Mulheres na Música (Parte 22)- Zakiya Hooker: filha de peixe… – Por António Ferro


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Neste caso explícito, não se trata de um simples peixe, mas sim, de um dos principais “bluesman” de todos os tempos – John Lee Hooker.

Vencedor do “Grammy Blues Legend”, John, é um nome incontornável e imprescindível na história dos blues.

Em 1991, Zakiya fez sua primeira aparição pública com seu pai, John Lee Hooker, no Kaiser Center Theatre, em Oakland, Califórnia.

O facto de ser filha de quem era, colocou-a no palco, ao lado de grandes nomes do blues e da soul:Etta James, Jon Hammond, Taj Mahal, Peter Green, Narada Michael Walden, Charlie Musselwhite, entre outros…

Passados quatro anos surgiu o seu primeiro CD “Another Generation Of The Blues”, pela Silvertone Records. Em 1997, Zakiya lançou seu segundo CD “Flavors Of The Blues” que foi editado em todo o mundo, pela Pointblank / Virgin Records.

O tema “Stones In My Passway” de Robert Johnson (um dos “outros” pais do blues),
foi um gigantesco sucesso, mas outras canções, foram também referenciadas pela crítica especializada: “Art of Divorce” e “Let’s Do Something”, “Protect Me From The Blues” e “New Orleans Rain”.

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Para este disco, John convida esse “mago” da harmónica – Charlie Musselwhite, e toca na faixa “Bit By Love (Hard Times)”. “Flavors Of The Blues”, documenta o estoicismo, do espírito humano. “Colors of Blues” é um disco ao vivo gravado em Buenos Aires (Argentina).

Desculpem os meus queridos leitores, pois acredito que todos saibam que Buenos Aires é a capital da Argentina! No outro dia, num programa televisivo, questionaram uma professora, qual a capital de Moçambique, não sabia… Mas nesse caso, pode haver uma pequena ambiguidade de Lourenço Marques com Maputo, agora não se rememorar, da capital de Angola e sendo professora de profissão (?) Quem não queria ser seu aluno, sei eu quem era… (desculpem o aparte, e embora tenha sido professor algumas décadas e concorde com as lutas da classe dos docentes, mas infelizmente, nunca testemunhei tanto professor azêmola e inepto, hoje em dia com o google, não se pode indultar…)

Com sua própria voz única, Zakiya compartilha a força adquirida com uma vida de experiência. 2001 trouxe um lançamento ao vivo a gravação ao vivo em Buenos Aires (Argentina), “Colors Of The Blues”. “No domingo, 28 de Março de 2010, Zakiya foi laureada com o grammy para o“ Melhor CD de Blues ” intitulado “Keeping It Real” e seu baterista – Marlon Green, recebeu o prémio “Blues Drummer of the Year”. Continua no quinto lugar, na lista dos 100 melhores CDs, da revista “Blues Real”.

O seu estilo inovador, levou-a obter vários prémios de diferentes sociedades de blues da California e noutros estados americanos. Em 2010, foi nomeada para o ‘Blues Music Awards Show” em Memphis, Tennessee.

Além da sua contribuição como compositora e cantora, fez várias conferências sobre os blues, alguns programas de rádio e participou no melhor documentário alguma vez realizado sobre os blues, estou a referir-me “The Blues” de Martin Scorsese, de 2003.

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A sua música, os seus blues, levaram-na a actuar por todo mundo e nos principais teatros e festivais: Fillmore Auditorium, no “San Francisco Blues Festival”, no “Monterey Jazz & Blues Festival” e muitos mais. Foi capa de várias revistas especializadas, incluindo a “Billboard Magazine”.

A voz de Zakiya também pode ser ouvida nos anúncios comerciais para LEXUS e AIWA, e também, na trilha sonora do filme “Chalk”, que ganhou a “Camera d’Or” em Cannes e o Grande Prémio no “Sundance Film Festival”, em San Francisco.

O maior festival de blues em Portugal, o “Santa Maria Blues”, nos Açores, convidou-a para a edição de 2013, onde foi primorosamente acompanhada pela banda “Judy Blue Eyes”, a banda que normalmente acompanha, o grande Wolfram Minnamann. Festival esse, do qual fui fundador e programador, juntamente com o presidente (na altura) da Associação dos Escravos da Cadeínha, o meu amigo e grande apreciador de blues, Emanuel Soares.

PS: É curioso, pensam vocês… Como um festival de blues é organizado, por uma associação intitulada de “Escravos da Cadeínha”. Mas mais interessante e curioso, é a sua história! No tempo dos piratas, os barcos ancoravam em frente a ilha de Santa Maria e raptavam um açoriano que tivesse algumas posses. Era arrastado para o barco e era enjaulado numa cadeia pequena (armação em ferro). Se a família pagasse o resgate, era restituído à proveniência, caso contrário…