O Mundo precisa de mais amor – Por Rosa Fonseca

Vamos começar 2025 a acreditar que o Amor é o único caminho para a salvação da Humanidade.
Os tempos modernos invadiram os amantes deixando-os à deriva de um olhar demorado e de sentimentos que nos ensinem a viver. Que sejam uma aprendizagem gratificante.
Este Amor é feito de ações, coração e também de palavras. As palavras têm que transbordar para dar forma e novas visões do/ao outro no mundo. Pois além de darem prazer, também nos despertam. Enriquecem narrativas comoventes.
Escrevo histórias de amor, amor entre pessoas que se entregam e embarcam num só barco, enfrentando tantos mares quantos forem precisos para chegar a porto seguro. Mas escrever sobre este amor, implica escrever sobre o outro lado mais lunar deste sentimento que nos matem vivos.
Escrevo histórias sobre amores que um dia foram perfeitos. Amores que o tempo desgastou e desencontrou. Amores que vão morrendo nas margens dos dias.
Esta é uma história de amor que chega a porto seguro.
Estão felizes, entre a brisa que os beija e a volúpia dos sinais. Dentro deles, corre um fogo que se adensa, como a tarde contra o céu rosado. Quando ele lhe dá a mão, ela mergulha o rosto no ombro dele. Prendem o olhar nas lembranças um do outro. Afagam as palavras entre o alvoroço das mãos – uma quentura abundante.
Achega-lhes a pressa do sabor das bocas, frutos sumarentos e o encontro da pele.
Nela, o desejo de lhe tatear os pensamentos. Por ele, circula a vontade de lhe consumir os gestos apertados dos braços, entre as nascentes frescas.
Desperta lenta, a tarde sobre as bocas famintas, calam as sílabas entre os beijos em cascata e o aroma a terra molhada.
Ela desenha-lhe o mar nos olhos, preenche-o de peixes, ele inventa-lhe viagens pelos seios desnudos, abeiram-se ardentes, como se a vida toda, ali habitasse.
Encadeiam sorrisos e sobem a ladeira enovelados. Nos passos, levam a pressa copiosa de se acostarem à noite, terem-se nela em desatada correnteza.
Agiganta-se o prazer, aproximam-se mais dos sentidos e um toque mais profundo no corpo, ali se fazem mar e casa.
Pelo quarto, um desalinho quente, uma luz coada e a denúncia de ternuras. Há por dentro deles, o sossego das aves, o rumorejo do mar, uma quentura embriagada e versos espalhados no olhar aceso. Trincam as saudades, demoram-se nelas.
O lugar dos amantes é uma ilha. Um horizonte incandescente.
Que 2025 traga Amor. Aquele amor que tanto precisamos para continuar a navegar as ondas mais encrespadas.
“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.” Fernando Pessoa