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Sexta-feira, Julho 12, 2024

Luis Osório: O homem que ainda escreve Bilhetes – Postais

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Rosa Fonseca
Rosa Fonseca
Professora e Escritora
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Luis Osório. Direitos Reservados

Luís Osório nasceu em 1971, a 15 de setembro, em Lisboa. Muitos lembrar-se-ão dele por ter sido diretor de jornais e de uma estação de rádio e autor de programas de televisão.

Apesar disso, não se afirma como “jornalista puro”. Mas aos 31 anos era um dos mais premiados jornalistas da sua geração. Ganhou o Prémio Revelação do Clube de Jornalistas, um Sete de Ouro, o prémio Inovação Carreira atribuído pelo Primeiro de Janeiro e distinções do Expresso e do Público pela autoria de programas como “Portugalmente” ou “Zapping”, na RTP. A sua carreira tem sido muito diversificada.

Confesso que foi através da sua escrita que comecei a segui-lo e a apreciar o seu trabalho. Um dia, em 2003, ofereceram-me “Quanto Tempo – uma criança no olhar”, uma conversa entre pai e filho, um diálogo esperado – pai e filho unidos por um laço biológico que a vida, porém, separou. Um frente a frente emocionante e intenso. Depois disso fiquei sempre à espera de mais.

E surpreendeu-me sempre. Hoje o Luis Osório conta com nove livros editados. Destaco os mais recentes: AMOR (2016); A Queda de Um Homem – seu primeiro romance (2017); MÃE, promete-me que lês (2018); Ficheiros Secretos (2021). Com este último, criou um monólogo em palco. Encheu as maiores salas do país e tantas outras. Esteve em palco sem rede e sozinho. Iam para ver e ouvir o escritor, afinal o que tinha ainda para nos dizer que já não o tivesse dito nos seus postais ou nas suas crónicas. Talvez a magnitude de um homem só no seu próprio silêncio.

Vi, em cidades diferentes, o seu “Ficheiros Secretos “. Em cada uma das vezes me emocionei, me questionei, me enterneci. Se em uma das vezes vi aquele menino, sentado no banquinho ao lado da avó Joaquina, na sua máquina de costura, noutra vi o seu olhar de mar com todos os sonhos do mundo e a força inerente a um homem de convicções e apaziguado com o passado. Vi o seu urso e o seu cavalinho de madeira; fotos e recantos; malas e baús; um espelho.

Em todos os espetáculos nos deu muito de si, das suas memórias, dos seus medos e receios; dos seus labirintos e fantasmas, dos seus mortos. Um diálogo interior sem nostalgias, despojado do exterior invasivo. Leva-nos pela mão, carinhosamente ou vertiginosamente para um intrínseco confronto. O EU, o TU e o NÓS numa aliança consentida. Foi aplaudido de pé, pela coragem e despojamento. Todos fomos tocados pelo tanto que o LO nos ofereceu naquelas noites e muitas delas instigadas pelo mau tempo. Deu-nos esperança e força e nós retribuímos com aplausos e admiração. A cenografia de Ficheiros Secretos esteve nas mãos da sua mulher Ana O.

As considerações que aqui teço, sendo pessoais, não podem ser imparciais nem objetivas, pela amizade que nos une. Perdoem-me esta minha fragilidade.

Vejo no Luís um estado de constante inquietude, frontalidade e humanidade. É um homem controverso e talvez por isso seja odiado e amado e às vezes em simultâneo.  É um desacomodado e um irreverente, um homem de recomeços e de todos os lugares. Alguém que existe independentemente do seu estatuto de figura pública; alguém que nos abraça e olha quando os holofotes se apagam. Mas também é aquele que assume as suas convicções que geram fortes polémicas, às quais responde sem medo e em lugares próprios e admite os erros. Não foge dos desafios que a sociedade lhe impõe, enquanto escritor e pessoa, mesmo que isso o faça insurgir contra os “maus” e aquilo em que acredita.

O escritor Luis Osório entra-nos todos os dias pela casa adentro, porque o Facebook é a casa de muitos. Procuramo-lo no seu Postal do Dia e ouvimo-lo na Antena 1. É seguido por mais de 80 mil pessoas. Não encontro outra página com tanto impacto social, político, cultural e polémica.

Eu tenho uma identidade muito forte. Essa identidade baseia-se, talvez, em duas coisas: por um lado, nessa obsessão por fazer, por questionar e por arriscar. E por outro, uma procura quase inconsciente de encontrar um caminho que faça sentido global, na soma.”

Luis Osorio
Luis Osório. Direitos Reservados

Quem é Luis Osório? Interrogação retórica.
Não vos deixo nada de novo sobre ele, é sobejamente conhecido e reconhecido. Homem da cultura nas suas múltiplas formas. Homem afável e intenso. Polémico. Amigo. Tem na família que nos apresentou o seu porto, o seu lugar seguro. Desinquieto por dentro e efervescente que nos leva também ao mesmo estádio. A sua escrita intensa, subtil, eloquente e honesta, revela o outro lado do homem e do escritor – do Mundo.

O Luís Osório é dos lugares que visita e frequenta. A sua forte dimensão humana não nos deixa indiferentes. Goste-se ou não do que ele diz ou representa.
Para mim, o Luís ainda tem no olhar aquele menino que gostava (gosta) de barquinhos de ovos moles que a avó Joaquina lhe comprava em dias de festa.
O seu 10º livro “A última lição de Manuel Sobrinho Simões” estará nas livrarias no dia 4 de julho.

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