Nikita e a Onda da Coragem

Nikita vivia numa pequena vila à beira-mar, chamada Vila Praia de Âncora, onde o som das ondas era a sua música favorita. Todos os dias, ao acordar, corria para a praia para sentir a areia nos pés e a brisa salgada no rosto. O mar era o seu grande amigo, e ela sonhava em aprender a surfar como os adultos que deslizavam sobre as ondas com tanta facilidade.

— Um dia serei como eles! — Dizia Nikita, cheia de determinação.

Finalmente, o dia chegou. Os seus pais inscreveram-na numa escola de surf, e Nikita não podia estar mais animada. Naquela manhã, vestiu o seu fato de banho colorido, pegou na sua prancha nova e correu para a areia dourada.

O professor, Tiago, já estava lá, com um grupo de crianças que, como Nikita, queriam aprender a desafiar as ondas. Entre elas, estava uma menina de cabelos escuros, pele morena e um sorriso luminoso. Nikita percebeu que ela segurava uma bengala branca e tinha uns óculos escuros.

— Olá! Eu sou a Nikita! — Disse, aproximando-se.

— Olá! Eu sou a Sara! — Respondeu a menina.

— Estás aqui para ver os treinos? — Perguntou Nikita.

— Não! Estou aqui para surfar! — Respondeu Sara com entusiasmo.

Nikita ficou surpreendida. Sara era invisual! Como poderia surfar se não conseguia ver as ondas!?

— Isso é incrível! Mas… como vais fazer?

— Com treino e confiança! — Respondeu Sara. — Posso não ver as ondas, mas posso senti-las. Posso ouvir o mar, cheirar a brisa e sentir a prancha debaixo dos meus pés!

Nikita ficou admirada com a coragem da nova amiga.

Nas primeiras lições, o professor Tiago reuniu todas as crianças e começou a explicar as regras básicas do surf.

— A primeira coisa que precisam de aprender é a respeitar o mar. O oceano é nosso amigo, mas também pode ser imprevisível. Precisam de sentir as ondas e aprender a manter o equilíbrio.

O treino começou na areia. As crianças deitavam-se sobre as pranchas e praticavam o movimento de se levantarem rapidamente. Nikita sentia-se um pouco desajeitada, mas observava Sara com curiosidade.

Sara movia-se com confiança. Com a ajuda de Tiago, tocava na prancha, sentia a posição certa e repetia os movimentos com precisão.

— Muito bem, Sara! — Disse Tiago. — Agora vamos tentar na água!

Nikita sentiu um frio na barriga. Estava animada, mas também um pouco assustada. — Se caísse, e se a onda a levasse!?
Pensava ela.
Mas ao olhar para Sara, que não hesitava, sentiu-se mais forte.
Então, lá foram elas para o desafio das Ondas…
As crianças entraram no mar, onde as ondas suaves se formavam. Nikita e Sara estavam lado a lado, cada uma na sua prancha.

— Estou nervosa… — confessou Nikita.

— Eu também — disse Sara. — Mas o medo faz parte. O importante é confiar em nós mesmas.

Tiago ajudou cada criança a apanhar a primeira onda. Nikita tentou, mas caiu várias vezes. Sentia-se frustrada. No entanto, olhou para Sara, que remava com determinação, e atenta às instruções de Tiago, ganhou mais coragem.

— Agora, Sara! A onda está a chegar! — Disse Tiago.

Sara colocou-se de joelhos, depois tentou ficar de pé, mas também caiu. Ao emergir da água, ria-se.

— Outra vez! — Exclamou.

Nikita riu também. Se Sara não desistia, ela também não desistiria!

Depois de várias tentativas, Nikita conseguiu equilibrar-se e deslizar pela onda.
Que grande coragem!

O vento no rosto e a sensação de deslizar sobre a água eram maravilhosos!
— Consegui! — Gritou, Nikita radiante.

Pouco depois, foi a vez de Sara. Com a ajuda do professor, sentiu o momento certo, ficou de pé e deslizou suavemente pela onda.

— Estou a surfar! — Exclamou tão corajosamente.

Nikita e Sara riram e comemoraram juntas. Aquele dia foi especial. Não só iniciaram os seus objetivos da aprendizagem do surf, um novo desporto, como também aprenderam que coragem e amizade são mais fortes do que qualquer desafio.

Assim, entre ondas e gargalhadas, nasceu uma amizade que duraria para sempre.

Mónica Mesquita