Liga Portugal: FC Porto, 2 – AVS, 0 – Aves velozes assustaram dragão trapalhão

“Não há jogos fáceis” é um chavão do futebol. Mas há formas de os tornar mais fáceis. Ontem à noite o FC Porto parecia querer complicar o que “não era fácil”. Isto, sem pôr em causa a sua permanente superioridade. Mas, às vezes (tantas vezes), a superioridade não chega para vencer jogos.

Um aspeto que convém lembrar é o extraordinário campeonato que a equipa portista está a realizar. E só falta um jogo para terminar uma primeira volta histórica. Ora, esta “performance” dos dragões está a criar nos adeptos maior exigiência. O que é normal.
Alguns, no final da partida, apesar de satisfeitos com o triunfo, teciam algumas críticas ao desempenho do coletivo, principalmente na primeira parte de jogo. Queixavam-se de que a equipa estava lenta e precipitada.
Não podem esquecer-se os apaniguados portistas de que não há exibições sempre perfeitas; e os campeões costumam ser os que erram menos e são capazes de superar-se nos momentos mais complicados. O FC Porto está a conseguir fazê-lo.
E sim, à medida que o jogo decorria, o AVS – último, com apenas 4 pontos – mostrava uma organização muito boa ao nível defensivo e uma capacidade de sair em velocidade, rumo à defesa contrária, pouco comum em equipas “fraquinhas”.

Já tínhamos escrito no fim de outros jogos dos avenses, que a classificação não coincidia com a qualidade dos seus jogadores e à forma de jogar da equipa. E hoje demonstraram. Com a particularidade de estrearem o treinador. Não criaram ocasiões de golo, também é verdade – 1 remate e 32% de posse. Mas, principalmente na primeira parte, fizeram diversas aproximações à área, rápidas, bem desenhadas, causando perigo e exigindo toda a atenção ao forte bloco defensivo dos portistas.
Tomané, Tunde, Perea, Ponk, Jaume e Rivas foram os jogadores mais rápidos nas transições do AVS. Com o FC Porto todo instalado no seu meio campo, os avenses conseguism “fugir” e a velocidade das suas ações obrigava a muita concentração na defesa “azul e branca”.
Outro chavão futebolês é “equipa que não marca, sofre“. Chavão, sim, mas que já vimos acontecer imensas vezes. E quando vemos, nos primeiros 45 minutos, Mora, William Gomes por duas vezes, Samu por duas vezes, Froholdt, Kiwior, Moura e Rosário a desperdiçarem oportunidades flagrantes, é natural que o chavão citado acima cause algum incómodo no discernimento da equipa.
Para trazer ainda mais dor de cabeça aos portistas, Diogo Costa lesionou-se na única defesa que teve de fazer e foi substitído por Cláudio Ramos ao intervalo.
VAR afinado
A segunda parte foi diferente. O FC Porto passou a jogar com mais velocidade e o AVS ficou acantonado na sua defesa, uma vez que já não conseguia sair com a mesma leveza como fazia no período inicial da partida.
E aos 3 minutos do reatamento, o FC Porto marcou. Samu recebeu no centro da área, fintou Aderlan Santos e atirou para o fundo das redes.
A supremacia dos dragões crescia e o domínio foi total até ao fim do jogo.
Aos 64 minutos, num lance dentro da grande-área avense, Ponk pontapeou Gabri Veiga quando disputavam uma bola a meia altura. E Bruno Costa, o árbitro, assinalou falta ofensiva. Mas lá estava o VAR a fazer o seu trabalho e repor a verdade. O árbitro reverteu a decisão e assinalou grande penalidade contra o AVS. Samu apontou e fez o segundo golo.

Farioli foi fazendo a gestão do plantel e João Henriques também aproveitou para mexer na equipa, provavelmente para ver outros jogadores em ação, uma vez que foi o primeiro jogo no banco do AVS.
Triunfo justo de uma equipa lúcida e de um treinador que entende perfeitamente estar a disputar uma “maratona” e não uma prova ao “sprint”. Quanto ao AVS, parece-nos que tem futebol capaz para sair do lugar onde se encontra.
Declarações
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “A corrida é longa…”

“Podíamos ter feito melhor no primeiro tempo, mas melhorámos e encontrámos melhores soluções na segunda. Não foi possível encontrar muitas saídas por dentro de início, porque eles fecharam bem, mas clarificámos as coisas no segundo tempo, encontrando os espaços certos. Chegámos ao golo e fizemos o segundo.”
Sobre o treino aberto no dia 1 de janeiro, no Dragão, afirmou:
“O treino aberto vai ser muito bom para nós, porque é bom estar na nossa casa, com o apoio dos nossos adeptos. Vai dar-nos, seguramente, força para arrancarmos o ano com ainda mais força.
A lesão de Diogo Costa:
“As primeiras impressões dele no balneário, há pouco, eram positivas, mas vamos ter de esperar. O problema dele é muscular, irá fazer exames para reavaliar a situação, e temos de esperar.”
Terminar o ano na frente:
“Estamos numa maratona, a corrida é longa, e a nossa forma de olhar para isso é pensar jogo a jogo, colocando o melhor de nós para ganharmos cada um deles, sabendo que não há jogos fáceis.”
João Henriques (treinador do AVS):” Não quero comentar o lance do 2º golo.”

“A jogar assim, com esta competência e comprometimento, estamos cada vez mais perto do grande objetivo nesta altura, que é ganhar o primeiro jogo. Delineámos uma estratégia para evitar que o FC Porto tivesse muitas oportunidades, conseguimos algumas transições e, com um pouco mais de critério, podíamos ter conseguido ferir mais o FC Porto. Os jogadores foram extraordinários e e inexcedíveis.
Fizemos um jogo muito digno. Na segunda parte, com o golo cedo, podia pensar-se que a equipa ia perder a estabilidade, mas isso não aconteceu.
Quando sofremos o golo, tivemos capacidade de reagir, ainda fizemos alguns remates, em que podíamos ter decidido melhor. Mas, sim, a perda da bola nessa transição , no início do segundo tempo, dita o resultado, mas o que sentencia é mesmo o lance do segundo golo.
Não vou falar de arbitragem porque não tenho 200 mil euros para colocar, é muito dinheiro. Erros todos cometem. Não quero comentar o lance do segundo golo, mas qualquer um com honestidade e independência pode fazê-lo”.
Ficha
Estádio do Dragão, no Porto.
Ao intervalo: 0-0.
Marcador:
1-0, Samu, 48 minutos.
2-0, Samu, 65 (grande penalidade).
FC Porto: Diogo Costa (Cláudio Ramos, 46), Martim Fernandes (Alberto Costa, 84), Bednarek, Kiwior, Francisco Moura (Alan Varela, 75), Pablo Rosario, Victor Froholdt, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 59), William Gomes (Ángel Alarcón, 59), Samu e Pepê.
Suplentes: Cláudio Ramos, Alberto Costa, Prpic, Alan Varela, Stephen Eustáquio, Gabri Veiga, Yann Karamoh, Ángel Alarcón e Deniz Gül).
Treinador: Francesco Farioli.
AVS: Simão Bertelli, Ponck, Aderllan Santos, Devenish, Diogo Spencer (Rafael Barbosa, 83), Pedro Lima (Gustavo Mendonça, 71), Jaume Grau (Gustavo Assunção, 57), Leonardo Rivas, Tunde, Tomané (Nenê, 83) e Óscar Perea (Guilherme Neiva, 57).
Suplentes: João Gonçalves, Paulo Vítor, Kiki Afonso, Gustavo Assunção, Gustavo Mendonça, Rafael Barbosa, Bruno Lourenço, Guilherme Neiva e Nenê).
Treinador: João Henriques.
Árbitro: Bruno Costa (AF Viana do Castelo).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Jaume Grau (50) e William Gomes (52).
Assistência: 48.097 espetadores.
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Nota: Para quem não sabe, a sigla AVS significa Associação de Vila das Aves, Sociedade Anónima Desportiva.
O Clube nasceu da migração do Vilafranquense ( Vila Franca de Xira) para a Vila das Aves, usando as instalações do extinto Clube Desportivo das Aves.
AFS no emblema quer dizer AVS Futebol SAD (AFS)
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (Texto) e Gonçalo Bravo (Fotos)