Ministro diz que só espaços de criação artística resolvem problema de músicos do Stop

“Julgo que foi encontrada uma solução de classificação ao nível municipal que resolve uma parte do problema que se colocava”, afirmou Pedro Adão e Silva, quando questionado sobre a situação do centro comercial Stop.
O ministro, que falava aos jornalistas à margem da Assembleia-geral extraordinária da Associação dos Amigos do Coliseu, destacou que a classificação do Stop resolve a questão relacionada com o edifício e com “as obras que são necessárias fazer”.
Pedro Adão e Silva assegurou ainda que “não cabe ao Ministério da Cultura resolver a questão dos músicos”, defendendo que os concelhos de maior densidade populacional devem ter espaços para a criação artística.
“Sei que a Câmara do Porto está empenhada em criar esses espaços e é isso que resolve a questão dos músicos”, observou, referindo-se à Escola Pires de Lima, alternativa proposta pela autarquia.
Em relação ao Stop, o governante lembrou os apelos feitos pelos músicos ao Ministério da Cultura, relacionados, sobretudo, com a classificação do edifício e com a declaração de utilidade pública.
“Tive oportunidade, na sequência desses apelos que foram feitos, eram pouco claros e precisos naquilo que se pedia ao ministro da Cultura, de pedir um parecer sobre o entendimento que estava vedado ao ministro da Cultura”, referiu, dizendo que o parecer foi claro.
“A lei continua a ser aquilo que limita a ação política dos membros do Governo”, acrescentou.
A classificação do centro comercial Stop como imóvel de interesse municipal foi aprovada, por unanimidade, pelo executivo municipal a 6 de novembro.
A aprovação do início do procedimento de classificação implica, ao abrigo da Lei de Bases do Património Cultural, a constituição de uma zona geral de proteção de 50 metros.
O Stop, onde maioritariamente funcionam salas de ensaio e estúdios, viu a maioria das suas frações serem seladas em 18 de julho, deixando quase 500 artistas e lojistas sem terem para onde ir, mas reabriu a 4 de agosto, com um carro de bombeiros à porta.
O Stop vai continuar a funcionar por tempo indeterminado na sequência de uma providência cautelar interposta pelos proprietários à decisão da câmara de encerrar o edifício, confirmou a 22 de setembro o presidente da Câmara do Porto.