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Quinta-feira, Maio 23, 2024

Museus: a origem e a natureza, Parte 1 – Por Hugo Aluai Sampaio

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Hugo Aluai Sampaio
Hugo Aluai Sampaio
Arqueólogo, Professor Universitário

De acordo com o International Council of Museums (ICOM), os museus devem ser instituições sem fins lucrativos que sirvam a sociedade através da coleção, preservação, investigação, interpretação e exibição de património tangível ou intangível. Devem primar pelo caráter público, acessível e inclusivo, pela diversidade e pela sustentabilidade. Devem, igualmente, operar e comunicar de acordo com pressupostos deontológicos e, graças à participação ativa das comunidades, permitir o acesso a diferentes experiências destinadas à sensibilização, educação, reflexão, lazer e partilha de conhecimento.

Muitas vezes ridicularizados pelo seu caráter antiquado, enquanto depósitos de objetos carregados de pó, distribuídos por prateleiras, são, ao mesmo tempo, vistos como locais de partilha científica. Acabam por ser uma forma de expressão que a própria Humanidade encontrou para (tentar) colocar ordem no caos que é a sua existência, com tantas peças do puzzle (ainda) em falta.

Acessibilidade
Direitos Reservados



Desde cedo que os povos foram estabelecendo diversos tipos de contactos, incluindo culturais. Afinal de contas, a cultura é tanto aquilo que nos une, como o que nos torna únicos. É compreensível, pois, que desde cedo a curiosidade pelas “culturas da antiguidade”, num primeiro momento fortemente fomentada pelo colecionismo individual de quem a isso se podia dedicar, desembocasse no conceito atual de museu. Hoje os museus são mais do que meros arquivos do passado. Acima de tudo, os museus servem para sensibilizar para o(s) valor(es) e o(s) significado(s) do passado, o qual, quanto mais distante, mais difícil custa a entender. 

Eu não espero que uma visita a um qualquer museu me torne especialista na temática. Eu quero que um museu desafie os meus sentidos e que desperte em mim a curiosidade vibrante de querer saber mais. Por isso, os museus devem também ser espaços que geram emoções e experiências sensoriais, que abram caminho à real proteção do património cultural, pois ninguém protege o que desconhece (não me canso de o repetir).

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