Liga Portugal | FC Porto, 1- Sporting, 1 – Tanto “respeitinho” só podia dar empate

E o vencedor da noite foi… o Benfica.

Com o empate no Estádio do Dragão, os “encarnados”, sem jogar, encurtaram distâncias, ficando os dois primeiros (FC Porto e Sporting) com os mesmos quatro pontos de distância entre si. E o campeonato “abriu”. Em dois jogos o FC Porto perdeu 5 pontos e, agora, todos os candidatos podem sonhar com o título.

Esperava-se mais, muito mais, deste jogo. Porque ambas as equipas têm qualidade para praticarem melhor futebol. Claro que esta é a observação do espetador; seguramente, os treinadores veem um jogo diferente e ambos gostaram do que viram.
Faltou, a ambas as equipas, ousadia, assunção de riscos, velocidade e criatividade. E, claro, oportunidades de golo. Como pode classificar-se de bom, um jogo entre os dois primeiros em que, O FC Porto só fez 6 remates à baliza (1 enquadrado) e o Sporting, 9 (3 enquadrados)?. Muito pouco para jogadores de classe superior. Se o adepto exigir mais, está cheio de razão.

Disputado sob uma chuva miudinha, depois do nevoeiro ir embora, chegou a pôr em risco a realização da partida, em vez do nervoso miudinho, surgiu o “respeitinho”. “Cautela e caldos de galinha“… afirmava o nosso camarada de trabalho que estava a analisar a componente técnico-tática do jogo. De facto, ambas as formações queriam ganhar, mas nenhuma queria perder.
E se encararmos os jogo com pragmatismo, percebemos o motivo deste novelo. Se o Sporting perdesse, ficava a 7 pontos do FC Porto e cedia 3 ao Benfica. Se vencesse, reduziria para um ponto a diferença para os dragões.
Por sua vez, ao FC Porto, acontecia o mesmo, um ponto de vantagem ou 7 de avanço.
Daí as cautelas mútuas não surpreenderem. E o empate acaba por ser uma conclusão menos má do jogo, no que diz respeito aos pontos.

Nós, os românticos da bola, queremos mais. Quermos golos, emoção, jogo de ataque, risco. No entanto, o futebol de hoje não é para românticos, porque está muito mais em jogo do que um “simples” resultado. A indústria é exigente e o taticismo supera tudo o resto. Enquanto os estádios encherem para ver jogos que “não atam nem desatam” porque nenhum dos conjuntos os quer desatar, está tudo bem para clubes, Liga e indústria em geral.
A primeira oportunidade de golo sugiu na passagem dos 20 mintos, através de um remate de Varela que passou muito perto da trave da baliza de Rui Silva.
E até ao intervalo, muitas paragens e lentidão. A bem dizer, futebol quase a passo.
No reatamento, Farioli teve de mexer na equipa. Samu (lesionado) ficou nos balneários e apareceu Gul no seu lugar. Mas a expressividade atacante dos “Dragões” manteve-se frouxa.
Mas tem de fazer-se justiça a Farioli. Foi quem mexeu primeiro. Porém, sem arriscar muito. Rui Borges só reagiu depois de sofrer o golo.
Quanto a Fofana, não podia ter melhor estreia. Marcou o golo do FC Porto.
A Luiz Suárez, do Sporting, saiu-lhe a “sorte grande”. Marcou a grande penalidade aos 90+10 e falhou… Diogo Costa defendeu. Caprichosamente, a bola foi parar direitinha aos pés do colombiano que, com a baliza deserta, marcou, facilmente, na recarga.
Este resultado deixa claro que vamos ter campeonato até ao fim e quer FC Porto, Sporting ou Benfica têm hipóteses de o vencer. Naturalmente, o FC Porto continua a ser o favorito, até porque fica em vantagem se terminar com os mesmos pontos do Sporting.

Uma última nota para a hora do jogo. É muito mau para o futebol ter um jogo destes marcado para um dia de semana… às 20:45. Não faz qualquer sentido. A fidelidade canina à televisão e ao dinheiro, leva ao desrespeito pelos adeptos, principalmente os mais jovens. Mas como referi acima, enquanto os campos encherem, a Liga assobia para o lado.
Declarações
Francesco Farioli (Treinador do FC Porto): “A este nível os erros pagam-se caro”

“Foi um grande jogo, jogámos sem medos contra o bicampeão, pressionámos todo o jogo, com grande intensidade. A nossa dinâmica foi muito interessante. Estou muito satisfeito com a forma como conduzimos o jogo, a nossa postura e o desejo que mostrámos para ganhar. Sofremos o penálti no último lance do jogo. É o sexto jogo seguido em que eles marcam no último minuto (após quatro jogos a ganhar com golos na compensação, contra o Aves SAD o golo da vitória surgiu aos 117’ do prolongamento). Isso fez com que não conseguimos manter a “clean sheet”, mas tenho de realçar o zero medo e o desejo que mostrámos. Acho que isso diz muito sobre o que esta equipa tem feito.”
Sobre o penálti
“Foi um erro, e a este nível pagam-se caro. Não temos nada a lamentar. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. A imagem perfeita do nosso jogo foi o lance do golo: a energia que mostrámos e a entrega para meter a bola na baliza, depois de seis ou sete ressaltos. Foi isso que quisemos trazer para o jogo.”
Sofrer no fim
“Honestamente, a única parte do jogo em que sofremos foi nos últimos minutos, quando eles vieram com tudo. Mas durante 83 minutos, o jogo só teve uma equipa a mandar desde o início e a procurar forma de ganhar, e essa equipa foi o FC Porto.”
Rui Borges (Treinador do Sporting): “Fomos superiores ao FC Porto”

“Fomos a equipa mais personalizada dentro de campo do primeiro ao último minuto. Não conseguimos criar tantas situações como queríamos. Entrámos muito bem a controlar o jogo, a saber saltar a pressão do FC Porto. Eles equilibraram dos 15 aos 35 minutos, ficou mais equilibrado. Falhámos alguns passes em que podíamos ter definido melhor, mas sempre com grande personalidade. Uma 2.ª parte onde fomos claramente superiores, o FC Porto faz golo no único lance de perigo que tem perto da nossa baliza. Estávamos personalizados com bola. E depois foi correr atrás do prejuízo e acabámos por conseguir o empate , dentro da personalidade que tivemos ao longo de todo o jogo.”
Quem quis mais a vitória
“Sinceramente, penso fomos nós. Poderíamos ter sido mais intensos aqui ou ali a pressionar e ir à procura da baliza do FC Porto, mas sempre com uma grande personalidade e qualidade. A equipa sempre equilibrada, muito ciente do que tinha de fazer ofensiva e defensivamente. Mas nos 90 minutos, fico com a sensação de que o Sporting foi a equipa mais personalizada e que mais queria ganhar”.
Sobre os golos nos descontos
“Mérito da equipa. Mas não é só o golo nos descontos. A mim, resta-me enaltecer a personalidade da equipa num ambiente difícil. Manteve sempre um equilíbrio emocional muito grande, essa personalidade de querer jogar, não querer fugir à nossa identidade. Percebeu muito bem o que tínhamos de fazer. Muito feliz por aquilo que fomos capazes de fazer. Acabámos por sofrer um golo no único lance que o FC Porto tem de perigo junto à nossa baliza”.
Ficha
Estádio do Dragão, no Porto.
FC Porto – Sporting, 1-1.
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores:
1-0, Seko Fofana, 76 minutos.
1-1, Luis Suárez, 90+10.
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Jan Bednarek, Jakub Kiwior (Thiago Silva, 63), Martim Fernandes (Francisco Moura, 84), Alan Varela, Victor Froholdt, Gabri Veiga (Seko Fofana, 63), Pepê, Borja Sainz (Rodrigo Mora, 63) e Samu (Deniz Gül, 46).
Suplentes: Cláudio Ramos, Thiago Silva, Pablo Rosario, Deniz Gül, Terem Moffi, Seko Fofana, Francisco Moura, Oskar Pietuszewski e Rodrigo Mora.
Treinador: Francesco Farioli.
Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda, Gonçalo Inácio, Ousmane Diomande, Maxi Araújo, Morten Hjulmand, Hidemasa Morita (Luís Guilherme, 80), Geny Catamo (Souleymane Faye, 84), Francisco Trincão, Pedro Gonçalves (Daniel Bragança, 84) e Luis Suárez.
Suplentes: João Virgínia, Georgios Vagiannidis, Souleymane Faye, Daniel Bragança, Luís Guilherme, João Simões, Eduardo Quaresma, Rafael Nel e Ricardo Mangas.
Treinador: Rui Borges.
Árbitro: Luís Godinho (AF Évora).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Victor Froholdt (45+1), Ousmane Diomande (45+3), Hidemasa Morita (75), Morten Hjulmand (79), Francisco Moura (84), Luis Suárez (86), Maxi Araújo (90+3) e Deniz Gül (90+3).
Assistência: 49.378 espetadores.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos e Carlos Alberto Silva (Textos) e António Proença (Fotos)