Liga Portugal – FC Porto, 1 – Rio Ave, 0 – Resultado à justa mas merecido



Nau com timoneiro
Qual medo, qual quê? O Rio Ave não tem medo. Apesar de já serem poucos os “lobos do mar”, como antigamente, na equipa, o seu ADN é de gente rija, trabalhadora e que não vira a cara à luta. Sotiris Sylaidopoulos, treinador rio-avense, carrega a tarefa de defender esse legado dos homens do mar. E fê-lo, ontem, no Estádio do Dragão.
Apesar de ocupar um lugar na tabela classificativa que não é nada confortável, ter perdido dois dos seus melhores jogadores no mercado de janeiro (André Luiz e Cleyton), não apareceu no Porto para jogar pelo “pontinho”. Nem pôs autocarros (a ser, seriam barcos) à frente da baliza. Não. Jogou. Tentou, arriscou. Procurou ser feliz. E merecia ter marcado, pois construiu oportunidades para isso.

À italiana?
O FC Porto não fez um jogo vistoso, como tem acontecido há já algum tempo. Foi prático, objetivo, realista. Ganhar por 1 ou por 10 garante o mesmo número de pontos. É claro que os jogadores do emblema “azul-e-branco” tudo fizeram para marcar mais golos. Mas a falta de um “matador” na área, como já teve tantos!, dificulta ao aumento do “score”. Mesmo assim, no jogo de ontem, podiam ter marcado dois ou três golos. Não fosse a pontaria tão afinada aos postes por parte de Gabri Veiga e Mora, teriam sido mais dois. Limpinhos!
Sem sermos especialistas de arbitragem, aos 39 minutos, deveria ter sido assinalada uma grade penalidade a punir uma entrada sobre o dianteiro Gul. O defesa do Rio Ave não ganhou posição e acertou no pé do jogador portista, quando este estava a preparar-se para rematar, isolado, frente ao guarda redes da equipa de Vila do Conde. O árbitro e o VAR, em nossa opinião, erraram.

Estará Farioli a recriar os seus “velhos mestres”? A realidade é que há já alguns jogos que o FC Porto vence pela margem mínima. E tem no bloco defensivo a setor mais forte da equipa.
O que se vê é um conjunto muito coeso, com uma defesa de “betão”, em que todos defendem quando os sinos “tocam a rebate” e sempre sem complexos. Uma gestão rigorosa dos vários momentos do jogo tem valido triunfos justos, mas difíceis.

Arbitragem fraca.
Declarações
Francesco Farioli (treinador do FC Porto): “Pensamos sempre jogo a jogo.”

“Saímos daqui com três pontos e um golo. Já tinha dito que o mais importante é marcar sempre mais um golo do que o adversário e hoje isso deu-nos a vitória. Ainda assim, sinto que poderíamos ter conquistado um resultado mais expressivo, tendo em conta aquilo que a equipa criou.
Criámos muitas oportunidades e tivemos bons momentos. Se não me engano, até marcámos três vezes, mas nem todos os golos contaram, por isso podíamos ter resolvido o jogo mais cedo. Ainda assim, somámos mais três pontos e seguimos em frente.
A situação que tive com o árbitro não teve nada de especial nem foi polémica. O jogo estava numa boa dinâmica e, honestamente, não tenho nada a apontar à arbitragem hoje.
Nós pensamos sempre jogo a jogo. É verdade que o Varela viu cartão amarelo e vai falhar o próximo encontro, mas o foco está sempre no desafio seguinte e não em jogos mais à frente.
Podíamos ter goleado, é verdade. Houve um momento em que os adeptos esperavam uma progressão mais rápida do jogo, mas nem sempre é possível acelerar. Às vezes são necessários passos adicionais na construção.
Acredito que os adeptos gostaram do jogo. Houve muitos momentos em que o ambiente no estádio foi muito positivo. Criámos várias oportunidades e, apesar de não termos concretizado todas, a equipa fez uma boa exibição. Os adeptos têm sido fantásticos e não tenho nada a apontar.
Claro que teria sido ideal fechar o jogo mais cedo, até para gerir melhor alguns jogadores e tomar decisões diferentes nas substituições. O lado positivo é que criámos muito e espero que os golos que hoje não apareceram surjam nos próximos jogos”.
Sotiris Sylaidopoulos (treinador do Rio Ave): “Não é fácil construir nova equipa nesta fase da época”

“Sobre a sexta derrota consecutiva, é um facto, mas também é verdade que defrontámos Benfica, FC Porto e Sporting de Braga, jogos muito exigentes. Outro facto é que mudámos a equipa a meio da temporada, com sete novos jogadores e seis saídas. Não é fácil construir uma nova equipa nessa fase da época.
Ainda assim, acho que estamos a evoluir bem. Nas duas últimas exibições houve melhorias claras. Há muitas coisas positivas que precisamos de manter e nas quais devemos continuar a investir.
O pior do jogo foi termos perdido, naturalmente. Sabíamos que seria um encontro difícil. O FC Porto é uma equipa incrível, joga muito bem, é muito agressiva com e sem bola e tem uma intensidade muito elevada.
Tentámos manter o nosso plano de jogo e fazê-los sentir desconfortáveis com bola. Acho que, durante largos períodos, conseguimos fazê-lo. Mantivemos o resultado em aberto até ao último minuto, o que foi muito importante para nós.
Ainda há muito espaço para evoluir, sobretudo na posse de bola e na eficácia no último terço — encontrar melhores soluções para ultrapassar blocos baixos e quebrar linhas adversárias. Há muitas coisas a melhorar, mas as duas últimas exibições foram positivas. Acho que merecíamos mais pontos nesses jogos, mas temos de continuar e os resultados vão aparecer.
Antes de tudo, precisamos de um bom resultado para mudar o ambiente e aumentar a confiança. Mas, analisando as duas últimas exibições frente a adversários difíceis, não vejo uma equipa a perder confiança.
Não vejo falta de vontade de lutar, competir ou dar o máximo. Esse espírito existe dentro do grupo, é algo que se transmite entre todos. Os jogadores acreditam, nós acreditamos, e tenho a certeza de que os resultados vão acabar por surgir”.
Ficha do Jogo
Estádio do Dragão, no Porto.
FC Porto – Rio Ave, 1-0.
Ao intervalo: 1-0.
Marcador:
1-0, Froholdt, 22 minutos.
FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Pablo Rosario, Bednarek, Zaidu, Alan Varela, Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 65), Froholdt (84), Pietuszewski (William Gomes, 65), Deniz Gul (Fofana, 75) e Pepê (Borja Sainz, 75).
Suplentes: Cláudio Ramos, Gabriel Brás, Prpic, Francisco Moura, Rodrigo Mora, Fofana, William Gomes, Moffi e Borja Sainz.
Treinador: Francesco Farioli.
Rio Ave: Ennio van der Gouw, Vrousai (Papakanellos, 83), Brabec, Gustavo Mancha, Omar Richards, Tamás Nikitscher (Ryan Guilherme, 82), Ntoi (João Graça, 88), Diogo Bezerra, Olinho (João Tomé, 65), Spikic (Zoabi, 65) e Jalen Blesa.
Suplentes: Kevin Chamorro, Nelson Abbey, Ryan Guilherme, Zoabi, Papakanellos, João Tomé, João Graça, Petrasso e Liavas.
Treinador: Sotiris Silaidopoulos.
Árbitro: David Rafael Silva (AF Porto).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Francesco Farioli (90+1), João Graça (90+2), Omar Richards (90+2), Alberto Costa (90+2), Zoabi (90+6) e Alan Varela (90+7).
Assistência: 44.810 espetadores.
Reportagem OC: Alberto Jorge Santos (texto) e António Proença (Fotos)