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Quinta-feira, Maio 23, 2024

Música- ser ou não ser comercial, eis a questão…

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Há profusos anos, quando integrei a organização do “1º Congresso dos Músicos”, infortunadamente presenciava na plateia, um cidadão que pôs em causa a comparência do músico Emanuel, já que segundo ele, se tratava de um congresso destinado, remetido e fadado a músicos… O que esse senhor dessabia é que o Emanuel além de exímio guitarrista, tinha a seu cargo uma excelente escola de música.

Ontem, passou na RTP 1 o concerto de congregação dos reis da Holanda pela  excelente orquestra do André Rieu. Se lograrem ou almejarem, peguem no comando e retornem ao dito programa. Escutam cantores ou músicos desafinados? O que vão “ouver”, são músicos sorridentes a interpretarem músicas que mais de 10 mil pessoas conseguem trautear. Imaginem no tempo de Mozart (devido em parte à sua extravagância), se ele fizesse o mesmo…

Será que Mozart é, ou foi comercial no seu tempo?
Sabem por que as óperas que ele compôs, tinham forçosamente que ter aqueles exagerados “vocálicos”?  Porque os mecenas assim o exigiam.

Faz-me lembrar a volta que o La Féria conseguiu dar ao teatro de revista em Portugal! Enquanto “algumas” companhias de teatro “intelectual” realizavam as suas peças para plateias vazias, mas com o subsídio ao final do mês, o La Féria dependia quase exclusivamente da venda bilhetes e sempre de plateias esgotadas.

Este ano realizo cinquenta anos de carreira artística/profissional e nunca recebi um subsídio na vida!

Voltando ao Enorme Sucesso Mundial do André, Ele merece! Pois conseguiu despir os fraques cinzentos e bolorentos da música erudita, coloriu-os e tornou-os acessíveis à maior parte do público. Porque será que na nossa profissão, quando alguém tem êxito comercial é conotado como ínfero e ínfimo, ou será que todos somos estúpidos por assistirmos a intervenções de grande qualidade artística e quando se torna comercial, perdeu esse intento, escopo, propósito e desígnio…

Há muitos anos, quando realizava na companhia do André Sarbib e do Avelino Tavares o “Funchal Jazz”, fomos concatenados e congêneres com meia dúzia de pseudo-intelectuais que se referiam ao festival como demasiado comercial… Retiramos quinhentos contos ao orçamento do festival e invidei o meu saudoso amigo Jorge Lima Barreto para realizar um fim de semana a seu gosto e apostei com o Miguel Albuquerque:
Miguel,  duas noites no Teatro Municipal Baltazar Dias (Funchal), um teatro com capacidade para cerca de quinhentas pessoas, se assistirem por noite mais de trinta pessoas, eu presenteio o jantar, caso contrário…
– António! Estás a brincar comigo?…

E foi assim que o antigo presidente da Câmara do Funchal, me mimoseou dois pulquérrimos jantares!
Sumariando e recopilando, nem tudo o que é intelectual tem virtude, condão e excelência, nem tudo o que é vendição, vazão e consumível é desdenhável, lançadiço e menoscabável !

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