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Domingo, Julho 14, 2024

Mulheres da Música (Parte 3): Maria Callas – Por António Ferro

María Kekilía Sofía Kalogerópulos, filha de pais gregos e nascida em Nova Iorque (02 Dezembro de 1923), felizmente que comutou o seu nome de família, por um nome artístico, de fácil articulação – Callas, Maria.

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É sem sombra de vacilação, a maior cantora lírica de todos os tempos. Conhecida como La Divina, um raríssimo caso de “Soprano Absoluto”. Desde o alcance do mezzo-soprano, até o soprano coloratura (é um tipo de soprano operático que possui a voz mais aguda de todas e é especializado em repertório, onde se necessite da sua agilidade, em saltos melódicos), a sua técnica de “Bel Canto”, a sua abrangência vocal e as suas peculiares interpretações (felizmente) registadas fonograficamente, sendo a primeira, a ópera Macbeth de Verdi – gravada em 1952, alieadas à sua extraordinária beleza, são o segredo e os componentes, da Diva das Divas!

As agruras financeiras de seus pais, levaram-na à Grécia nos anos 30, onde estudou canto no Conservatório de Atenas, com a emblemática soprano grega – Elvira de Hidalgo. Existem
diferentes versões da sua estreia profissional, mas a que com mais asserção, poderemos considerar, regista-se em 1947, na Arena de Verona (Itália) com a ópera “La Gioconda” de Ponchielli, com direcção, daquele que futuramente seria o seu mentor, Tullio Serafin.

A sua capacidade de memorização e de interiorização de personagens, surpreende críticos e público quando na mesma semana, faz duas récitas alternadas, entre a “I Puritani” de Bellini e “Die Walküre” de Wagner. E em apenas dois dias, consegue preparar o papel de Elvira, substituindo Birgit Nilsson, na “La Traviata”.

A sua rivalidade, com a famosa Renata Tebaldi, nos anos 50, além de lhe ter proporcionado, concertos nos grandes teatros de ópera (La Scala, Covent Garden e Metropolitan), deu-lhe uma projecção enorme na imprensa escrita… Alguns críticos afirmavam que até nas gravadoras havia uma divisão, para acirrar as disputas entre Callas e Tebaldi, e para influenciar as comparações entre registos feitos por Tebaldi ao lado do tenor Del Monaco, e Callas ao lado de Di Stefano.

Depois de conhecer o magnata Aristóteles Onassis, por volta de 1965, deu-se início à sua
decadência e ao abandono dos palcos. Parou de ensaiar, adiou e cancelou apresentações e passou a ser uma figura constante nas festas sociais, onde a bebida, veio ajudar ainda mais, ao declínio da sua voz…

O cineasta Franco Zefirelli, encorajou-a a voltar aos palcos e fez provavelmente, a sua maior criação, na interpretação da “Tosca” no Convent Garden, contracenando com o tenor Tito Gobbi. Existe gravação em CD (completa) e em DVD (apenas o segundo acto), Imperdível!

A sua última apresentação numa ópera completa, onde interpretou o papel de Norma, foi em Paris, mas a sua saúde muito debilitada não a deixou terminar a representação, desmaiando ao cair da cortina, no fim do terceiro acto.

A partir dos anos 70, dedicou-se ao ensino na Juilliard School e ainda fez um esforço enorme para voltar aos palcos, tendo realizado uma série de concertos pela Europa e Estados Unidos, embora tenha sido o Japão a assistir, à sua última apresentação ao vivo (11 de Novembro de 1974).

O casamento de Onassis com Jacqueline Kennedy e a consequente morte do seu “amado”,
levam-na a isolar-se do mundo, retirando-se para Paris, onde vive com a governata e o
motorista. O cineasta Franco Zefirelli, tenta novamente o seu regresso, mas falta-lhe a
vontade, a satisfação, a paixão… Para evitar o “não”, começa a impor exigências absurdas,
de forma a justificar a sua não participação. Há ainda uma tentativa de uma gravação da
“Traviata” com Luciano Pavarotti, mas acaba por não se realizar… Acompanhada pelos
últimos amigos (o maestro Giulini e o crítico John Ardoin), morre no seu apartamento em
Paris, no dia 16 de Setembro de 1977. O mar Egeu recebeu as suas cinzas, como era de sua vontade.

Maria Callas foi a mais controversa e a mais dedicada intérprete lírica, com uma voz de recursos únicos, que revolucionou, o mundo da Ópera. Para Callas a expressão vocal era
primordial, em detrimento dos exageros vocais injustificados. Para ela, tudo na ópera tinha
que fazer sentido, sempre com a preocupação da forma como o público sentia e reagia,
tornando o libreto, em algo verdadeiramente receptível, adotável, permissível e apaixonante!!!

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