O Segredo da Alegria

Na cidade de Risóliz, onde os sorrisos nunca se apagavam, viviam dois palhaços muito diferentes. Nico, o palhaço famoso, que era dono de um grande circo e tinha as roupas mais brilhantes, sapatos enormes e um nariz vermelho que brilhava como uma estrela. Ele morava numa casa colorida e cheia de brinquedos.
Já Nobre, o outro palhaço, não tinha circo nem roupas novas. O seu nariz era um simples botão vermelho, e os
seus sapatos tinham tantos furos que faziam barulho ao andar. Ele morava num barraco pequeno à beira do rio e passava os dias a alegrar as crianças nos parques infantis ou nos jardins da cidade.
Um dia, o grande circo do Nico (o palhaço rico), chegou à cidade de Risóliz, após ter andado a dar espectáculos por outras cidades vizinhas, com o seu circo. O espetáculo era um sucesso! O público ria, batia palmas e saía feliz. Mas, ao sair do circo dele, muitas crianças corriam para o parque, e ou o jardim, onde Nobre estivesse a fazer as suas mágicas com pedras e folhas secas. Mesmo sem malabarismos brilhantes ou truques grandiosos, as crianças gargalhavam como nunca.
Nico, curioso, foi ver o que acontecia… Ficou a observar Nobre de longe e pensou:
— Como é possível um palhaço sem circo fazer tanta gente sorrir?
Naquela noite, Nico não conseguiu dormir. E, no dia seguinte, resolveu convidar Nobre para um café.
— Nobre, diz-me lá qual é o teu segredo? Como consegues fazer todos sorrirem sem teres nada?
Nobre sorriu e respondeu:
— Ah, Nico, tu tens tudo o que um palhaço sonha! Mas será que tens o mais importante?
— E o que seria isso? Perguntou Nico, confuso.
Nobre pegou numa pedra lisa do chão, girou-a entre os dedos e disse:
— A verdadeira alegria não está no brilho das roupas ou no tamanho do circo. A felicidade mora dentro do coração!
Nico ficou pensativo. Ele sempre achou que a alegria vinha das coisas que possuía. Mas agora via que Nobre, mesmo sem riquezas, tinha algo que ele não tinha: uma alegria sincera e verdadeira.
Para entender melhor, Nico propôs um desafio:
— Vamos trocar de lugares por um dia! Tu serás o palhaço rico no meu circo, e eu serei o palhaço do parque.
Nobre aceitou e, naquela noite, vestiu a roupa brilhante de Nico e subiu ao palco. Mas algo estranho aconteceu: ele não conseguia fazer as pessoas sorrirem. Sentia-se desconfortável com tantas luzes e regras. O espetáculo, apesar de bonito, parecia vazio para ele.
Enquanto isso, Nico, vestido com roupas velhas, foi para o parque infantil e tentou entreter as crianças. No início, achou difícil, pois não tinha os truques do seu circo, que já estava habituado. Entretanto lembrou-se do que Nobre disse: “A alegria mora dentro do coração.”
Em vez de usar truques ou objetos caros, Nico começou a brincar, como fazia quando era criança. Ele saltava, contava piadas inocentes, fazia caretas e até fingia que uma folha era um avião. As crianças riam tanto que até caíam ao chão de propósito!
À noite, os dois palhaços encontraram-se novamente.
— E então, Nico? O que achaste? Perguntou Nobre (o palhaço pobre).
— Eu aprendi uma grande lição! Respondeu Nico, sorrindo. — A felicidade não precisa de riqueza. Ela mora nas coisas simples!
A partir desse dia, Nico mudou o seu circo. Ele abriu as portas para todas as crianças, até as que não podiam pagar. Misturou truques grandiosos com brincadeiras simples e ensinou aos seus artistas a sorrirem sem motivos.
Nobre, por sua vez, continuou a alegrar as ruas, parques infantis, jardins, mas agora sabia que não estava sozinho.
E assim, os dois palhaços, tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos, mostraram ao mundo que a felicidade não tem preço, nem dono, nem um lugar certo para morar.
E tu? Já descobriste onde a tua alegria mora?
NIKITA