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Domingo, Fevereiro 25, 2024

O Natal do Menino Azul – Por António Ferro

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O menino azul é apenas azul por dentro, daí não ser agradecido, reconhecido e compreendido pelos outros.

Para o menino azul, o Natal tem pouca aceção…

O ano passado, a professora pediu à mãe do menino azul para o trazer vestido de vermelho no dia da Festa de Natal da escola. A mãe assim fez e, quando estava a encaminhar o menino azul para perto do palco, foi barrada e vetada por outra professora desconhecida da mãe…

– O … não entra!

Na cabeça da mãe colocou-se o quesito: Não entra, porquê?…

O que terá reflexionado o menino azul que ouviu a frase da professora e que não assimilou a razão da sua exclusão… E que, infelizmente, ainda não consegue traduzir os seus pensamentos e emoções pela via oral.

O menino azul viu os seus colegas de turma encaminharem-se para a escada de acesso ao palco, mas ele não se podia ajuntar a eles.

O “pai” de coração, agilizou-se a levá-lo para o recreio para o tentar espairecer.

E, celeremente, abandonaram a escola.

Nos dias que se seguiram, sempre ao final da tarde, o menino azul entrava em crise!

Essa crise levava-o a bater com a mão com violência no rosto e a morder os dedos da mão, quase até sangrar… Felizmente que o “pai” foi procurar a viola, deitou-a em cima da cama e bateu nas cordas, desviando o foco do menino azul. Durante quatro dias, foi o recurso e a
solução para as crises!

O Pai Natal presenteou com uma viola o menino azul que, muitas vezes, dorme junto a ela e à gata multicolor. Felizmente que o Pai Natal trouxe outra prenda – uma nova escola!

No outro dia, o “pai” do menino azul passou na antiga escola e reparou na tabuleta onde estava escrito – Inclusão! Ao chegar a casa, não resistiu e foi consultar o dicionário, não fosse a palavra ter mudado de significado…

P.S.: Curiosamente, a escola tinha um professor de ensino especial que, depois de ter batido e ter forçado o menino azul a comer “massinhas” na sopa que ele apenas estava habituado a comer passada e de certa cor, teve a coragem de confessar à mãe do menino
azul que de autismo, ele sabia muito pouco…

O “pai” ainda foi, apressadamente, a casa buscar o livro do Nuno Lobo Antunes “Mal-entendidos” para lhe emprestar, mas o professor especial já tinha abandonado a escola…

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