90% dos portugueses muito descontentes com SNS

Um estudo recente revela que 9 em cada 10 portugueses percebem uma deterioração na qualidade dos serviços prestados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os inquiridos apontam falhas na disponibilidade de médicos, atrasos em consultas e exames, e dificuldades no acesso a cuidados hospitalares e de saúde primários.

A conclusão é de um estudo, divulgado recentemente, do Observatório da Sociedade Portuguesa Behavioral Insights Unit da Católica Lisbon School of Business and Economics, que avaliou as preocupações dos portugueses com a habitação, fluxos migratórios e saúde.

Na área da saúde, os resultados do inquérito conduzido entre 10 e 18 de julho revelam um acentuado descontentamento em relação ao funcionamento do SNS.

Na mesma linha, 84,6% temem mesmo que o SNS possa afetar negativamente a sua qualidade de vida e cerca de oito em cada 10 preocupam-se com a possibilidade de pagar mais pelos cuidados de saúde.

Olhando para situações concretas, o estudo aponta que 37,4% admitiram ter adiado consultas ou tratamentos com alguma frequência devido a tempos de espera prolongados, um padrão que, segundo os autores, “evidencia que as listas de espera continuam a representar um obstáculo relevante” para algumas pessoas, com “implicações na equidade e na continuidade dos cuidados“.

A responsabilidade é atribuída, sobretudo, ao Governo, cujo desempenho é alvo de insatisfação para mais de metade dos inquiridos (64,2%), mas também para a atual Direção-Geral da Saúde, criticada por 56,8%.

Por outro lado, 57,3% expressaram satisfação com médicos, enfermeiros e técnicos auxiliares.

Apesar da avaliação negativa que fazem do SNS, muitos continuam a não ver nos seguros de saúde privados uma alternativa e cerca de quatro em cada dez dizem não sentir necessidade de recorrer a essa opção.

Assim, a saúde representa uma fatia reduzida nas despesas da generalidade das famílias e para mais de metade dos inquiridos (62,5%) os gastos nesta área não vão além dos 10% do rendimento.

OC/MP