Menezes quer que estação de TGV tenha metro e acessibilidades sem custo para Gaia

O projeto do TGV em Gaia está em desenvolvimento, com uma estação prevista para ser concluída por volta de 2030, mas a sua localização exata e traçado têm sido objeto de polémicas e alterações.

A localização original era Santo Ovídio, mas uma proposta recente sugere uma alternativa para Vilar do Paraíso, perto do nó da A1. Existem preocupações significativas com as famílias e empresas que podem ser afetadas pelas obras.

Foto: Direitos Reservados

Esta segunda-feira, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, exigiu que qualquer estação de alta velocidade no concelho tenha ligação ao metro e acessibilidades sem custos para o município, em declarações após a primeira reunião do executivo.

Toda e qualquer estação que seja definida tem que ter metro, tem que ter estacionamento em quantidade e acessibilidades fáceis e nunca suportadas pela Câmara”, disse aos jornalistas o novo presidente da autarquia do distrito do Porto, eleito a 12 de outubro pela coligação PSD/CDS-PP/IL.

Em causa está uma proposta alternativa para a estação da linha de alta velocidade de Gaia, cujo contrato de concessão assinado com a Infraestruturas de Portugal (IP) define que será em Santo Ovídio, com ligações a duas linhas de metro, mas que o consórcio AVAN Norte (Mota-Engil, Teixeira Duarte, Alves Ribeiro, Casais, Conduril e Gabriel Couto) quer construir fora do local previsto, em Vilar do Paraíso, sem garantia de construção da respetiva extensão do metro.

Info: IP/Direitos Reservados

A estação prevista para Santo Ovídio prevê também um total de 505 lugares de estacionamento, dos quais 475 lugares públicos, e a alternativa do consórcio prevê 507 lugares, segundo documentos oficiais.

Esta segunda-feira, na primeira reunião do novo executivo da Câmara de Gaia, foi aprovada, com a abstenção do PS, a criação de um grupo de trabalho para acompanhar a inserção do projeto da linha de alta velocidade em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

O grupo de trabalho será constituído pela Câmara Municipal, pelo consórcio construtor AVAN Norte e por representantes das juntas de freguesia afetadas, tendo Menezes dito, durante o debate na reunião do executivo, que tudo fará “para que a decisão da Câmara seja unânime“, ou seja, obtenha votos favoráveis dos vereadores do PS (5) e Chega (1).

Questionado sobre se caso a hipótese da estação em Santo Ovídio for a única que garante menos demolições à superfície, disse que isso é algo que “vai ser trabalhado pelo grupo de trabalho“, mas reiterou a convicção num acordo alargado.

O grupo de trabalho deixa de fora a Infraestruturas de Portugal (IP), pois no entender de Luís Filipe Menezes “não vale a pena introduzir a IP neste processo, a IP lançou o concurso, a IP neste momento não vinha ajudar nada, não faz muito sentido introduzir a IP, não trazia nada de novo ao debate“.

Já sobre a proposta de duas pontes sobre o rio Douro em vez de uma, como está previsto no contrato de concessão, o novo autarca disse não ter “simpatia pela ponte rodoviária ali“, entre Quebrantões e Campanhã, à cota baixa, pelo menos “nesta fase“, defendendo que deveria ter sido “consensualizada a uma cota mais alta” em Gaia, com ligação à VCI (Via de Cintura Interna).

Custa 20 milhões de euros trazer a ponte da cota baixa até à VCI. Nós não temos 20 milhões de euros para isso. Ela terminava lá em baixo, junto ao Areínho. Trazê-la cá acima custa 20 milhões de euros. Bom, isso é completamente incomportável para o orçamento municipal“, considerou Luís Filipe Menezes.

A localização da estação de alta velocidade de Gaia e a solução de uma ponte rodoferroviária sobre o Douro está prevista desde setembro de 2022, aquando da primeira apresentação do projeto. Porém, o consórcio AVAN Norte propôs a estação de alta velocidade de Gaia a sul de Santo Ovídio e duas pontes sobre o Douro, soluções diferentes do previsto no caderno de encargos.

OC/MP