Mundo – Por Josefa de Maltezinho

O gozo de saber que em ti nada me é alheio
— nem a asfixia dos recém-nascidos —
e não preciso de ter olhos na cara
nem tu megafones na boca
Tiraste a máscara,
acendeste a força motriz aos dedos,
discutiste o sexo dos anjos.
Já não fazes questão de esconder os teus
demónios — e se tens andado endemoniado,
a meter os pés pelas mãos nas fronteiras
delineadas nos mapas.
Alardeado a toda a largura nos telejornais —
Toma nota,
a noite é extensa, corrida a gavetas abertas
que talvez venham a avivar-te a mente
Um dia, acordas com a casa vazia,
e o movimento de olhar para trás, essa paisagem
de repetição sistemática do passado, vai cobrir-te
de vergonha:
quebras-me o coração.