Mundial 2026 arranca com festa no Azteca: México derrota África do Sul (2-0) no jogo inaugural

O maior Campeonato do Mundo de sempre arrancou esta quinta-feira, 11 de junho, com espetáculo, emoção e história no icónico Estádio Azteca, na Cidade do México — palco de finais históricas em 1970 e 1986, e agora anfitrião do torneio mais alargado de sempre, com 48 seleções a disputar o sonho mais desejado do futebol mundial.

Cerimónia de abertura para os livros de história

Antes da bola rolar, o Estádio Azteca transformou-se num palco de dimensões épicas, com uma cerimónia que soube honrar a cultura mexicana sem perder a dimensão global do evento. A primeira atração foi a banda mexicana Maná, que abriu o espetáculo com o clássico “Oye mi amor”, seguida pelo cantor pop venezuelano Danny Ocean e pelo grupo Los Ángeles Azules, com músicas tradicionais mexicanas, acompanhadas por coreografias com dançarinos em trajes indígenas e mulheres em trajes típicos. Lila Downs também marcou presença nos momentos iniciais, antes de darem lugar a J Balvin, Ryan Castro e Belinda, que se juntou aos Los Ángeles Azules no centro do relvado. 

Belinda e Los Angeles Azules durante a cerimônia de abertura no Estádio Azteca, na Cidade do México. Foto: Reuters

Perto do final, o tenor italiano Andrea Bocelli subiu ao palco para interpretar “DNA”, o hino oficial do Mundial 2026, ao lado da cantora sul-coreana-americana Ejae, do DJ David Guetta e de Megan Thee Stallion. O tenor resumiu a emoção do momento: “Ser convidado para cantar o hino da Copa do Mundo e participar da cerimónia de abertura é uma honra. À FIFA, aos organizadores e a todos os adeptos: é para vocês que cantamos.” 

No momento protocolar, Alejandro Fernández cantou o hino mexicano perante um Azteca em delírio, enquanto a sul-africana Tyla entoou o hino do seu país, numa entrega emotiva que arrancou aplausos das bancadas. A atriz mexicana Salma Hayek ficou encarregue de dar as boas-vindas formais ao público. O clímax da festa chegou com Shakira e Burna Boy, que fecharam a cerimónia com “Dai Dai”, a música oficial da competição, ouvida pela primeira vez ao vivo na fase final do torneio. Esta foi a terceira vez que Shakira participou em cerimónias oficiais de um Campeonato do Mundo. 

México faz história em casa

Diante de 80.824 adeptos, o México venceu a África do Sul por 2-0, com golos de Julián Quiñones, aos oito minutos do primeiro tempo, e de Raúl Jiménez, aos 21 do segundo tempo. 

Com este resultado, o México venceu um jogo de abertura de Campeonato do Mundo pela primeira vez. A seleção, que abre o torneio pela sexta vez, não havia vencido em nenhuma das cinco ocasiões anteriores: foram derrotas para a França em 1930, Brasil em 1950 e Suécia em 1958, além de empates com a União Soviética em 1970 e com a própria África do Sul em 2010. 

Após conquistar a Bota de Ouro da Liga Profissional Saudita com 33 golos, Julián Quiñones marca o primeiro golo do Mundial de 2026. México 1-0 África do Sul. Foto: Divulgação/FIFA

O primeiro golo surgiu fruto de um erro defensivo sul-africano: o guarda-redes Ronwen Williams procurou Yaya Sithole à entrada da área, mas o médio do Tondela — a jogar pela primeira vez num Mundial após 16 anos de ausência da África do Sul — entregou a posse e Quiñones inaugurou o marcador. O encontro teve contornos dramáticos na segunda parte, com três expulsões: Sithole aos 50 minutos e Zwane aos 83 pela África do Sul, e Montes aos 90+2 pelo México. 

Jiménez fez o golo que fechou a vitória mexicana na partida de abertura do Mundial 2026 – Foto: Divulgação/FIFA

Amanhã, sexta-feira dia 12 de junho, as atenções dividem-se por várias frentes. Logo a abrir, às 3h00 (hora de Portugal), completa-se a primeira jornada do Grupo A com o embate entre a Coreia do Sul e a Chéquia, em Guadalajara. Às 20h00, o Canadá recebe a Bósnia e Herzegovina, em Toronto, jogo do Grupo B, com direito a cerimónia festiva — a segunda das três previstas nesta edição do Mundial. Já de madrugada, às 2h00, os Estados Unidos entram em campo frente ao Paraguai, em Los Angeles, para o Grupo D, num duelo antecedido pela terceira e última cerimónia de abertura do torneio.

Grupo A — Mundial 2026 (Jornada 1 de 3) Coreia do Sul e República Checa jogam esta noite (03h00). Classificação provisória.

A faixa que conta uma história de superação

O segundo golo ficou marcado não apenas pelo resultado, mas pela emoção do momento. Raúl Jiménez chamou a atenção de muitos adeptos por um detalhe que o acompanha há anos: a proteção usada na cabeça durante as partidas. O acessório passou a fazer parte da rotina do avançado após uma grave lesão sofrida em novembro de 2020, quando defendia o Wolverhampton. Numa partida da Premier League contra o Arsenal, Jiménez chocou de cabeça com o defesa David Luiz e sofreu uma fratura no crânio, tendo sido submetido a uma cirurgia de emergência.

Raúl Jiménez em lágrimas após marcar seu primeiro golo no Mundial de 2026. Foto: Divulgação/FIFA

Quando Jiménez cabeceou a bola para o fundo da rede, o avançado de 35 anos não conseguiu conter a emoção e caiu em lágrimas durante a celebração. Foi uma imagem que comoveu os adeptos, porque aquele golo significava muito mais do que um golo comum — foi a recompensa por uma jornada que durou quase seis anos desde o momento mais negro da sua carreira.

Olhos postos em Portugal

O torneio prossegue nos próximos dias com a estreia dos restantes grupos. A final está marcada para 19 de julho no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jérsia, nos arredores de Nova Iorque. Portugal estreia-se no Mundial 2026 a 17 de junho, às 18h00 (hora de Portugal continental), frente à República Democrática do Congo, no NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos.

Os três jogos da fase de grupos são todos nos EUA — as duas primeiras jornadas em Houston e a terceira em Miami. A 23 de junho, também às 18h00, Portugal defronta o Uzbequistão; e a 28 de junho, já à meia-noite e meia, mede forças com a Colômbia.