O Despropósito Também Faz Parte

Hoje acordei a pensar numa palavra que quase nunca uso: despropósito.
Eu, que falo tantas vezes de propósito.
Que escrevo sobre missão, visão, sentido, legado.
Eu, que incentivo outros a encontrarem o seu caminho.
Mas e quando o caminho não foi claro?
E quando aquilo que defendíamos afinal era apenas defesa?
Já vivi despropósitos.
E não poucos.
Momentos em que reagi em vez de refletir.
Decisões tomadas para provar valor. I
nsistências que não vinham de convicção, mas de medo.
Silêncios que escondiam orgulho.
Palavras que nasceram da ferida, não da verdade.
O despropósito raramente é ausência de inteligência.
É ausência de paz.
Nasce quando o ego assume o volante.
Quando a criança ferida cria um monstro para a proteger.
Quando confundimos intensidade com propósito.
Durante muito tempo achei que propósito era firmeza.
Hoje sei que propósito é consciência.
Propósito não é nunca falhar.
É perceber quando falhámos e ter coragem de ajustar.
Há despropósitos que nos custam dinheiro.
Há despropósitos que nos custam relações.
Há despropósitos que nos custam sono.
Mas os piores são os que nos afastam de quem realmente somos.
A maturidade não está em dizer “eu sempre soube”.
Está em assumir: “eu estava errado”.
Talvez o despropósito não seja o oposto do propósito.
Talvez seja o seu professor mais duro.
Porque cada vez que reconhecemos um despropósito, ganhamos algo que o sucesso nunca
nos dá:
lucidez.
E hoje percebo uma coisa com clareza:
O verdadeiro fracasso não é viver um despropósito.
É insistir nele quando a consciência já nos chamou à razão.
Viver com propósito não é ser perfeito.
É ser honesto.
E há uma diferença enorme.