Mães que já não o são

Quem tem uma mãe, tem tudo. Diz o povo. Só que nos dias de hoje o tudo, não é pacífico. Já lá vão os tempos em que uma mãe trabalhava de manhã à noite para criar os filhos. Passava fome para que os filhos tivessem comida na mesa. Vendia o corpo para pagar o curso superior do filho. Sofria até à morte pelo bem-estar dos filhos.

Hoje, tudo mudou. A vida é diferente. A mulher de hoje teve outra educação, aliás, grande parte não teve educação nenhuma. A mulher de hoje trabalha de manhã à noite e quando chega a casa já os filhos dormem. O pai tomou conta do assunto. O assunto são a ida à escola e acompanhá-los para casa, verificar se há trabalho de casa, cozinhar e deitá-los. Passámos a ter conhecimento de mães que não se interessam minimamente que a sua filha, de 12 anos, esteja num bar ou na rua a fumar charros e a beber cerveja.

Mães que chegam a casa aborrecidas com o que lhe foi dito por um amante e desancam pancada nos filhos até caírem no sofá sem mais forças para bater. Mães que expulsam os filhos de casa ao tomarem conhecimento que os mesmos são homossexuais. Mães que andam milhares de quilómetros para abandonar dois filhos de cinco e três anos de idade com os olhos vendados à beira de uma estrada.

Esta é uma mãe que não o é. Nem as leoas ou as macacas abandonam os filhotes. Mas, neste nosso planeta a mãe deixou de ser na globalidade amor, carinho, dedicação, sacrifício e beijos. Uma mãe que abandona os filhos à beira de uma estrada, não tendo as crianças morrido atropeladas por mero acaso, não merece outra coisa que a lei existente em certos países, que não o nosso: prisão perpétua.

Os casos de violência doméstica estão a aumentar anualmente e, muito especialmente contra crianças. Uma psicóloga transmitiu-nos que casos muito graves não têm sido do conhecimento público. Por exemplo, muito recentemente uma mãe afogou o seu bebé na banheira e disse aos bombeiros que tinha morrido por se ter engasgado a beber o leite. Essa mãe esqueceu-se que existem autópsias…

Uma mãe de um amigo meu teve um comportamento execrável para com os seus filhos. Ele, quando criança viu o seu pai abusar sexualmente da sua irmã igualmente criança. Silenciou o caso toda a vida. Depois de o pai falecer e tendo deixado uma fortuna avultada e propriedades várias, a mãe disse que tudo lhe pertencia porque o pai assim tinha decidido. O filho perguntou à mãe se estava a deserdar os seus filhos e sendo assim, que ficasse a mãe a saber o que sempre soube. Que não era apenas ela que sabia do abuso sexual do pai à filha.

Que ele filho, tinha visto tudo e que silenciou toda a vida. Pois, a mãe, envergonhada e revoltada, conseguiu com advogados experientes e caríssimos inventar casos absurdos para que os filhos ficassem sem nada. A mãe inventou que os filhos a agrediram, que a roubaram e mais trinta por uma linha. E conseguiu que os filhos não recebessem nem um euro. Isto, para vermos que no mundo de hoje existem mães que já não o são.