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Domingo, Abril 14, 2024

Mulheres da Música (Parte 5): Elis Regina – Por António Ferro

Elis Regina de Carvalho Costa, começou a cantar com apenas onze anos, no programa “No Clube do Guri”, na Rádio Farrupilha – Rio Grande do Sul e aos dezasseis anos lançou o seu primeiro trabalho discográfico, “Viva a Brotolândia”.

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Assinou contrato com a TV Rio e apresentou-se no programa “Noite de Gala”, com direção de Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli no programa reduto da Bossa Nova. Com a canção “Arrastãode Edu Lobo e Vinicius de Morais, fez a sua estreia no festival da Record, recebeu o Prémio Berimbau de Ouro, o Troféu Roquete Pinto e foi eleita a melhor cantora do ano.

Ao lado de Jair Rodrigues (1965/1967), apresentou o programa “O Fino da Bossa”, para a TV Record. O primeiro dos três discos que gravou durante o programa, “Dois na Bossa” vendeu um milhão de cópias. Paris recebeu-a em 1968, na sua mais célebre sala de espetáculos – Olympia.

A alcunha de “Pimentinha”, foi devido ao seu “terrível” feitio… Numa das longas conversas que tive com o amigo e compositor brasileiro Ivan Lins, retive a sua receção quando se dirigiu a casa de Elis, tinha acabado de compôr para ela a canção – “Madalena“. Ivan bateu à porta e recebeu os maiores insultos de Elis e sempre de porta fechada… As canções mais conhecidas interpretadas por Elis: “O Bêbado Equilibrista”, “Como Nossos Pais” e “Saudades do Brasil, são registadas nos discos “Em Pleno Verão” (1970), “Elis e Tom” (1974) e “Saudades do Brasil” (1980).

Do seu casamento com Ronaldo Bôscoli, nasceu João Marcelo Bôscoli e Pedro Camargo Mariano assim como Maria Rita, nascem da união com o pianista e compositor César Camargo Mariano.

Elis era capaz de demonstrar emoções tão contrárias, como a melancolia e felicidade, numa mesma música. O estilo musical e interpretativo, percorria o “fino da Bossa Nova”, firmando-se como uma referência vocais deste género.

Há quem considere o nascimento da Bossa Nova, local conhecido por “Beco das Garrafas”, onde conheceu o coreógrafo americano Lennie Dale que a ensinou a mexer o corpo. Já no samba consagrou “Tiro ao Álvaro” e “Iracema” (Adoniran Barbosa), entre outros. Notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia técnica e uma afinação a toda prova. O registo vocal pode ser definido como de uma mezzo-soprano característico com um fundo levemente metálico e vagamente rouco.

Foi Elis quem também lançou boa parte dos compositores até então desconhecidos, como Milton Nascimento, Renato Teixeira, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, entre outros. Um dos grandes admiradores, Milton Nascimento, a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições.

Com o seu espetáculo “Falso Brilhante”, atinge um enorme sucesso, estando mais de um ano em cena, realizando quase trezentas apresentações. A sua participação a nível político e a sua crítica à ditadura brasileira foi salva pela sua enorme popularidade junto do público. Outra questão importante refere-se aos direitos dos músicos brasileiros, polémica que Elis encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília. Além disso, foi presidente da ASSIM – Associação de Intérpretes e de Músicos.

Causando grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982, devido a complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, tranquilizantes e bebida alcoólica. Foi sepultada no Cemitério do Morumbi.

Poucas pessoas sabem quem realmente descobriu Elis Regina, foi o Wilson Rodrigues Peso, da gravadora Continental, que a ouviu cantar com apenas quinze anos.

“Levei Elis ao meu programa, fui o primeiro a tocar seu disco na rádio. Naquele dia eu disse: Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil.” Walter Silva

«Choram Marias e Clarices… Chora a nossa pátria mãe gentil. Em busca de um sol maior, Elis Regina embarcou num brilhante trem azul, deixando conosco a eternidade de seu canto pelas coisas e pela gente de nossa terra. E uma imensa saudade. »

 

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