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Domingo, Fevereiro 25, 2024

O Namoro – Por António Ferro

Namoro, a melhor e a mais desafiante fase, de uma relação conjugal! O namoro é de longe, a mais supera, a mais desafiante e tentadora fase, de uma relação conjugal, onde haja matrimónio convencional ou não.

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O namoro é a descoberta do outro e de algumas vivências nossas ocultas que nessa fase são potencializadas.

Uma viagem no ignoto, no obscuro e uma abertura sincera de corações.

O que o outro pensa?

O que gosta e como gosta?

O que nos atrai ou repele e todas essas vicissitudes que alimentam a nossa vivências, estão nesta fase bem espelhadas.

O acordar e adormecer a pensar no outro, o tentar encontrar o presente certo, para a altura mais apropriada. O fator surpresa e a comoção que numa situação de descoberta do outro, é tão importante. É este constante sentimento de arquejo e inquietude positiva que nos alegra a alma e nos presenteia inúmeros, momentos de paixão. Não confundir paixão com amor… A paixão é como um fósforo, durante algum tempo tem uma chama viva e brilhante e lentamente a luz vai escasseando, até que o seu apagar é iminente.

Há certas situações, em que demora um pouco mais a extinguir-se…

No caso hipotético de não se apagar, é sinal de que estamos no prefácio do verdadeiro amor.

E aí sim, um amor consolidado, alicerçado e arraigado que pode durar uma vida!

Os meus queridos avós, estiveram casados durante setenta e seis longos anos e nem mesmo com o falecimento de dois dos seus filhos, deixaram de ser um exemplo de casal. Neste caso o amor poder-se-á definir, como uma paixão adulta!

Fantasiemos e concebamos que eu me apaixonava por uma pianista clássica…

O prazer que eu sentiria de estar ao seu lado imóvel e silencioso, a “desfolhar” as páginas musicais da partitura. Sentir os seus dedos perto dos meus, mas a produzirem sons que nesse preciso momento, estariam a chegar a uma plateia rendida ao seu encantamento, arroubo, magnetismo e arrebatamento.

E eu a pensar comigo próprio: são os mesmos dedos que tocaram no meu rosto, no meu corpo, na minha alma…

Estar apaixonado é excelso, sublime e transcendental, é um sentimento que as palavras não conseguem de todo, reapresentar e repisar. As palavras são belas e assertivas, mas também perigosas, inconvenientes e em alguns casos maléficas!… Algumas das que saem da nossa boca inadvertidamente, podem ter resultados desastrosos e sem retorno.

Parafraseando um ditado chinês : Há três coisas na vida que não voltam para trás: Uma seta lançada por um arco, uma bala de canhão e uma palavra mal dita! Mas, às palavras, falta-lhes a alma, pois a alma é de quem as escreve… E é essa mesma alma que nos guia e pilota para a paixão e para o amor.

Ninguém diz: – Vou ficar apaixonado! Já que o estar apaixonado é algo que acontece como que por magia e quando menos se espera…

Será que estou apaixonado? Sei o seu nome, vi a sua fotografia, um ou outro vídeo, mas ainda não ouvi a sua voz… E qual a razão de a encontrar assim na minha vida e neste momento? Nada é por acaso e as pessoas que assim aparecem nas nossas vidas, surgem com um propósito e uma razão de existir. Por vezes, não descodificamos as suas intenções ou os seus propósitos, outras vezes, nem os nossos escopos ou quereres, conseguimos assimilar ou descortinar…

Mas será possível, apaixonarmos apenas por uma imagem, por uma curta troca de correspondência…Sem ainda termos estado presencialmente em frente um ao outro?

Será que uma quimera, consegue transmitir essas sensações de paixão?

E quando um dia, estivermos perto da dita pessoa amada, como vai ser a nossa e a outra reação… Será que corresponde ao nosso imaginário? Ou desencanta e desabusa a nossa primária expetativa…

Ver para crer! Sentir para merecer! E sobretudo SER!

Ser o quê? Ser verdadeiro! Ao longo da minha vida, nesta já longa caminhada romântica, nas vivências de amor que fui acumulando, cheguei a um perfazimento e ultimação, ou seja, a grande incógnita, recesso e segredo para um relacionamento sério e contínuo, assenta em três pontos essenciais:

– Sinceridade sempre!

– Respeito sempre!

– Atenção sempre!

Se formos sinceros desde o princípio, desde o primeiro dia, o que digo já que é extremamente improbo, com a “velha” história de não querer magoar o outro…

Se respeitarmos o outro, até nos momentos em que ele(a) vai querer estar só, ou com ouros (amigos/família)

Se estivermos atentos ao outro(a), às suas pouquidades e parcimónias, aos seus desejos, até nas suas dúvidas, nos momentos de alegria e de tristeza. Ao estarmos seriamente atentos, estamos a caminhar e a dar um passo fundamental, na edificação de uma boa relação.

Voltando ao sonho anterior, somos de dois continentes diferentes e distintos, mas curiosamente, conhecemos os continentes um do outro. A música é a nossa paixão e que pode aproximar os nossos ideais, os nossos corações.

Compreendemos a necessidade de quando compomos ou escrevemos que esse momento mágico não pode ser posposto ou delongado.

Pelo menos deixamos de ouvir:

– Então não vens para a mesa? Olha que vai arrefecer!…

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