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Segunda-feira, Abril 15, 2024

Mais uns delírios de André Ventura na Assembleia da República

O líder do Chega disse aos jornalistas que quer que o parlamento português "tome uma posição clara de condenação das palavras" de António Guterres quanto ao conflito entre Israel e o Hamas e defendeu que o antigo primeiro-ministro "não tem condições políticas para ser secretário-geral da ONU", pedindo a sua demissão. N'importe quoi!

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Esta tarde em declarações aos jornalistas nos paços perdidos da Assembleia da República, André Ventura manifestou “incómodo e insatisfação” com as palavras do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) António Guterres, que afirmou ser “importante também reconhecer que os ataques do Hamas não aconteceram num vácuo”, e que “o povo palestiniano tem sido submetido a 56 anos de ocupação sufocante”.

O líder do Chega disse aos jornalistas que quer que o parlamento português “tome uma posição clara de condenação das palavras” de António Guterres quanto ao conflito entre Israel e o Hamas e defendeu que o antigo primeiro-ministro “não tem condições políticas para ser secretário-geral da ONU”, pedindo a sua demissão.

Ou seja, em jeito de “catavento”, o líder da extrema direita portuguesa defendeu a demissão de António Guterres como secretário-geral da Organização das Nações Unidas como se ele fosse “o dono disto tudo”.

E com o sorriso de gozo e passando um atestado de incompetência aos jornalistas que marcaram presença na conferência de imprensa, Ventura foi mais longe no seu delírio, atrevendo-se a propor que o parlamento português condenasse as declarações de António Guterres.

Mas os delírios de André Ventura não se ficaram por aqui. O líder do Chega também propôs convidar o Presidente de Israel, Isaac Herzog, a discursar na Assembleia da República, o que “poderia acontecer por via remota, como aconteceu com o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, ou presencialmente, quando visitar Portugal”.

Ventura disse ter sugerido a Santos Silva, o presidente do parlamento a “constituição de uma delegação parlamentar que visite Telavive”, e que a deslocação seja “liderada pelo Presidente da República”.​​​​​​​

O Presidente de Israel, Isaac Herzog, tinha prevista uma visita a Portugal no início de novembro, que foi adiada.

O secretário-geral da ONU disse “condenava inequivocamente os horríveis e sem precedentes actos de terror de 7 de outubro do Hamas em Israel”. “Nada pode justificar a morte deliberada, os ferimentos e o rapto de civis – ou o lançamento de rockets contra alvos civis”, afirmou António Guterres.

Mas a sua contextualização do ataque criou um alvoroço em Israel. É importante, disse Guterres, reconhecer que “os ataques do Hamas não surgiram do nada”. Esta afirmação os israelitas não gostaram nada.

Só que Guterres foi mais longe e disse o que lhe ia na alma e o que todos nós sabemos e não podemos ignorar:“O povo palestiniano tem estado sujeito a 56 anos de ocupação sufocante. Viu as suas terras serem constantemente devoradas por colonatos e assoladas pela violência; a sua economia sufocada; o seu povo deslocado e as suas casas demolidas. As suas esperanças de uma solução política para a sua situação têm vindo a desaparecer”. Foi aqui que Israel declarou “guerra” à ONU.

VENTURA
O líder do Chega não gosta de ser contrariado nas conferências de imprensa Foto: José Peixe D.R

Mas nem todos os jornalistas são lorpas ou moços de recados

A meio da conferência de imprensa e quando Ventura parecia estar inspirado, houve uma jornalista que lhe perguntou o que é que ele tinha a dizer sobre a detenção do deputado do Chega na Assembleia Municipal de Braga, Sérgio Júnior, que foi detido no âmbito de uma investigação por tráfico de substâncias proibidas, na terça feira.

Resposta de André Ventura: “Não sei de nada e por isso mesmo não vou prestar declarações sobre esse assunto”.

“Como é que não sabe nada se você é o líder do partido?”, questionou a jornalista. Ventura não gostou do atrevimento da companheira em serviço na Assembleia da República e não respondeu.

 

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