Mau tempo | Mais de 250 bibliotecas e de 120 museus e monumentos afetados

Mais de metade das 489 bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) foram afetadas pelo mau tempo, principalmente as de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, que sofreram maior impacto.
“De acordo com a informação recolhida pela DGLAB [Direção-Geral do Arquivo dos Livros e das Bibliotecas] e que se mantém em atualização, 52% das bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, maioritariamente localizadas na região centro do país, indicaram ter sido afetadas pelo mau tempo das últimas semanas”, disse à Lusa Bruno Eiras, subdiretor-geral daquele organismo.

De acordo com os dados recolhidos até ao momento indicam que das quase 255 bibliotecas atingidas pelas sucessivas tempestades que assolam o país desde 28 de janeiro, 80% dizem respeito a infiltrações e inundações de pequenas dimensões ou a situações externas às bibliotecas como falhas de eletricidade e comunicações.
Apesar dos danos verificados, 78% das bibliotecas indicaram ter conseguido manter-se em funcionamento, enquanto os restantes 22% tiveram de encerrar alguns espaços ou serviços, acrescentou Bruno Eiras, sem especificar quais as bibliotecas em causa.

No entanto, revelou que “os casos mais graves” de que teve conhecimento “ocorreram nas Bibliotecas Municipais de Alcácer do Sal, Santarém, Leiria, Caldas da Rainha, Pombal e Marinha Grande, onde os espaços ou mesmo as estruturas foram bastante afetadas”.
No dia 04 deste mês, quando ainda só se faziam sentir os impactos da depressão Kristin, a diretora da Biblioteca Municipal de Pombal, Daniela Martins, revelou à Lusa que aquela estrutura sofrera “estragos significativos no piso superior e na parte de trás”.
“Está com infiltrações e falta de coberturas. Uma janela ficou partida e outras duas janelas grandes foram projetadas, tendo destruído alguns computadores sobre os quais caíram”, indicou na altura, especificando que ficaram também destruídas a parte interna do edifício e a oficina, mantendo-se em funcionamento apenas a parte da frente, servindo a população afetada.
Quanto à biblioteca da Marinha Grande, já naquela altura era uma das que tinham tido “mais estragos”, tendo perdido a cobertura, que impedia a entrada da água, segundo a responsável, que disse ainda que as estantes e os livros estavam cobertos com plásticos, para tentar minimizar os danos.
“Várias bibliotecas também adaptaram os seus horários de funcionamento para melhor responderem à procura e tentaram estar alinhadas com as estratégias municipais”, acrescentou.
Esse foi o caso da Biblioteca Municipal de Pombal que devido à procura alargou o horário de funcionamento para o período das 09:00 às 20:00, sem interrupções, de segunda-feira a sábado, segundo a diretora.
Mais de 120 museus e monumentos afetados
Mais de 120 museus e monumentos sofreram danos causados pelas tempestades nas duas últimas semanas, com cinco equipamentos da Rede Portuguesa de Museus e quatro do património classificado, como o Convento de Cristo, em Tomar, a apresentarem “danos graves“.

De acordo com o balanço mais recente do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, sofreram “danos graves” o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, em Mação, o Museu Municipal de Santarém – Casa-Museu Anselmo Braamcamp Freire, o m|i|mo – museu da imagem em movimento, em Leiria, e o Museu Municipal de Ourém.
Na área do património classificado, apresentam “danos graves” a cerca do Convento de Cristo, em Tomar – monumento classificado como Património da Humanidade da UNESCO -, a Casa Museu Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel, Marinha Grande, a Capela de Nossa Senhora da Encarnação, em Leiria, e a igreja matriz de Cernache do Bonjardim, na Sertã.
A quase totalidade de museus e monumentos danificados situam-se na Região Centro.
OC/MP