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Quinta-feira, Maio 23, 2024

O Sentido das Coisas

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O nascimento é um processo de desocultação. É assim no reino vegetal: a semente é lançada à terra, fria e escura. Paulatinamente, germina e a planta começa a “ver” a luz do sol. Também é assim no reino animal. O processo de nascimento enquanto desocultação parece ser comum aos diversos reinos: o vegetal e o animal.

À semelhança do nascimento biológico, também a atividade cognitiva parece obedecer a este processo de desocultação. O que é pensar ou conhecer? É encontrar a lógica intrínseca das coisas. É sair da penumbra ou da escuridão, é clarificar, tornar claro como a luz do dia.
Tudo o que existe, todas as coisas têm uma lógica intrínseca. Por vezes, essa lógica parece ocultar-se ao nosso entendimento. No entanto, mesmo o que parece ser destituído de sentido e de coerência tem um fundamento racional. Reproduzo, neste contexto, a máxima hegeliana segundo o qual “todo o real é racional e todo o racional é real“.

Mas, o que é a lógica? Quais os seus princípios ou leis?
A palavra lógica (de “logos”) pode assumir sentidos diversos. Enquanto disciplina filosófica, a lógica pode ser definida como uma ciência que tem por objeto o estudo da razão, entendida como pensamento e como palavra, tendo em vista a determinação das suas formas e das suas leis.

São três, os princípios lógicos do pensamento (e da realidade).
Um desses princípios é o princípio da identidade. Este princípio tem duas formulações, uma formulação ontológica e outra lógica. Do ponto de vista lógico, o princípio da identidade pode ser formulado do seguinte modo: “uma mesma proposição não pode ser simultaneamente verdadeira e falsa”.

Um outro princípio da lógica é o princípio da (não) contradição e pode ser formulado do seguinte modo: “duas proposições contraditórias não podem ser simultaneamente ambas verdadeiras ou ambas falsas”. Do ponto de vista ontológico, o princípio da não contradição significa que “coisa alguma pode ser e não ser ao mesmo tempo”.

O último princípio (se não considerarmos o da razão suficiente) é o princípio do terceiro excluído. Este princípio significa que “entre a afirmação e a negação não pode haver meio-termo”; ou seja, “de duas proposições contraditórias, se uma for verdadeira, a outra é falsa e vice-versa”.

Obedecendo a estes princípios lógicos, toda a realidade tende com o tempo a sair da penumbra e a encontrar a luz da razão e a claridade dos dias. Foi assim com o vento, que outrora se explicava mediante a intervenção de forças sobrenaturais, como o deus Éolo. Assim foi também com o trovão, com a chuva e com todos os fenómenos naturais.

A história da humanidade tem consistido, pois, num processo de “nascimento”, ou seja, de desocultação. Numa perpétua batalha entre luz e sombras, a história da humanidade tem consistido na ampliação contínua e gradual do território iluminado do conhecimento.

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