Lume e reviravoltas políticas – Por Carlos A. Silva

Já escrevi sobre este re-governo, sim, já governou e volta a governar. É o governo de todos os portugueses , logo, também o meu.
Não escrevi cobras nem lagartos se bem que, bichas cadelas já havia e volta a ter. Falei dos hellis e do INEM e, consequentemente, dos “canadairs” para combater os incêndios que, na altura, estavam imberbes e agora estão com as barbas do diabo.
Pois bem, hoje com as enormes labaredas a lamber os montes do norte, temos “helis” no chão por falta de pilotos e “canadairs” a amarar. Leitão Amaro não tem nada a ver com isto e nem o seu cunhado tem alguma culpa.
Nuno Melo, esmerado e ufanoso ministro da defesa , está mais preocupado com o belo orçamento para o seu ministério, para proceder à aquisição de mega aviões para as forças armadas, não para proteger o nosso país de flagelos, mas para agradar à NATO.
Venham mais eucaliptos para as nossas serras para serem consumidos pelos fogos e, assim, também, consumir o nosso povo.
A pasta de papel faz dinheiro, mas também faz gastar tanto!!! Ah! Enquanto houver União Europeia há barriga cheia.
De pele ao bronze, o som das ondas nos ouvidos, quem sabe uma bebida exótica, fresca, num copo com chapéu, longe do norte onde tudo é lume. Talvez quando as férias findarem, talvez as línguas de fogo também se tenham recolhido.
Entretanto, como em todos os anos, procuram explicações ou culpados por tudo o que acontece no território.
Sempre a treta de falta de meios aéreos, materiais ou humanos.
São sempre muitas casas ardidas, vidas perdidas, morte e aflição.
Enquanto isso, os eucaliptos agitam-se ao sabor dos ventos.
Portugal está para os incêndios como os oceanos para os navios.
Um grande abraço a todos os bombeiros, os mais lembrados quando tudo arde, e os mais esquecidos em tempo de acalmia.
A Sul, o incêndio anda no futebol.
Não há vergonha nem responsabilidades por parte de quem dirige as fortunas que movem esta actividade.
Acusações entre dirigentes e ex dirigentes que fazem corar um tomate maduro.
Conheci o general Garcia dos Santos, em Agosto de 1982, quando estive na tropa, sendo ele ao tempo, o Chefe do Exército.
Olhei para ele e fixei a cara e o nome.
O tempo passou e uns quatro anos depois, esse general apresentou–se na residência oficial do Primeiro Ministro (PM), desejando falar com este.. Não tinha audiência marcada e recusava-se a sair dali sem falar com o PM. Eu estava lá. Todos os postos eram inferiores ao dele, logo não obedecia. Naquele impasse, Cavaco Silva – era ele o PM – desce os degraus da escada e em tom que se percebeu de insatisfação, dizia –“ponham-me esse homem lá fora” ao que o general respondeu ,”quando me explicar porque me reformou contra a minha vontade eu vou”. Aquilo já não era para tão pequenos súbditos. Nem sei como ficou, mas percebi o descontentamento. Ele, o general, faleceu há pouco tempo e foi então lembrado por acabar com os corruptos da JAE, para onde foi trabalhar depois. Corruptos: será que já acabaram?
O general já.