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Domingo, Julho 14, 2024

Mulheres da Música – Introdução – Por António Ferro

“… Por trás de um grande Homem está sempre uma grande Mulher! E por trás de uma grande Mulher, estão sempre … muitos homens!”

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Optei por este tema – Mulheres da Música, porque de alguma forma, quero restituir uma
verdade que sempre andou escamoteada numa sociedade machista e exclusivista – o papel importantíssimo da Mulher na Música. Hoje em dia, com as prodigiosas vozes femininas, com as admiráveis intérpretes instrumentistas, esquecemo-nos do que ficou esquecido… E o que ficou esquecido ?

As grandes compositorasClara Schumann, Fanny Mendelssohn, Maria Anna Mozart,
Chiquita Gonzaga, entre muitas outras. Onde estão as suas obras?
Alguém consegue trautear as melodias que estas notáveis compositoras escreveram?

Mulheres da Música, não é apenas uma justa homenagem à mulher, mas sim à música no feminino, sem critérios estilísticos demarcados, mas com o denominador comum – música de qualidade.

Vamos abrir os baús, procurar nas bibliotecas e dar a possibilidade ao público, não só de
poder apreciar os dotes artísticos interpretativos, mas poder conhecer o que para alguns
homens, nunca houve interesse que se conhecesse…

As músicas e as histórias esplêndidas que as compositoras escreveram!
Obviamente que não vamos apenas retratar as compositoras, e sim, dar a conhecer as vozes que marcaram uma época e o país onde vivem ou viveram… Dietrich (Alemanha), Piaf
(França), Elis (Brasil), Fitzgerald (América do Norte), Suggia (Portugal) …
De forma a dar a conhecer todos os estilos musicais, sem excepção, e não querendo dar um encaminhamento cronológico aos artigos que me proponho escrever, irei acossando (sempre que possível) uma ordem alfabética.

Ao longo da História da Humanidade, a ação e o trabalho da mulher foram subalternizados e,
de certo modo negligenciados, já que estava obedientemente dependente sob a sombra
tutelar omnipresente do homem. Durante muitos séculos, sempre estiveram destinados ao
homem todos os ofícios mais condizentes com o fenótipo da sua estrutura morfológica, de
início, representada na figura do nómada do caçador-recolector (recolhendo o seu sustento
da Natureza), do guerreiro, cavaleiro ou militar, evoluindo à posteriori para tarefas
remuneradas no círculo exterior à família. Assim, desde tempos imemoriais, a ocupação da
mulher resumia-se sobretudo à sua função de cônjuge, mãe e dona de casa.

Após um longo e lento processo evolutivo, desenvolvido ao longo de milhares de anos, a
matriz primacial, para a sua emancipação, vai radicar na Revolução Francesa e nos
acontecimentos daí decorrentes com a proclamação dos princípios universais de “Liberdade,
Igualdade e Fraternidade”.

Em paralelo, a seguir à Revolução Industrial, muitas mulheres passam a exercer uma
actividade laboral, embora a um nível remuneratório inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, algumas na viragem para o século XX, encetam outras formas de luta, greves reivindicativas, tanto nos EUA como na Europa, que vão levar à sua emancipação,
drasticamente acentuada a seguir à última Grande Guerra.

Este espírito vigente, ao atravessar transversalmente toda a história da música, anula a
esperança de uma possível carreira, o que explica os poucos nomes que se distinguiram no
panorama musical feminino até ao passado século.
Segundo consta, a própria Luísa Todi, já famosa além-fronteiras, ao voltar a Portugal em finais de setecentos, precisou de uma autorização especial, pois por cá, era ainda proibido às
mulheres atuar em público. Essa liberdade, só iria verdadeiramente acontecer, em plenitude,
na sequência do 25 de Abril.

Numa das visitas do general Franco a Salazar, foi pedido por este que se contratasse a
famosa Guilhermina Suggia que tanto êxito estava a ter na Europa! António Ferro, seu
conselheiro cultural, amedrontado com o valor pedido pela artista, pensou que Salazar iria
estrebuchar… Contrariamente, Salazar questionou-o:
– Ó Ferro! Você sabe tocar rabecão?
Ferro não quis estar a contradizer a falta de cultura musical do ditador, Suggia tocou
violoncelo e não rabecão (contrabaixo) e disse que não.
– Então contrate a Suggia!!!

Vários nomes sobressaem, numa listagem de mulheres compositoras que viveram nos últimos 250 anos, feita por Diana Ambache (a única mulher da Grã-bretanha, a fundar e a dirigir a sua orquestra clássica de câmara), tais como: Marianne Martinez (1744-1812), Louise Farrenc (1804-1875), Fanny Mendelssohn (1805-1847), Ethyl Smith (1858-1944), Nadia Boulanger (1887-1979), Germaine Tailleferre (1892-1983).

Helena Sá e Costa, Olga Pratz e Maria João Pires, pianistas, com enorme reconhecimento
internacional !!!

“… Desejo mostrar ao mundo, a errónea presunção, tanto como pode a arte musical, de que
só os homens possuem os dons da arte e do intelecto e de que estes dons nunca são
atributos da mulher… “ (Maddalena Casulana)

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