Mulheres na Música ( Parte 18) : Tina Turner, a rainha do sofrimento – Por António Ferro

 

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Anna Mae Bullock, em 2013, renunciou à cidadania americana, não sentia nenhum laço afetivo e social com os EUA, e já não viajava para o seu país de origem – viva na Suíça – há muitas décadas.

Desde 1995 que reside na cidade Kusnacht com o atual marido. A trágica morte (suicídio) do seu filho Raymond Craig, foi um enorme abalo na sua vida…

Ele tinha cinquenta e nove anos quando morreu tragicamente, mas será sempre o meu bebé”, abalou-a muito, foi no alto-mar que as cinzas foram espalhadas… Nesse mesmo ano, Tina sofreu um AVC e devido à sua hipertensão, os rins ficaram paralisados durante alguns anos. Passados três anos, foi diagnosticado um cancro no intestino o que a obrigou a usar a bolsa de colostomia… O seu marido, dezasseis anos mais novo, doou um rim e em 2017 foi feito o transplante.

Os meus leitores neste momento devem estar a pensar que ideia mais estúpida, começar um artigo da rainha do rock, com a parte mais negra da sua vida…

É que para a maior parte das pessoas, acha a vida dos artistas, é um “mar de rosas”, olham apenas para o lado “famoso” e esquecem-se do lado pessoal. Eu próprio, no dia dos funerais do meu querido avô e da minha querida avó, subi ao palco e atuei, sabe Deus como…

Curiosamente, o seu primeiro marido, o saxofonista Raymond Hill, era membro da banda de Ike Turner (maldita a hora em que Tina trocou de marido…). Os ciúmes de Raymond não ajudaram e Tina já não suportava as agressões do marido, e o casal divorciou-se em 1959.

Ike estava divorciado e os dois se uniram, criando a dupla “Ike & Tina”.

Tina juntou o seu filho aos dois filhos de Ike e casaram (cidade do México) poucos meses depois do nascimento do filho do casal. Ao fim de dezoito anos de agressões físicas, de humilhações e abusos sexuais, deu-se o divórcio e Tina ficou com os seus filhos e os enteados Ike Jr. e Michael. Além das traições constantes de Ike, trancava-a em casa e usava drogas misturadas com bebidas alcoólicas, para a conseguir dominar melhor. Na sua autobiografia adaptada para o cinema “What’s Love Got With It” de 1993, são relatadas as formas brutais com que Ike tratava Tina que. em 1968, tentou o suicídio ingerindo veneno de rato…

“Os meus únicos momentos de felicidade, são quando danço e canto num palco…”

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A sua amiga Jackie, apresentou-lhe a filosofia budista e em 1977, Tina converteu-se ao Budismo de Nitiren que através da lei mística do Daimoku, a ajudou a recuperar e a libertar-se dos calmantes e antidepressivos que a “inundavam”.

Foi na casa desta amiga que ela se abrigou com os filhos e os enteados.

Tina oficializou o seu terceiro matrimónio numa cerimónia budista na sua mansão na Suíça, com o produtor alemão Erwin Bach.

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Alguns dos filmes onde Tina participou: “Taking Off” (1971 – Milos Forman); “Tommy”, filme baseado na ópera-rock de Pete Townshend (The Who – 1975); “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”, um filme de homenagem aos Beatles (1978); “Mad Max Beyond Thunderdome” que lhe valeu o prémio “Image for Oustanding Actress in a Motion Picture” (1985) e mais recentemente os filmes “Last Action Hero” com Arnold Schwarzenegger e “The Goddess” um filme produzido por Ismail Merchant e James Ivory.

E obviamente que não vos vou maçar com os filmes realizados para televisão entre 1966 e 2000… Em Outubro de 2018, escreveu o livro autobiográfico “My Love History”.

E a música? perguntam os meus caros leitores…

A Música, penso que nenhum de vós deixou de a “ouver” em palco!

Aquela força sobrenatural de estar, dançar e cantar!

Em Fevereiro de 2008, na cerimónia do “Grammy Awards” cantou ao lado de Beyoncé (aliás, a Beyoncé é que cantou com a Tina).

Faz-me lembrar a história do meu amigo António Curvelo, numa entrevista ao grande baterista de jazz Max Roach, quando o questionou sobre a experiência de ter atuado ao lado de Miles Davis…

O senhor está enganado, o Miles era um jovem quando substitiu o Dizzie Gillespie, na minha banda de jazz, onde tocavam: Charlie Parker (sax), Bud Powell (piano) e o Charlie Mingus no contrabaixo…

EM 2007, Turner fez a sua primeira apresentação ao vivo passados sete anos de afastamento profissional, num concerto de benificiência para a “Cauldwell’s Children Charity”, em Londres. Nesse mesmo ano regravou a canção Edith and the Kingpin para o álbum de tributo, “River”: The Joni Lettets, do pianista Herbie Hancock. Também regravou a canção The Game Of Love, para o disco de compilação do guitarrista Carlos Santana. E colaborou, também, com a cantora Elisa na faixa Teach Me Again para a trilha sonora do filme All the Invisible Children.

Em 2008, Tina realizou a sua digressão “50th Anniversary Tour”, e lançou um outro disco de compilação e um DVD ao vivo, “Tina Live”. Em 2013, Tina torna-se na mulher mais idosa a pousar na capa da revista Vogue. E em 2014, a Parlaphone Records, lançou um novo disco – “Love Songs”.

Algumas curiosidades: Em 2002, a rodovia Tennessee State Route 19, entre Brownsville e Nutbush a cidade natal de Turner, foi renomeada para Tina Turner Highway. No ano seguinte, para o filme da Disney “Brother Bear”, gravou um dueto com Phil Collins, na canção Great Spirits. E em 2004 lançou o disco de coletâneas dos seus maiores sucessos, All the Best, que vendeu mais de um milhão de cópias, só nos Estados Unidos.

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Em dezembro de 2005, foi homenageada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, no “Kennedy Center Honors”. Do seu discurso, não faltou uma alusão às suas Pernas (pensavam que eu não iria falar delas…): “Turner é naturalmente talentosa, enérgica e sensual e referiu-se às suas pernas como as mais famosas do show business”.

Uma das mulheres mais famosas do mundo, Oprah Winfrey disse: “Nós não precisamos de um outro herói. Nós precisamos de heroínas como você, Tina. Você me fez ter orgulho de soletrar a palavra M-U-L-H-E-R”

Existem quatro mulheres no (meu) mundo, que devido ao seu sofrimento e à sua força perante as adversidades das suas vida, são as minhas heroínas!

Billie Holiday, Tina Turner, Maria Cecília (Sissi para os amigos e minha querida mãe) e a Isabel da Luz que ilumina, atualmente, a minha vida!