O Agente Secreto – Um filme que prende o espetador desde o princípio até ao fim

É um filme brasileiro, com produção francesa, neerlandesa e alemã.

Estreou mundialmente no Festival de Cannes, em 18 de maio de 2025, onde competiu na Palma de Ouro e ganhou os seguintes prémios:

Interpretação Masculina para Wagner Moura, Melhor Realizador para Kleber Mendonça Filho. Recebeu ainda o prémio FIPRESCI e o Prix des Cinémas d’Art e Essai, dado pela Associação Francesa de Cinemas de Arte. Estreou nos cinemas brasileiros em 06 de novembro de 2025, com distribuição da Vitrine Filmes. Conta com os atores: Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, GabrielLeone, Alice Carvalho, Udo Kier e Thomás Aquino.

O enredo

Em 1977, durante a ditadura militar brasileira, o ex-professor e viúvo Armando Solimões desembarca no Recife, durante as férias do carnaval, onde seu filho Fernando Mora vive com os avós maternos após a morte da esposa de Armando, Fátima Nascimento.

Ele é acolhido num albergue por Dona Sebastiana, uma ex-militante anarcocomunista, junto com outros dissidentes políticos, incluindo Claudia, Haroldo, e Thereza Vitória e António, um casal de refugiados da Guerra Civil Angolana.

O delegado corrupto da Polícia Civil Euclides e os seus filhos Sérgio e Arlindo são chamados durante o feriado para investigar uma perna humana que um tubarão que um t tinha engolido.

Armando é apresentado com o nome de Marcelo, para investigar o Instituto de identificação da Polícia Civil, onde recebe boas-vindas e proteção de Euclides. Armando fica visivelmente irritado com a arrogância do delegado, que inclui importunar Hans—um alfaiate alemão que Euclides presume ser um fugitivo nazi, mas afinal é um judeu sobrevivente do Holocauste . O novo emprego de Armando, também lhe propõe a oportunidade de procurar arquivos sobre a sua falecida mãe índia, de quem tem poucas lembranças. Em São Paulo, os assassinos Bobbi e Augusto são contratados por Henrique Ghirotti, um ex-ministro do governo militar, para matar Armando por uma disputa política e pessoal.

Sérgio e Arlindo encontram a perna engolida pelo tubarão. Os jornais locais noticiam que a perna ressuscitou e atacou casais gays num parque público, supostamente para acobertar a corrupção política e violência durante a semana de carnaval. Esta parte do filme é hilariante, com a perna a bater em todos os que estão em cenas sexuais clandestinas… No Cinema São Luiz onde seu sogro Alexandre trabalha como projecionista, Armando encontra-se com Elza, líder de um movimento de resistência política do Nordeste, para gravar um testemunho sobre as atividades de Ghirotti. Elza informa Armando que há uma recompensa sobre a sua vida e avisa-o para fugir do país com um passaporte falso. Augusto e Bobbi contratam um pistoleiro pobre, Vilmar, para encontrar Armando. Antecipando sua fuga, Armando despede-se Dona Sebastiana e dos outros refugiados.

Na manhã seguinte, Bobbi descobre a localização de Armando ao seguir Seu Alexandre. Vilmar encontra Armando no instituto de identificação, mas não consegue matá-lo. Na perseguição, Vilmar mata dois policiais incluindo Arlindo e é baleado na perna.

No presente, a estudante de história Flávia pesquisa a rede de resistência de Elza através de gravações de áudio pela mesma e acervos de jornais, até que descobre que Armando foi assassinado e enquadrado como um professor corrupto. Flávia viaja para Recife para entrevistar Fernando, agora um médico de meia-idade, interpretado pelo Wagner. É curioso ele representar o papel de pai e filho. Após Flávia doar sangue no hospital onde trabalha. Discutindo o passado político, histórico familiar, e o assassinato de Armando, Fernando diz que não tem lembranças do próprio pai, mas lembra de ter assistido ao filme o Tubarão, na companhia do avô no cinema, que mais tarde, se tornou o hospital onde ele trabalha.

Financiamento

O Agente Secreto é uma coprodução internacional envolvendo Brasil, França, Holanda e Alemanha. As produtoras principais são a brasileira CinemaScópio Produções, a francesa MK2 Films (também creditada como MK Productions), a holandesa Lemming Film e a alemã One Two Films. Arte France Cinéma (França), Black Rabbit Media, Itapoan e a distribuidora brasileira Vitrine Filmes também participam como co-produtoras.

Crítica especializada

O Agente Secreto foi aclamado pela crítica especializada após sua estreia em Cannes. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, o filme possui uma taxa de aprovação de 99% com base em 88 avaliações, com uma nota média de 8.9/10, recebendo um selo “Certificado Fresh”. O consenso dos críticos do site diz: “um thriller político tematicamente rico e visualmente impressionante, O Agente Secreto mistura a estilização de grindhouse com um comentário social afiado para tecer uma história vividamente perigosa, mas sombriamente humana”. No Metacritic, que atribui uma pontuação normalizada de 0 a 100, o filme obteve uma média de 91, baseada em 25 críticas, indicando “aclamação universal”. No mesmo site, o filme recebeu o selo “Must-See” (“Imperdível”).

Carlos Aguilar, do The Playlist, classificou o filme como: “Uma obra-prima imponente, imersa em história e com uma adoração palpável pelo cinema”, elogiando a produção de Thales Junqueira e a forma como o filme explora a memória e a verdade. Peter Bradshaw, do britânico The Guardian, deu ao filme 5 de 5 estrelas, descrevendo-o como um “brilhante drama brasileiro sobre um académico em fuga nos anos 1970”. A crítica da BBC Culture, baseada em impressões da Sight and Sound, chamou o filme de um “thriller político e vibrante” que “compensa em excitação o que lhe falta em subtileza“, destacando a atuação de Wagner Moura e a atmosfera criada por Mendonça Filho.

Mariana Canhisares, do Omelete, considerou O Agente Secreto um “fantástico thriller” que utiliza o género de espionagem para discutir o esquecimento de informações e identidades durante a ditadura, elogiando a direção de Kleber Mendonça Filho e as atuações do elenco, especialmente Wagner Moura. A revista francesa Les Cahiers du Cinéma, através de resenhas publicadas por outros veículos que a citam, destacou o filme como um “thriller com toques fantásticos evocando a ditadura militar.

As críticas em geral elogiaram a direção de arte, o figurino, a fotografia e a trilha sonora por sua contribuição na criação da atmosfera e na recriação da época. Alguns críticos mencionaram a longa duração (158 minutos) como um ponto de atenção, mas geralmente justificável pela complexidade da trama e profundidade temática.

No meu entender, a trama é de tal forma tão bem conseguida, que quase não nos dá tempos mortos, nem pelo tempo passar…

O filme foi escolhido pela revista britânica The Economist para integrar sua lista de melhores filmes de 2025, ao lado de “Ainda Estou Aqui”. Foi eleito pela The Hollywood Reporter como o melhor filme de 202