sonham acordadas e que carecem dos teus serviços?
– Pois! Pois! Se eu não lhes desse um descanso diário de seis ou sete horas, imagina a resultância, depois de três ou quatro dias sem recorrerem aos meus serviços.
Tinham umas olheiras do porte da cara!
– Tens razão, mas se eu não proporcionasse lindos sonhos, imagina o tédio de acordar todos os dias sem nada para propalar…
– Já agora, explica-me, porque amedrontas tanto as pessoas com determinados sonhos?
– Sabes? Muitas vezes alguns dos sonhos que eu proporciono são ideias bem escondidas nas cabeças das pessoas, são desejos por cumprir e algumas ideias malucas tais como morrer, matar e ser morto, como nas brincadeiras dos cowboys.
Mas quando pressinto que alguém está numa situação de grande afilamento, retiro-me e deixo-os acordar.
– E eu dou-lhes mais uns minutos de sono…
– Já sei! Para boicotares o meu trabalho e a pessoa esquecer o sonho…
– Claro! Que interesse têm os sonhos com mortes, quedas e precipícios?
– Algumas vezes, são fases de crescimento e a morte não é assim tão malevolente…
Podemos morrer para as conjunturas que queremos modificar em nós e nascer para interesses melhores. Quando as plantas morrem, outras vão ocupar o seu lugar e o dia quando morre dá lugar à noite e espera pelo amanhecer para nascer novamente.
– E as pessoas? Também esperam pelo amanhecer para viverem outra vida?
– Sabes, a tua conversa já começa a dar-me sono… E além disso, o meu espírito está pronto para viajar na barca dos sonhos e ser livre para experimentar o que o desejo e a oportunidade lhe deferirem.



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